O diretor espanhol confirma aqui suas vocações: ser um exímio contador de histórias e fazer cinema como um eterno apaixonado por seu trabalho. Talvez seu novo drama, para brilhar mais, pudesse ganhar cortes de uns quinze minutos na parte final. Também funcionam razoavelmente alguns desenlaces excessivamente melodramáticos. A trama, porém, flui muito bem. Há momentos que chegam a empolgar e uma engenhosa autorreferência, sobretudo na explícita evocação de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. A história se passa em duas épocas. No início dos anos 80, o rico empresário Ernesto Martel (José Luiz Gómez) se casa com Lena (Penélope), sua secretária bem mais jovem e por quem nutre uma paixão obsessiva. Como quer ser atriz, a moça faz um teste e é convidada a estrelar um filme do cineasta Mateo Blanco (Lluís Homar) — que será bancado por seu marido. Nos dias atuais, Mateo, cego, virou o recluso roteirista Harry Caine. A pedido de seu jovem assistente (papel de Tamar Novas), ele rememora o turbilhão de emoções que atravessou no passado por causa de Lena.
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