Paulistano Nota Dez

Contação de histórias estimula senso crítico de alunos

Clara Haddad e sua irmã Sandra criaram em 2012 um projeto social que já beneficiou 800 alunos da escola pública Professor Airton Arantes Ribeiro, no Jardim São Luís

Por: Adriana Farias

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"Eles se põem na situação das personagens e aprendem a superar obstáculos", diz Clara Haddad, que oferece oficina de narração de contos em escola pública da capital (Foto: Rodrigo Dionísio)

Clara Haddad, de 40 anos, cresceu em uma família de descendentes de libaneses no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul, ouvindo a avó narrar os mais diferentes contos. Eram trechos de As Mil e Uma Noites, coleção de escritos dos séculos XIII a XVI da literatura árabe, e relatos sobre a fuga dela para o Brasil a bordo de um navio durante a II Guerra Mundial (1939- 1945).

A vivência nesse universo levou Clara a se profissionalizar como atriz e contadora de histórias e criar, em 2012, o projeto social Jovens Narradores – Descobrindo Novos Horizontes na escola pública Professor Airton Arantes Ribeiro, no Jardim São Luís. Lá é onde também sua irmã e parceira na empreitada, Sandra, 52, dá aulas. Um dos objetivos do programa é estimular o senso crítico dos alunos e sua participação na comunidade.

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As irmãs Sandra e Clara juntas na empreitada da oficina de contação de histórias da escola pública Professor Airton Arantes Ribeiro, no Jardim São Luís (Foto: Rodrigo Dionísio)

Com oficinas de contação, projeção vocal, expressão corporal, escrita e leitura, atualmente 200 crianças de 11 a 15 anos estão envolvidas na ação. O trabalho, desde seu início, beneficiou ao menos 800 alunos.

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Um deles é Vinícius Serafim Siqueira, de 14 anos. Antes um menino tímido, que mal se comunicava, é um dos destaques da turma e chegou a ganhar o prêmio de melhor artista do colégio em 2015.

“Eu me sinto uma pessoa mais segura, sonho grande com a vida”, diz o estudante. “Conto histórias para a minha mãe e os meus primos.” Ele também passou a frequentar casas de idosos para alegrá-los transmitindo sua arte.

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Vinícius Serafim Siqueira, de 14,antes era um menino tímido, que mal se comunicava, hoje um dos destaques da turma e chegou a ganhar o prêmio de melhor artista do colégio em 2015 (Foto: Rodrigo Dionísio)

Os encontros no centro de ensino ocorrem, por exemplo, na sala de leitura até três vezes por semana com duração total de quatro horas. Neste ano, serão trabalhadas as temáticas de contos de países lusofônicos, ou seja, que têm o português como língua oficial.

No primeiro semestre, o curso é ministrado por Sandra. No segundo, é a vez de Clara, que mora em Portugal há dez anos e retorna sempre nesse período para dar continuidade à empreitada.

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Com oficinas de contação, projeção vocal, expressão corporal, escrita e leitura, atualmente 200 crianças de 11 a 15 anos estão envolvidas na ação (Foto: Rodrigo Dionísio)

“O ganho é enorme, pois os alunos conseguem se pôr na situação vivida pelas personagens e aprendem a superar obstáculos”, explica. “A autoestima cresce, e eles passam a se posicionar na comunidade.”

Como ajudar: escolanarracao@gmail.com e facebook.com/jovensnarradores

Fonte: VEJA SÃO PAULO