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Um passeio pela ciclofaixa do Centro e suas atrações

No trecho que vai da Av. Paulista até a Praça Dom José Gaspar, há um diversificado roteiro cultural e gastronômico

Por: Livia Deodato - Atualizado em

A ciclofaixa é um projeto que vem deixando os paulistanos e moradores da capital bem felizes desde o dia 30 de agosto de 2009, quando foi inaugurada. Atualmente conta com 108,5 quilômetros de extensão, totalizando 230,2 quilômetros de infraestrutura ciclística em toda cidade.  Mais de um milhão e duzentas mil pessoas já passaram pelo percurso, segundo o site do projeto. A cada domingo, mais de 100 mil pessoas passeiam sobre duas rodas ao longo do trajeto.

Eu faço parte dessa estatística e já tive o prazer de percorrer boa parte da ciclofaixa. Recentemente, descobri qual é o meu trecho preferido: o percurso do Centro, que começa no Paraíso e vai até a Praça Dom José Gaspar. O trajeto ainda é pouco explorado e tenho a impressão de que é por receio da maioria da população, que se sente invariavelmente insegura nessa região. Mas, pelo menos nas três vezes que percorri esse trajeto, posso afirmar que foi só diversão (clique aqui para ver o mapa do trajeto percorrido).

Primeiro, por sentir que a ciclofaixa está dando aquele empurrãozinho para que os paulistanos ocupem lugares antes esquecidos ou relegados aos turistas. Segundo, por oferecer a possibilidade de fazer três passeios em um: andar de bike, visitar pontos históricos, almoçar, tomar um café e fazer compras em locais deliciosos. E a melhor parte: em frente a locais emblemáticos do Centro. Há uma série de tendas exclusivas onde você pode estacionar a sua bike com toda segurança, gratuitamente. Basta dar nome, telefone e e-mail, e receber uma pulseira com o mesmo número da sua bicicleta. Só fique atento ao horário: enquanto a ciclofaixa funciona até as 16h, as tendas só vão até as 15 horas.

Aí é só escolher a parada: Catedral da Sé, Pátio do Colégio, Solar da Marquesa de Santos, Mosteiro de São Bento, Viaduto do Chá, Teatro Municipal. Sugiro a Feira da Liberdade para almoçar. O restaurante chinês Chi Fu oferece pratos fartos e baratos. Deixe as comprinhas para quando estiver voltando para casa (a não ser que você tenha uma bela cesta em sua bike).  Caso já tenha almoçado e só quiser tomar um café, opte pelo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) ou o do clássico Girondino, bem em frente ao Mosteiro de São Bento. No CCBB, aproveite para conferir a exposição Planos de Fuga – Uma Exposição em Obras. No Café Girondino, experimente o capuccino de gengibre, feito de café expresso, mel, gengibre em pó, leite vaporizado e açúcar mascavo.

Teatro Municipal - Ciclofaixa do centro
O Teatro Municipal é parada obrigatória do percurso (Foto: Adriano Conter)

A parada obrigatória para fotos é sobre o Viaduto do Chá, tendo como plano de fundo o Teatro Municipal. Você vai entender porque ali é a locação preferida para gravação de comerciais na cidade. Há uma tenda para estacionar a bike bem em frente ao prédio de 1911 recém-reformado. Se estiver com pique, estique até o Vale do Anhangabaú: no imenso calçadão, você vai observar um movimento bem diferente dos dias de semana.

Seguindo a rota novamente, você alcançará o ponto final da ciclofaixa do Centro: a Praça Dom José Gaspar, que abriga a Biblioteca Mário de Andrade. Todos os domingos, ao meio-dia, há um concerto de piano com convidados. O próximo, no dia 18/11, será com Ângela Ro Ro e Marisa Serrano. Para o dia 25/11 estão programadas apresentações de Fernando Moura e Nico Resende, e no dia 2/12, Amilton Godoy (do Zimbo Trio) com Gabriel Grossi e Tânia Turíbio.

Se a fome bater de novo ao final da apresentação, dê um pulo no tradicional bar do Estadão, aberto desde 1968, e saboreie o clássico sanduíche de pernil.

Feira da Liberdade - Ciclofaixa do centro
Feira da Liberdade tem artesanato e comidas orientais (Foto: Adriano Conter)

Dicas de segurança

Antes de sair pedalando por aí, fique atento a algumas dicas básicas de segurança:

- Proteção nunca é demais. O capacete é o primeiro item que você tem de adquirir logo após a compra da bike. Ele parece ser frágil, mas já salvou a vida de muitas pessoas. Depois, vá adquirindo os demais itens: luvas, cotoveleiras, buzina, espelho lateral e luzes dianteira e traseira;

- Comece pelo passeio na ciclofaixa dos domingos, das 7h às 16h. Quando se sentir mais confiante, é hora de explorar ruas e avenidas nos demais dias da semana. Prefira horários alternativos, como após as 20h30, e saia sempre em grupo. A loja Total Bike organiza passeios noturnos gratuitos pela cidade às terças (para iniciantes) e quintas-feiras (avançados), a partir das 21h;

- Ande sempre à direita da via, no mesmo sentido que os carros;

- Antes de virar uma rua, certifique-se de que não há nenhum carro, pedestre ou outra bicicleta vindo em sua direção. Se não tiver um espelho lateral, pare a bike e olhe para trás. Sinalize dando sinal com a mão na direção que você vai virar;

- A preferência nas ruas vai do mais fraco ao mais forte. Nesse sentido, os pedestres têm prioridade se comparados aos ciclistas que, por sua vez, têm prioridade em relação aos carros;

- Evite acidentes usando uma buzina, um apito ou até mesmo com um assovio.

Fonte: VEJA SÃO PAULO