Transporte

Colisão na Linha 3 engorda a lista de problemas recentes do metrô

O choque desta semana provocou momentos de pânico entre os passageiros

Por: Carolina Giovanelli e Pedro Henrique Araújo

Acidente - Linha 3 - 2270
Cena do acidente da última quarta (16), na Zona Leste: 49 pessoas foram socorridas pelo resgate (Foto: Joel Silva/Folhapress)

Às 9h50 da manhã da última quarta (16), as pessoas que circulavam num trem do metrô pela Linha 3 – Vermelha, da Zona Leste para o centro, tomaram um grande susto. Entre as estações Penha e Carrão, o carro se chocou contra outra composição, que estava vazia e parada à sua frente. Após a batida, muitos passageiros caíram no chão e houve momentos de pânico. Em meio a choros e gritos, alguns tentaram escapar pelas janelas e acabaram se cortando. Os demais tiveram de esperar pelo socorro. “Como as portas de emergência demoraram a abrir, ficamos presos por quarenta minutos”, conta o chef de cozinha Jorge Wilson Ferreira, de 33 anos, que precisou fazer uma tomografia num hospital da região por causa de dores persistentes na parte de trás da cabeça, provocadas por uma batida contra uma barra de metal do vagão. O trabalho de resgate atendeu 49 pessoas, a maior parte delas com ferimentos leves. Na noite do mesmo dia, todas estavam liberadas.

Acidente - Linha 3 - 2270
Depois da batida: os dois trens que colidiram parados na estação (Foto: Alexandre Moreira -Brazil Photo Press)

A hipótese mais provável para o acidente é uma falha no sistema que regula automaticamente a velocidade do carro. Segundo depoimento prestado à polícia pelo maquinista Rogério Fornaza, num trecho em que deveria ocorrer uma redução de velocidade, o trem começou a acelerar, atingindo cerca de 50 quilômetros por hora. Diante da colisão iminente, ele acionou rapidamente o sistema manual de freio. Com isso, embora tenha acontecido a batida, que se deu a apenas 9 quilômetros por hora, o maquinista evitou o que poderia ter se transformado em um desastre muito mais grave. “Acreditamos que tenha ocorrido uma falha técnica, e não humana”, afirma o delegado da Polícia Civil Osvaldo Nico Gonçalves, um dos responsáveis pela investigação. “Em até trinta dias devemos apresentar o laudo completo sobre o ocorrido.”

Nos últimos anos, o metrô paulistano começou a receber um novo pacote de investimentos, depois de um longo período de estagnação. A malha atual possui 74,2 quilômetros de extensão, 64 estações e cinco linhas. Ainda é insuficiente para atender os 11 milhões de habitantes da capital. Mas houve um grande crescimento. Há vinte anos, o metrô tinha 43,4 quilômetros, 41 estações e três linhas. Transportava 2,5 milhões de passageiros por dia. Hoje são 4 milhões. Até 2014 está programada a instalação de mais 27 quilômetros de linhas. Os investimentos no setor crescem para tentar dar conta desse desafio. Somente neste ano, o orçamento saltou de 1,3 bilhão de reais para 4,9 bilhões de reais.

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Falhas sucessivas no sistema do metrô e da CPTM, porém, como a ocorrida na quarta-feira, embora nenhuma delas tenha causado vítimas fatais em uma cidade na qual morrem 1.360 pessoas por ano em acidentes de trânsito, acenderam um sinal de alerta. Em fevereiro, por exemplo, uma locomotiva de manutenção colidiu com um trem na Linha 7 – Rubi, deixando 38 feridos. Houve outras panes, que causaram atrasos e desconforto aos passageiros. Desde janeiro, já foram registradas 37 ocorrências.

Acidente - Linha 3 -  Metrô cheio - 2270
A Estação Sé às 18 horas da quarta (16): aperto com o crescimento de 33% no número de passageiros nos últimos cinco anos (Foto: Epitacio Pessoa/AE)

Outro problema é a superlotação nos horários de pico, pois as novas linhas atraíram um número maior de passageiros, que trocaram os ônibus pelo metrô. Nas redes sociais, muitos usuários fazem reclamações, divulgando fotos e vídeos do aperto. “Além de colocarem mais composições, diminuindo o intervalo entre os trens, deveriam criar incentivos para as pessoas fugirem dos momentos de maior procura”, sugere Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego e transportes.

De 2007 para cá, o movimento do metrô cresceu 33%. No mesmo período, os trens da CPTM registraram um crescimento de 80% no fluxo. O choque entre as duas composições ocorreu justamente na linha mais importante da cidade. Por ela passa diariamente 1,5 milhão de pessoas. “Considerando o público que recebe, o sistema tem poucos problemas”, afirma Jurandir Fernandes, secretário dos Transportes Metropolitanos. Para ele, eventuais falhas serão corrigidas e não há motivo para os paulistanos desconfiarem das condições do metrô. “O último acidente fatal foi registrado em 2001. Isso demonstra que temos um dos serviços mais seguros do mundo.”

Sustos no sistema

Falhas que afetaram trens e metrô desde o começo do ano

15/2 Linha 7 – Rubi da CPTM

Ocorrido: Uma locomotiva de manutenção colidiu com um trem, deixando 38 feridos

29/2 Linha 4 – Amarela do metrô

Ocorrido: Uma pane elétrica paralisou todas as estações por quarenta minutos

14/3 Linhas 3 – Vermelha; 1 – Azul do metrô; Linha 9 – Esmeralda da CPTM

Ocorrido: Problemas no sistema pneumático, de tração e de energia fizeram com que as composições circulassem com velocidade reduzida: 195 000 pessoas foram afetadas

29/3 Linha 7 – Rubi da CPTM

Ocorrido: A paralisação de toda a linha devido a uma pane elétrica causou revolta e depredação da Estação Francisco Morato

24/4 Linha 3 – Vermelha do metrô

Ocorrido: Uma falha no sistema de tração acarretou acúmulo de passageiros nas plataformas e trânsito lento

Fonte: VEJA SÃO PAULO