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Cake Boss: a vida em São Paulo e a confeitaria que abrirá aqui

Um passeio pela capital com o confeiteiro-sensação Buddy Valastro, que está na cidade para gravar reality show e expandir sua rede gastronômica

Por: Ana Carolina Soares - Atualizado em

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Na manhã do último dia 1º, quarta-feira, certo imprevisto atrasou a chegada de um dos chefs internacionais mais queridos dos paulistanos. Na metrópole para um mês de compromissos profissionais, Bartolo Valastro Jr. — que assina Buddy Valastro, mas ficou conhecido na TV pela alcunha de Cake Boss, algo como “chefão do bolo” — chamou atenção na alfândega pelo conteúdo da mala. De Rolex no pulso, trazia mais quatro relógios de grife, o que acionou o alerta-muamba dos fiscais. Foi preciso uma hora de conversa para que as autoridades entendessem que era apenas o estilo extravagante do confeiteiro de origem italiana, nascido em Nova Jersey.

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Às 10 horas, ao dar os primeiros passos pelo saguão do Aeroporto Internacional de Guarulhos calçando um par de sapatos esportivos Louboutin, a cobiçada marca da sola vermelha (pois é, tem para homem), a gritaria era instantânea. “Gente, é o Cake Boss!”, constatou uma jovem, logo multiplicada em mais de 100 figuras ávidas por selfies e abraços.  

O entusiasmo deu ao homem de negócios de 38 anos uma boa amostra do que encontrará em sua estada. Ele reservou julho para pôr a mão na massa em seus três grandes projetos paulistanos. Começa a planejar a abertura da primeira filial de seu restaurante italiano Buddy V’s em 2016. Corre para inaugurar até dezembro a confeitaria Carlo’s Bake Shop, a décima segunda loja da marca, e a única fora dos Estados Unidos.

E, na segunda (6), iniciou as gravações do reality Batalha dos Confeiteiros Brasil, versão de Next Great Baker. O vencedor vai gerenciar sua doceria local durante um ano, com um salário entre 15 000 e 20 000 reais. Produzido pela Endemol Shine Brasil, o programa, com dez episódios, será exibido às quartas, às 23 horas, na Record, com reprise às terças no Discovery Home & Health. A estreia, em 30 de setembro, terá catorze candidatos. Em 2 de dezembro, ao vivo, o dono do show escolherá o vitorioso entre três finalistas.  

Com quatro atrações na TV americana sobre o universo culinário, Valastro foi visto em 220 países e territórios, em 45 línguas. Por aqui, os canais pagos Discovery Home & Health e TLC exibem hoje em dia dois de seus títulos: Cake Boss, sobre os bastidores de seu trabalho à frente do negócio familiar, a rede de confeitarias Carlo’s Bakery, e Kitchen Boss, no qual ensina receitas.

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Com 4 milhões de fãs no Facebook e 1 milhão no Instagram, ele costuma arrastar bom público no mundo todo, mas não havia visto ainda algo como a popularidade experimentada na capital paulista, em julho do ano passado. Na ocasião, fãs passaram a madrugada na fila e abarrotaram o Shopping Eldorado a fim de assistir a uma demonstração sua ao vivo de decoração de bolos. Com o show, o trânsito travou na Marginal Pinheiros em pleno domingo. “Eram 10 000 pessoas gritando meu nome. Eu me emocionei e percebi na hora que precisava investir nesta cidade” — palavras do homem visionário, cujo patrimônio líquido é estimado em 10 milhões de dólares.  

Cake Boss - Buddy Valastro - Cannoli
Caras e bocas entre os cannoli do Bixiga: quer vender mais de 3 000 dessas guloseimas por dia na loja que terá por aqui (Foto: Fernando Moraes)

A confeitaria no Brasil é fruto de uma parceria com a Casa Bauducco. “Em maio de 2014, tivemos uma primeira reunião em Nova Jersey”, diz Carlo Bauducco, diretor de novos negócios. A marca brasileira entrará com a logística e a infraestrutura, mas não porá seus produtos à venda nas gôndolas. O astro cuida do menu e de reproduzir a “experiência” Carlo’s Bakery. Há planos de expansão na cidade e em outras capitais. “Nos próximos cinco anos, quero cinquenta pontos ao redor do mundo e espero que parte deles esteja neste país”, planeja Buddy.

Até 2018, o chef também será o rosto nos Estados Unidos da grife nascida no Brás. “Vamos abrir nossa primeira fábrica em Miami em 2016, mas ainda neste ano o Cake Boss será o garoto-propaganda dos nossos panetones”, afirma Bauducco.  

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Nas unidades americanas, em cidades como Nova York e Las Vegas, a Carlo’s Bakery tem ares de atração turística, muitas vezes com fila. “Pelo menos 20% de nossos clientes da loja de Nova Jersey são brasileiros”, calcula Mauro Castano, cunhado e braço-direito. Nos próximos dias, os sócios deverão decidir o ponto em São Paulo: por ora, há dúvida entre os shoppings Eldorado e Morumbi. O cardápio deve ser semelhante ao original, com cerca de setenta doces, mas com alguns toques abrasileirados, como os cannoli de brigadeiro. A vitrine pela qual é possível ver os confeiteiros em ação também será reproduzida.   

Cake Boss - reality show Next Great Baker - Batalha dos Confeiteiros Brasil
O 'Next Great Baker' original: aqui, será 'Batalha dos Confeiteiros Brasil', com final ao vivo em 2 de dezembro (Foto: Reprodução)

Enquanto acerta os últimos detalhes da loja, Buddy tem encarado uma jornada de onze horas diárias com Batalha dos Confeiteiros Brasil. “Ele é 100% profissional e 0% estrela. Seu único pedido foi: ‘Não quero folgas neste mês em São Paulo’”, conta Marcello Braga, diretor-geral da Endemol Shine Brasil, que produz a atração.

A maratona de gravações começou na segunda (6) e se estenderá até o dia 31, entre a cozinha de uma universidade na Zona Oeste e os estúdios da emissora da Barra Funda. “Três participantes choraram de emoção assim que ficaram cara a cara com o apresentador”, diz Paulo Franco, superintendente artístico e de programação da Record.

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O executivo acompanhou o primeiro dia de filmagens. O americano surgiu às 9 horas com o pessoal da equipe e checou o posicionamento de cada câmera ou bancada. Antes, havia decidido a lista de equipamentos presentes na cozinha e quais seriam os concorrentes, após analisar vídeos de 100 profissionais de confeitarias de todo o país recrutados pela produção (não era possível se inscrever).  

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Por enquanto, Buddy só fala em português expressões básicas como “obrigado” e “boa noite”. Para que a língua não atrapalhe a dinâmica, todos em cena usam ponto eletrônico com tradução simultânea. “Esses candidatos me surpreenderam”, comentou, após o dia no estúdio. O astro sabe o tamanho da chance dos competidores. Ele mesmo ficou famoso após participar de um reality show culinário nos Estados Unidos, em 2009. Saiu derrotado, mas, como era muito carismático, foi convidado a ter seu próprio programa.  

Cake Boss - Buddy Valastro
O bolo Transformers, com 3 metros de altura e 1 tonelada: encomendas gigantes serão aceitas aqui (Foto: Paulo Lopes/Futura Press)

Segundo a Record, esse magnetismo pessoal se comprova na rentabilidade. “Minutos depois que o apresentamos na coletiva de imprensa, em fevereiro, o telefone da nossa equipe comercial começou a tocar”, relata Franco. Até agora, foram vendidas cinco cotas de patrocínio, em um valor bruto de 24 milhões de reais cada uma — na prática, entretanto, essa quantia tem descontos de 60% a 70%. Também já se fecharam dez contratos de merchandising, ao custo total de 3 milhões de reais. Estima-se que Buddy leve 30% das ações publicitárias, fora o cachê fixo, incluso no orçamento total de 5 milhões de reais.  

Apesar de ser uma máquina de trabalhar e fazer dinheiro, o chef não perde a simpatia. Faz jus ao apelido “Buddy”, amigão em inglês. Almoça com a turma da produção, a qual chama de “família”, cumprimenta quem encontra pela frente com abraços e recompensa com sorriso largo os pedidos de foto.  

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Na quinta-feira (2), VEJA SÃO PAULO acompanhou o confeiteiro do café da manhã ao anoitecer em um roteiro gastronômico pela capital. Primeira parada: a tradicional barraquinha de cannoli de Alexandre Leggieri na Praça Dom Orione, no Bixiga (com direito a uma passada na paróquia Nossa Senhora Achiropita, onde ele acendeu uma vela para a mãe, Mary, que luta contra a esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa incurável), almoço na cantina Spadaccino, na Vila Madalena, sonhos e bolinhos na doceria Dulca da Sala São Paulo. Para terminar o dia, lascas de parmesão acompanhadas de vinho tinto no Terraço Itália, no centro.

Cake Boss - Buddy Valastro
A multidão em 2014 durante evento no Shopping Eldorado: um dos possíveis pontos da confeitaria (Foto: Paulo Lopes/Futura Press)

Experimentou todas as 28 iguarias oferecidas e, sempre cortês, disse que esta- va tudo uma delícia. “Não tenho frescura com comida.” Com os filhos, às vezes vai ao McDonald’s. “Pregar que só devemos consumir pratos saudáveis é algo tão utópico quanto buscar a paz mundial. Alimentação tem a ver com o momento, a companhia e o lazer”, disse, quando o assunto era a bandeira natureba da gastronomia de Jamie Oliver, outro chef pop da TV, que abriu o restaurante Jamie’s Italian na cidade.

Ao saber que o concorrente não compareceu à inauguração da casa em São Paulo, lançou uma alfinetada. “Respeito Jamie, mas só digo o seguinte: eu tenho o sangue italiano, sei o que é a comida deste país, e, quando abrir qualquer negócio aqui, estarei presente.”  

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Antes da final de Batalha dos Confeiteiros Brasil, em dezembro, Buddy volta a São Paulo em agosto. Nos dias 11 e 12, vai estrelar o evento Cake Design/ Expo Brasil Chocolate, no Centro de Convenções Frei Caneca. Fará quatro apresentações e almoçará com dez participantes sorteados. Na mesma semana, gravará um programa que vem sendo mantido sob sigilo: um especial para o canal Discovery Home & Health de uma hora de duração que deverá ir ao ar no início de 2016. Trata-se de um desafio culinário ao lado de outros chefs daqui. Dessa vez, porém, o cenário será o Rio.  

Cake Boss - Buddy Valastro
Na varanda da suíte: camiseta da seleção brasileira personalizada (Foto: Fernando Moraes)

Passar o dia com o cozinheiro é sentir- se dentro de um de seus reality shows. A cada hora, algum dos dezoito parentes que trabalham no grupo faz tocar seu iPhone 6, do qual soa em alto volume a canção-tema do faroeste Três Homens em Conflito. Ele combina com o braço-direito Mauro detalhes da viagem ao México em agosto, dá uma dura no cunhado Joe, devido a um projeto de bolo que parecia ter desandado, e daí por diante. “Sou o caçula, mas conduzo os negócios da família por ser um nato resolvedor de problemas.”  

A mulher, Lisa, e seus quatro filhos desembarcarão na cidade na sexta (17). Ficarão com ele até o fim do mês. Um corredor do 13º andar do hotel InterContinental, na Alameda Santos, com três quartos de 60 metros quadrados cada um, está reservado para os Valastro.

Buddy se instalou em uma suíte com uma sala, um banheiro cheio de produtos L’Occitane, arara extra para acomodar as dezenas de camisas e calças de grife, cama king-size, enxoval Trussardi 300 fios egípcios e um menu de travesseiros à disposição. Custa 1 600 reais a diária (ou quase 50 000 reais ao fim da hospedagem) e já foi refúgio de outras celebridades, como o músico B.B. King e a cantora Demi Lovato. “Viajo bastante e acumulei 3 000 milhas de voos no ano passado, mas nunca passei tanto tempo seguido fora de casa.”

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Em conversa informal, perguntou: “Quer dizer que há bons imóveis aqui por 1 milhão de dólares? Quem sabe eu não compre algo em São Paulo para passar mais tempo?”. E continuou, com a simpatia habitual. “Gostei de tudo nesta cidade”, elogia. “O trânsito nem é tão ruim assim.” Ele não é um doce? 

Cake Boss - Buddy Valastro - família
Em família: a mulher Lisa e os filhos Sophia (12), Buddy Jr (11), Marco (7) e Carlo (4) (Foto: Reprodução)

A doce vida

Os ingredientes do fenômeno da TV

Nome: Bartolo Valastro Jr.

Família: nasceu em Nova Jersey, caçula de uma família de classe média com cinco filhos. É casado com Lisa Valastro, 35, e tem com ela os filhos Sophia (12), Buddy Jr (11), Marco (7) e Carlo (4)

Físico: 1,69 metro e 102 quilos

Televisão: tem quatro reality shows: Cake Boss, Kitchen Boss, Batalha dos Confeiteiros e Bakery Boss (por ora, só os dois primeiros estão no ar no Brasil, no Discovery Home & Health e no TLC)

Início na TV: entre 2007 e 2009, participou de três edições do reality show Food Network Challenge, nos Estados Unidos, mas perdeu. Como era o candidato mais carismático, ganhou em 2009 um programa só para ele, o Cake Boss, que já foi ao ar em 220 países e territórios

Fé: católico, vai à missa aos domingos e anda sempre com a medalhinha de Santo Antônio, do qual é devoto

Grifes: ama Gucci, Ferragamo e Chanel. Usa Rolex no pulso e sapatos Louboutin

Fortuna: aparece em listas dos chefs mais ricos do mundo, com patrimônio estimado em cerca de 10 milhões de dólares

Cake Boss - Buddy Valastro
Cake Boss - Buddy Valastro (Foto: Divulgação)

A fantástica fábrica paulista

Como será a primeira filial da Carlo’s Bakery fora dos EUA

Investimento: 2,5 milhões de reais (em parceria com a Casa Bauducco)

Área: 200 metros quadrados, com decoração praticamente idêntica à da Carlo’s Bake Shop em Hoboken, Nova Jersey, o principal cenário do reality Cake Boss

Coadjuvante: Mauro Castano, braço-direito de Buddy e também conhecido da TV, passará um mês na cidade para treinar a equipe de cerca de cinquenta pessoas em São Paulo. Buddy e sua família já confirmaram presença na festa de inauguração

Cardápio: semelhante ao dos pontos americanos, em média com setenta itens, mas com toques brasileiros como cannoli de brigadeiro e bolo de cenoura

Preços: a estimativa é vender cupcakes ou cannoli a partir de 6 reais. Um bolo confeitado para vinte pessoas custará aproximadamente 120 reais

Lembrancinhas: a loja também vai vender produtos licenciados, como camisetas e aventais

Big Brother: os clientes poderão ver os boleiros em ação por meio de uma vitrine, como acontece em outras unidades

Superbolos: sob encomenda, será possível degustar por aqui os gigantes conhecidos da TV (confira foto na reportagem de obra inspirada no filme Transformers). Serão preparados em uma fábrica da Casa Bauducco, de 300 metros quadrados, em Guarulhos

Cake Boss - Buddy Valastro
Cake Boss - Buddy Valastro (Foto: Edu Moraes)

Porções de peso

Os números de produção do reality show que estreia em 30 de setembro na Record

1 tonelada de pasta americana

160 pessoas trabalham no reality

500 fôrmas de bolo

600 quilos de chocolate

400 quilos de farinha

200 moldes para a decoração

5 milhões de reais é o custo da produção

5 cotas de patrocínio foram vendidas

  • Docerias

    Cake Boss's new business in Brazil

    Atualizado em: 11.Jul.2015

    A trip through São Paulo with celebrity baker Buddy Valastro, who arrived here to tape a reality show and prepare the first international location for his culinary chain
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  • VEJA SÃO PAULO recomenda

    Atualizado em: 9.Out.2015

    Restaurante, espetáculo, exposição, doceria e outras atrações em cartaz
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  • Cartas da edição 2434

    Atualizado em: 10.Jul.2015

  • Aulas de caligrafia, etiqueta e esperanto, o "idioma universal", atraem alunos
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  • Diferença pode chegar a 50% nas zonas leste, norte, oeste e sul
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  • Teste realizado por VEJA SÃO PAULO mostra que o tempo de espera depende do horário e da rua. Em alguns locais, o dispositivo faz pouca diferença
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  • Com lançamento previsto para o ano que vem, filme terá direção do cineasta Ricardo Calil
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  • Terraço Paulistano

    Confira as novidades da semana do Terraço Paulistano

    Atualizado em: 2.Out.2015

    Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
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  • A entidade Doutor Rubem Cunha realizou no ano passado mais de 2 900 consultas e 134 cirurgias, além de doar 300 óculos
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  • Na Rua 25 de Março, as vendas caíram cerca de 30% no primeiro semestre deste ano; Brás e Bom Retiro enfrentam uma retração de 15%
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  • Debate sobre liberação de comércio e prédios em áreas nobres esquenta rixa entre pré-candidatos ao pleito do ano que vem
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  • Com uma pequena produtora em Bertioga, Papá Miri Poty fará documentário sobre a primeira edição de encontro indígena internacional
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  • Segundo a federação paulista da modalidade, a cidade ganhou ao menos 5 000 adeptos nos últimos quatro anos
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  • Comportamento

    Confira as novidades da semana da coluna Bichos

    Atualizado em: 2.Out.2015

    A seção fala sobre a abertura de uma padaria pet na cidade
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  • Produtos para celebrar os prazeres de brancos e tintos
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  • Brasileiros

    Esquina Mocotó

    Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1108, Vila Medeiros

    Tel: (11) 2949 7049

    VejaSP
    13 avaliações

    Responsável também pela cozinha do vizinho e premiado Mocotó, Rodrigo Oliveira usa o Esquina Mocotó para fazer receitas autorais. À sua maneira, o chef reinterpreta o Brasil em pratos como o saboroso arroz de galinheiro (com milho, pequi e ovo num caldo untuoso que cola na boca; R$ 48,90) e a costelinha de javali com cuscuz de milho de jeitão sertanejo, feijão-de-corda e folhas refogadas (R$ 44,90). Embora tenha um conceito interessante, o ceviche de pé de porco (cubos cozidos de carne no tucupi, com limões taiti e siciliano, mandiopã e batata-doce; R$ 28,90) entusiasma menos.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Ritz - Jardim Paulista

    Alameda Franca, 1088, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3062 5830 ou (11) 3088 6808

    VejaSP
    3 avaliações

    São três endereços de visual parecido — não falta a porta giratória vermelha na entrada de cada um deles —, mas com públicos bem diferentes. Na casa original dos Jardins, por exemplo, durante a semana no almoço uma leva de executivos ocupa as mesas, enquanto o jantar invariavelmente tem predominância do público gay. O cardápio, igual em todos, traz a porção de bolinho de arroz (R$ 20,00, com oito unidades) como pedida obrigatória ou uma das guarnições, disputando as atenções da clientela com as fritas (R$ 18,00). Tem grande saída o bife à parmigiana com gorgonzola arroz e fritas (R$ 59,00) assim como o ritz burger (200 gramas de carne, queijo cheddar ou gorgonzola, salada, maionese e pancetta; R$ 44,00).

    Preços checados em 10 maio de 2016.

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  • Bar-restaurante / Pubs

    Camden House

    Rua Manuel Guedes, 243, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2369 0488

    VejaSP
    3 avaliações

    É um pub com pegada gastronômica. Vencedor da categoria cozinha de bar no ano passado, continua um ótimo lugar para comer e beber. Uma novidade da chef e proprietária da casa, Elisa Hill, são os rolinhos de massa folhada com uma ótima linguiça, para mergulhar no molho barbecue (R$ 35,00 a porção). Outra atração, os pedaços de barriga de porco fritos com generosidade na gordura são cobertos de purê de maçã (R$ 38,00 a porção). Só não se sai tão bem o bolovo, meio frio no interior, mas acompanhado de uma deliciosa maionese defumada (R$ 11,00). Além da seleção mutante de chopes, dá para pedir um uísque sour com tamarindo, ácido na medida (R$ 31,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Sanduíches

    Tigre Cego

    Rua Girassol, 654, Vila Madalena

    Tel: (11) 3586 8370

    VejaSP
    3 avaliações

    Responsável pelos sanduíches — e também pela ótima porção mista de batatas inglesa e doce e mandioquinha fritas (R$ 22,00) —, Pablo Muniz reformulou o cardápio. Entre as estreias estão quatro opções de hambúrguer, três delas com um belo disco de carne de 180 gramas e a última, vegetariana. Outra novidade, o bul go gui (R$ 30,00), que no passado vinha numa massa de arroz, é apresentado na forma de três pequenos tacos de milho: dentro de cada um deles vem fraldinha marinada no óleo de gergelim com gengibre, shoyu e alho. Um mix de pimenta dedo-de-moça, cebolinha, picles de moyashi e maionese de conserva picante de acelga completa a sugestão.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Desde 2010, o espetáculo de produção americana com a turma do Mickey Mouse faz curtas temporadas no Teatro Bradesco. A cada ano, o tema muda e desta vez ocupa o palco o episódio Disney Live! O Caminho Mágico de Mickey & Minnie, dirigido por Fred Tallaksen. Acompanhados de Pato Donald e Pateta, os ratinhos têm a chance de entrar em vários mundos encantados através de portas misteriosas. Por meio delas, a turma encontra Aladdin e o Gênio na cidade de Agrabah, onde se passa a história, e depois vai parar no quarto de Andy, o garotinho protagonista do filme Toy Story, para se divertir com seus brinquedos. Figuras de outros longas como Branca de Neve e os Sete Anões e Enrolados vão surgindo no decorrer da apresentação, que conta ao todo com 25 personagens e traz ainda uma cena do clássico Fantasia. Todos os números são acompanhados de coreografas e sete músicas conhecidas do público, caso de Bibbidi-Bobbidi-Boo, de Cinderela. É uma oportunidade de se sentir próximo do universo da Disney — ou, para quem conhece, de matar a saudade dos parques temáticos de Orlando — em plena cidade de São Paulo. Até 31/7/2015.
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  • Um anúncio de venda publicado em 1954 no jornal Folha da Manhã informava detalhes sobre o moderno Edifício Louveira, “localizado no coração do aristocrático bairro de Higienópolis e servido de abundante condução”, uma das obras mais icônicas que Vilanova Artigas (1915-1985) projetou em São Paulo. O curioso documento, além de fotos, estudos e filmes, pode ser visto na exposição dedicada a ele que ocupa o Itaú Cultural. Duas maquetes de madeira reproduzem a Garagem de Barcos do Iate Clube Santa Paula (1961) e a Casinha (1942), onde ele viveu com a mulher na capital paulista. Ao longo de todo o circuito, o visitante que olha para o teto vê desenhos de animais e mulheres nuas feitos pelo artista nos momentos de ócio. Sua importância para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, da qual foi um dos criadores e autor do projeto do prédio, é o foco da mostra. Evidencia-se na construção o estilo fluido de rampas e pavimentos, sem cortes abruptos, que marcou o trabalho do arquiteto. Pena que a montagem privilegie anotações e rascunhos herméticos, traduzindo pouco em recursos visuais o impacto de sua obra. Além disso, faltam informações sobre uma de suas criações mais grandiosas — o Estádio do Morumbi. Até 9/8/2015.
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  • A proposta dos atores e adaptadores Flavio Tolezani e Natalia Gonsales já faz valer o drama Fala Comigo Antes da Bomba Cair. Sob a direção de Carla Candiotto, a dupla funde duas peças de um ato, Fala Comigo Como a Chuva e Me Deixa Ouvir e Vamos Sair da Chuva Quando a Bomba Cair, escritas respectivamente pelo americano Tennessee Williams (1911-1983) e o paranaense Mário Bortolotto, de 52 anos. Na trama, Ângela (papel de Natalia) é uma produtora de eventos que, depois de aderir às convenções, venceu os traumas do passado. Hoje, ganha um bom dinheiro e deixou para trás o excesso de peso que a fazia ser alvo de preconceito. Tolezani representa Hassim, escritor no limite do alcoolismo, sem uma ocupação e tampouco entusiasmo para enxergar a realidade destrutiva em que mergulhou. Apaixonados, eles tentam firmar um relacionamento e dividir o mesmo teto. São tragados, porém, pelas diferenças de postura diante da vida. Principal foco da montagem, o diálogo entre autores de gerações e nacionalidades diferentes se mostra bem-sucedido. Em comum, Williams e Bortolotto traçam radiografias sociais através de um ponto de vista intimista, contrastando universos marginais e posturas mais convencionais. Cientes disso, os intérpretes mergulharam na proposta naturalista e, mesmo que a direção de Carla desvie um pouco desse caminho ao usar coreografias muito marcadas para Natalia, o resultado envolve e pode até comover o espectador. Estreou em 24/6/2015. Até 25/10/2016.
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  • Em Buenos Aires, o tradicional circuito de teatros da Avenida Corrientes fervilha com espetáculos muito semelhantes a este, a comédia Loucas por Eles. Escrito pelo dramaturgo argentino Marcos Carnevale, o mesmo autor de Elza e Fred, o texto ganhou adaptação de Walcyr Carrasco e direção de Fernando Cardoso, mas manteve um espírito similar ao das montagens do país de origem: alguns atores carismáticos, piadas popularescas e uma inevitável sensação de mofo. Na trama, cinco mulheres (interpretadas por Suely Franco, Vera Mancini, Cynthia Falabella, Fafá Rennó e Ellen Roche) estão presas em um aeroporto devido a uma tempestade. Enquanto aguardam a liberação da pista para pouso ou decolagem, elas simulam uma terapia coletiva sobre o universo masculino. Afinal, todas estão ali por causa de um homem. Do grupo, Vera Mancini é quem melhor tira vantagens na pele da mãe que pretende visitar o filho em Nova York. Com a simpatia de sempre, Suely tem o público nas mãos, mas não consegue aliviar o excesso de palavrões embutidos no texto. Estreou em 19/6/2015. Até 25/10/2015.
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  • Com mais de 6 milhões de espectadores, A Culpa É das Estrelas foi recordista de público no Brasil em 2014. Seu escritor, John Green, bancou o espertinho ao ser um dos produtores executivos de Cidades de Papel, longa-metragem também inspirado em livro de sua autoria. Embora se espere que a renda nas bilheterias seja gorda, a adaptação é uma furada. Tão bem explorado no filme anterior, o cotidiano dos adolescentes atinge aqui um grau insípido (e muitas vezes sonolento). Dá saudade, por exemplo, dos trabalhos assinados por John Hughes na década de 80, como Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado. Em Cidades de Papel, o protagonista, Quentin (interpretado de forma insossa por Nat Wolff), é um jovem de 18 anos que, desde criança, tem uma queda por sua vizinha, Margo (Cara Delevingne). O tempo tratou de afastá-los. Enquanto ele se entregou à vidinha careta, ela mostrou ser uma garota disposta a conquistar a liberdade muito cedo. Os dois se reencontram quando ela pede a Quentin que a ajude a se vingar do namorado e da melhor amiga. No dia seguinte, Margo desaparece. A história se desenrola, até aqui, numa simpática mistura de ação, humor e romance platônico. Não demora para a trama ganhar características de um road movie e ser acrescida de dois personagens insuportáveis, Radar e Ben, amigos do protagonista e interpretados pelos péssimos atores Justice Smith e Austin Abrams. Os poucos conflitos evaporam e manjadas frases de efeito (tipo “precisei me perder para me encontrar”) dominam um curtíssimo repertório sobre o universo teen. Estreou em 9/7/2015.
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  • O diretor e roteirista Christian Petzold já havia sido superestimado por seu trabalho anterior, Barbara, indicação da Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013. A volta ao cinema se dá com Phoenix, longa-metragem cuja credibilidade da trama se esvai em meia hora. Logo após o término da II Guerra, a cantora judia Nelly Lenz (Nina Hoss) volta a Berlim. Ela saiu de um campo de concentração com o rosto desfigurado e, assim como a fênix, o pássaro mitológico renascido das cinzas, pretende refazer a vida. Embora tenha indícios de que o marido a entregou aos nazistas, Nelly sai à sua procura depois de passar por uma plástica e ganhar outra face. No reencontro com Johnny (Ronald Zehrfeld), ele não a reconhece. Além do argumento absurdo, o filme falha na continuidade de cenas e apresenta uma heroína de comportamento irritante. Assim, fica difícil compartilhar da dor da personagem. Estreou em 9/7/2015.
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  • É uma loucura levar a criançada para ver As Aventuras dos Sete Anões com Divertida Mente e Minions em cartaz. Caso os pequenos já tenham visto as melhores animações nos cinemas, até vá lá. Produção alemã de segunda linha, o desenho animado tem técnica que deixa a desejar e uma historinha para boi dormir. Para começar, os protagonistas possuem estatura e físico de homens minúsculos — e não de anões. Outro problema está na trama fajuta, uma mistura evidente de elementos de Branca de Neve, Como Treinar o Seu Dragão, A Noiva Cadáver e até do hit Frozen. Nela, a princesa Rose sofre uma maldição provocada pela “fantasma” Dellamorta. A consequência: a moça e o pessoal de seu castelo ficam congelados. Para reverter o feitiço, os sete anões encaram uma, digamos, aventura para procurar Jack, o prometido de Rose que deve beijá-la e, assim, a situação voltar ao normal. Estreou em 9/7/2015.
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  • Socorro

    Atualizado em: 10.Jul.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO