Festival

BaixoCentro ocupará entorno do Minhocão por dez dias

Com mais de 100 atrações, evento é organizado por movimento que defende o “direito à cidade”

Por: Bruno Machado - Atualizado em

Minhocão - Baixo Centro
Minhocão: local será fotografado pelos participantes do Instawalk (Foto: Agilberto Lima)

“As ruas são para dançar”: esse é o slogan do Festival BaixoCentro, evento aberto, colaborativo e independente – sem a participação de ONGs, de associações ou do Estado – que a partir desta sexta-feira, durante dez dias, tomará as ruas dos bairros de Santa Cecília, Vila Buarque, Campos Elísios, Barra Funda e Luz, no entorno do Elevado Costa e Silva, o Minhocão.

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A ideia, resultado de uma série de discussões de centros culturais, artistas e produtores da região central da cidade e encabeçada pela Casa da Cultura Digital, é “dar novo significado a uma área desprestigiada da cidade”, de acordo com um dos organizadores do projeto, Lucas Pretti. Segundo ele, a área foi escolhida por ser o lugar onde trabalha ou mora a maioria das pessoas envolvidas com o projeto. Soma-se a isso o fato de que, recentemente, a região passou a receber especial atenção da mídia, após ações da Polícia Militar na Cracolândia.

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Organizado de maneira coletiva, o projeto abriu consultas públicas para montar sua programação. Todas as sugestões, sem exceção, foram aceitas, transformadas em atrações e incluídas no festival. O resultado é um cardápio com mais de cem programas, todos gratuitos, como sessões de cinema ao ar livre, exposições fotográficas, performances teatrais, intervenções e debates, realizados em centro culturais da região e sobretudo, ao ar livre. Durante todo o festival, os participantes também poderão retirar adesivos com os dizeres "Eu queria que aqui fosse...", dizendo como gostariam que fosse a cidade de São Paulo.

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A maioria das atrações vai se concentrar no Minhocão, “uma cicatriz a céu aberto”, segundo Pretti. O elevado receberá, entre outras atrações inusitadas, minijogos de futebol de madrugada; piquenique sobre 400m² de grama que será “plantada” no local; e várias piscinas plásticas de mil litros, das quais será possível assistir a filmes. Na sexta-feira (23), as atividades se iniciam com uma sessão de cinema a céu aberto, na qual os fumantes poderão ficar a vontade para acender seus cigarros enquanto assistem a curtas e longa-metragens.

Financiado através de crowdfunding – uma espécie de vaquinha virtual, organizada através de redes sociais –, o Festival BaixoCentro complementou seu orçamento (cerca de R$ 30 mil) com um leilão de obras de arte, realizado na semana passada. Obras de artistas famosos como Guto Lacaz e de desconhecidos do grande público foram todas vendidas por preços a partir de R$ 200.

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Quanto ao monitoramento do governo ou da prefeitura sobre as atividades que tomarão o Centro durante dez dias, Pretti afirma: “Não pedimos permissão. Acreditamos que as ruas são um espaço público aberto a qualquer tipo de manifestação artística ou cultural. Claro que vamos obedecer a algumas normas de convivência. Nosso objetivo não é testar o poder afirmativo do governo”.

A organização, no entanto, teve de pedir permissão à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para, no dia 31 de março, montar uma tenda com espaço para shows e espetáculos teatrais, na Praça Marechal Deodoro. “Nosso propósito é apenas lembrar que as pessoas não precisam ficar presas em seus apartamentos. Que elas podem colocar cadeiras na calçada e conversar enquanto ouvem música. Isso não é um crime, mas parece estar em vias de se tornar. Estamos perdendo nosso direito à cidade.”

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Fonte: VEJA SÃO PAULO