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Bom pra Cachorro

Sem seu animal por perto a viagem não será completa? Hotéis se esmeram em oferecer serviços cinco-estrelas a quem embarcar de férias com os bichos

Por: Ana Paula Severiano - Atualizado em

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Sky Hotel, em Aspen: é possível treinar os cães para puxar esquis (Foto: Jeremy Swanson)

Blue é um labrador de 4 anos que gosta de nadar, correr eenterrar ossos. Até aí, nada de mais. A diferença é que ocenário das atividades muda todo fim de semana. Parte da rotina de Blue é farejar com a dona, ErinBoyd, hotéis onde animais são bem-vindos. “Cansei de me frustrar com lugares que se dizem ‘petfriendly’ e, na verdade, apenas toleram a presença do cão”, diz. Erin visitou trinta endereços na Inglaterra para listar os que passavam no crivo de suas exigências: acesso ao lobby, quartos adaptados e serviços e cardápio tão dignos quantos os ofertados aos humanos. “É pedir muito?”, pergunta. Há oito meses, ela abandonou o Ph.D. em economia para se tornar doutora em roteiros animais: criou a Chien Bleu, agência para quem só embarca em viagens sangue-azul com os estimados bichos a tiracolo. Aprovados com a “pata” de qualidade de Blue estão tours de Land Rover pelo interior do país e o serviço de quarto do Milestone Hotel, a oeste de Londres, que serve a tradicional linguiça Cumberland para o cão jantar com o dono.

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Four Seasons Hampshire: recepção calorosa (Foto: Divulgação)
Para quem acha pouco, a rede Kimpton mantém directors of pet relations, que recepcionam no lobby hóspedes à altura: eles também são cachorros. No The Muse, de Nova York, quem faz sala é Ginger, uma lulu-da-pomerânia de 6 anos que tem até e-mail pessoal. Também na cidade, o W comemora o aniversário do bicho com festa. O resort Esperanza, em Los Cabos, no México, dispõe de pet sitters. No Four Seasons Hampshire, um dos poucos a cobrar pela estada do bicho (cerca de 115 reais), o cão é convidado a participar da caça ao faisão e alimentado com ingredientes orgânicos. Em Paris e Miami, o Mandarin Oriental manda bordar um tapete com o nome do bichinho. A graça na rede Ritz-Carlton são as capas de chuva da grife Burberry. No Fasano São Paulo, os donos recebem um guia com os endereços pet friendly nos Jardins. No Unique Garden, em Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, o chef pode ser acionado para preparar refeições especiais.

Os hotéis refletem nos serviços um desejo de turistas do mundo inteiro. Numa enquete de 2012 da Pet Relocation, empresa americana especializada no transporte de animais, 22% dos participantes afirmaram que pretendem embarcar para o exterior com seus animais no próximo ano. Um relatório da Lieberman Research para a rede Starwood (dona do Sheraton, por exemplo) mostrou que 43% dos donos se sentem culpados por deixar os cachorros para trás — e 94% perguntam por eles ao ligar para casa. “Há um empenho maior em ofereceri nfraestrutura e equipe capacitada aos bichos e, assim, deixar os donos felizes”, conta Larissa Rios, dona da golden retriever Cléo e proprietária da Turismo 4 Patas, de São Paulo.

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Resort Las Ventanas, em Los Cabos, no México: massagens para amenizar o jet leg de cães e gatos (Foto: Divulgação)
Larissa adaptou pacotes de ecoturismo para acomodar cachorros. Juntos, dono e pet encaram até rafting: botes passam por corredeiras suaves e parte da equipe se encarrega da segurança do cão. Aventura também é uma das ofertas do site The Jet Set Pets: é possível treinar o animal para puxar os esquis cross-country em Aspen, no Colorado. No destino, o Sky Hotel aceita gatos e pássaros. É raro no mercado. O spa Sete Voltas, em Itatiba, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, acolhe qualquer espécie. Gatos e cachorros ficam na suíte dos donos. Pássaros, no viveiro. “Até um porquinho-da-índia já passou uma temporada aqui”, diz a proprietária, Myrian Abicair. Nem só de hotel vive o roteiro-cão. Pets têm passe livre em vinícolas da Califórnia. “Há mais de sessenta endereços dog friendly no Vale do Napa”, calcula Dan Cartwright, pioneiro no trabalho de acompanhar famílias com animais pela região. Outra opção é bancar Elizabeth Taylor e navegar no Queen Mary 2, o único transatlântico a aceitar animais. Por questões sanitárias, eles ficam numa área reservada, mas tripulantes brincam e passeiam com cães e gatos, além de cuidar da limpeza e da alimentação deles. Vale para quem quer poupar os bichos do jet lag. Sim, eles também sofrem dos males do voo prolongado. Ou, então, arrume as malas para o Las Ventanas,em Los Cabos. No resort mexicano, há massagens que ajudam a amenizar os sintomas. A primeiras sessão, de uma hora, custa 145 dólares.

Fonte: VEJA SÃO PAULO