VEJA São Paulo

Walcyr Carrasco
  • PAPO NA HEBRAICA

    Postado em 29/08/2011 às 22:56 por Walcyr Carrasco | 12 comentários

    Estive domingo na Hebraica. Participei de um painel sobre como o judeu é visto no mundo atual, junto com a atriz Ana Lúcia Torre e o escritor e especialista em Educação Gustavo Ioschpe . O debate, com participação da platéia, foi vibrante. Mesmo porque Ioschpe, judeu, contou que estudou quatro anos em uma escola judaica e não acha que foi a melhor coisa de sua vida. Os ânimos se incendiaram. Inclusive porque estavam presentes algumas educadoras judaicas. Eu não dei muito palpite sobre esse tema, do qual conheço muito pouco. Como sempre, defendi a integração. Estudei em um colégio experimental, que unia alunos de vários credos e classes sociais. Foi uma experiência riquíssima, que me marcou até hoje.

    E aí vem a história bonita que tenho pra contar. Cheguei a São Paulo aos 15 anos e fui estudar no Colégio de Aplicação, que ficou na História por seus métodos de ensino avançados. E pela primeira vez conheci judeus. Uma das alunas, a primeira judia que conheci, era a Beatriz Farkas, hoje Bilteman.

    Pois bem: um instante antes de começar o papo, recebi um torpedo da Bia. Estava a caminho! Dali a pouco chegou com o Flávio, seu marido. Eu não podia começar a conversa de outra maneira. Falei da minha relação com a Bia, uma amizade que já dura mais de quarenta anos!

    Achei incrivelmente simbólica a presença da Bia no meu bate papo na Hebraica. É nesses momentos em que sinto que a vida é uma continuidade! E também, francamente, senti-me orgulhos. Num mundo em que as relações são tão rápidas, é incrível ter uma amiga há tanto tempo. Daqui a pouco completaremos meio século de amizade. É pouco?

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  • HISTÓRIAS DE MISTÉRIO

    Postado em 25/08/2011 às 23:33 por Walcyr Carrasco | 10 comentários

    Quando eu era adolescente, tornei-me fã da escritora Lygia Fagundes Telles. Então, dá pra imaginar o meu orgulho por ter me tornado amigo dela. E minha autoestima chegou ao máximo ao descobrir que ela é fã da minha novela Morde&Assopra! Dia desses ela me enviou um de seus livros, Histórias de Mistério. Inflei ao ler a dedicatória onde usou a palavra “admiração”. Tudo bem, podem me chamar de exibido. Sou, não nego!

    Eu já havia lido os contos, anteriormente, agora reunidos nessa antologia, de mistérios. São incríveis. “As Formigas” é de arrepiar, com o esqueleto de um anão se formando aos poucos diante de duas estudantes no sótão de uma pensão. E o último, “Onde Estiveste de Noite?” narra sua experiência pessoal, autêntica, ao perceber, através da visita de uma andorinha num quarto de hotel que sua amiga, a escritora Clarice Lispector morrera.

    O livro é pequeno, simples, muito bem ilustrado. E muuuito bom. Impossível parar de ler. Liguei para Lygia para agradecer. Falei dos contos, ela da novela. E dali a pouco comentei:

    – Lygia, se você fosse uma escritora americana seria rica, com esses contos.

    Ela riu do outro lado:

    – Ah, mas aqui é muito diferente. Nem te conto!

    Ri também. Escritor de livros no Brasil sofre!

    Mas juro. Bastava ter escrito só esses contos de mistério para, num país como os Estados Unidos, Lygia ter se tornado um bestseeler.

    Já teria comprado uma ilha.

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  • UMA HISTÓRIA PAULISTA

    Postado em 21/08/2011 às 23:20 por Walcyr Carrasco | 3 comentários

    Hoje almocei no restaurante Piselli, nos Jardins, em São Paulo. Estava lotado. Cheguei depois das 15 horas e esperei meia hora por uma mesa. Não parava de chegar gente!

    O cardápio de pratos italianos é ótimo. As porções generosas, excelentes para gulosos. De entrada, pedi um creme de cogumelos com creme de trufas. Espesso, saboroso, no ponto. Depois, uma bisteca à Fiorentina. Para quem gosta de se fartar e não conhece o prato, uma dica: a bisteca sempre vem enorme! Mas eu a ataquei com minha faca, como se estivesse cometendo um assassinato! E que delícia!

    A certa altura, Juscelino Pereira, o dono do restaurante, veio até minha mesa. Nós nos conhecemos de longa data. Eu o elogiei. Ele declarou com um sorriso:

    – Estou muito satisfeito com a casa.

    Eu conheci Juscelino quando era maître de outro bom restaurante, o Gero.  Há mais de sete anos, me confidenciou:

    – Eu vou sair daqui e abrir meu próprio restaurante.

    Achei que era loucura. Como conseguiria? Eu gosto de dar palpite na vida das pessoas, mas daquela vez me contive. Ainda bem. Teria dito para ele não arriscar. Juscelino arriscou e se deu bem. Confiou em si mesmo e montou uma casa de primeiro nível.  Hoje, comentei com ele:

    – Lembro de quando você contou que ia abrir o restaurante. E, agora, que sucesso!

    Eu fico entusiasmado com histórias como essa. Histórias de gente que batalha, arrisca e dá certo. Cava as oportunidades da vida. É bom saber que na nossa sociedade ainda há espaço para o empenho e a criatividade.

    Só um detalhe: o rosto de Juscelino está bem mais cheio do que na época em que era maître. Sucesso engorda!

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  • A VITÓRIA DE XUXA

    Postado em 17/08/2011 às 22:26 por Walcyr Carrasco | 29 comentários

    Xuxa acaba de ganhar um processo contra a TV Bandeirantes, que exibiu fotos da apresentadora nua, em um programa há alguns anos. A rede de TV ainda pode recorrer. Nós todos sabemos que o valor ganho por Xuxa ( 1 milhão de reais por danos morais e 100 mil reais pelos materiais) é pequeno diante de seu patrimônio. Mas, com todo o respeito aos profissionais da televisão, considero a vitória de Xuxa simbólica.

    Quando alguém faz fotos ou vídeos para revistas ou televisão, costuma assinar uma cessão de direitos de imagem. Se há um objetivo comercial, a cessão costuma ser acompanhada de um contrato que especifica onde e quando podem ser mostradas.  Quando eu escrevo um texto, é o mesmo. Faço um contrato. Não só para preservar a mim mesmo. Mas também a empresa que investiu dinheiro no meu trabalho e espera lucrar com ele. Mas, nos últimos tempos, principalmente com a internet, tudo isso virou uma loucura.

    Se uma atriz ou ator deu um escorregãozinho na vida, seja qual for, fica registrado para sempre. E, quanto mais famosa fica a pessoa, mais sites vão expô-la. Esse nem mesmo é o caso de Xuxa. Eu me lembro quando ela começou a carreira, como modelo. Fez um filme ousado, mas de um grande diretor — Walter Hugo Khoury, já falecido.  As pessoas parecem se esquecer disso. Volta e meia as imagens desse filme aparecem em algum site, com comentários.

    Xuxa já era famosa como modelo e atriz quando resolveu se dedicar aos baixinhos. Mudou o rumo de sua carreira e deu muito certo. Será que não tem direito de fazer isso? Tem que ser eternamente atormentada pelo que fez no início de carreira, como se fosse alguma coisa errada? Sendo que só posou para revistas importantes no mercado editorial e em cinema, como disse, trabalhou ao lado de Tarcísio Meira?

    E outros atrizes e atores não podem fazer o mesmo? Buscar novos caminhos? Reconheço: casos assim na televisão são muito raros. Mas a internet virou uma terra de ninguém, onde as pessoas , principalmente as famosas, são exploradas e usadas de forma mesquinha.

    Às vezes não tem importância. Já encontrei textos meus divulgados na rede e até gostei. São textos já publicados anteriormente, a maioria na VEJA SÃO PAULO.  Mas início de carreira claudicante, fotos sensuais e mentiras sobre o caráter das pessoas rodam na internet. Ficam guardados para sempre e a qualquer momento podem ser trazidos à tona.

    Por isso, digo que a vitória de Xuxa é simbólica. Acredito que, no decorrer dos próximos anos, processos contra a exibição sem autorização na TV e na internet vão se tornar cada vez mais frequentes. Talvez só com a intervenção da lei, pura e simplesmente, as pessoas sejam respeitadas.

    E ninguém venha levantar a bandeira da liberdade de expressão. Não é de expressão que estou falando. Mas do uso de imagens de uso restrito por contrato, comentários íntimos e invenções sobre a vida alheia que ficam registradas, à disposição de quem quiser.

    É preciso ter coragem para lutar pelos seus direitos. Parabéns, Xuxa!

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  • A CORAGEM DE GIANECCHINI

    Postado em 14/08/2011 às 18:24 por Walcyr Carrasco | 11 comentários

    Hesitei antes de escrever sobre a enfermidade de Reynaldo Gianecchini. Os detalhes médicos estão sendo amplamente divulgados pelos jornais e revistas. Mas desde o começo eu sentia que havia algo a dizer. E só agora, depois de uma tarde de domingo tranquila, encontrei as palavras certas.

    Cresci num ambiente onde as pessoas não gostavam de confessar as doenças. Ou pelo menos, amenizavam. Ninguém falava em câncer, por exemplo. Era pior que dizer palavrão.  Minha família teve muitos casos de câncer.  Em casa, mamãe falava que a pessoa estava com “aquele problema”. E na hora de falar, abaixava a voz como se comentasse um segredo. Durante toda a minha vida, percebi que as pessoas se relacionam com doenças como se fosse um erro pessoal, um defeito a ser escondido. Já ouvi inúmeras vezes a frase: “Olha, fulano tá com isso e aquilo, mas não conta para ninguém”.

    Eu já convivi com pessoas muito doentes.  Na minha opinião, as que negam seu estado real, vão embora mais depressa. Saúde não é algo que se finge. Ainda mais para si próprio. Ao contrário, quem fala francamente sobre suas enfermidades, no meu modesto modo de ver, pois não sou médico nem terapeuta, vive mais e melhor.  Bem, é mais fácil enfrentar um inimigo para o qual a gente olha diretamente, sem medo. Pelo menos é o que eu acho.

    Gianecchini, com quem trabalhei duas vezes, a última delas na novela “Sete Pecados”, é agradável, simpático e bom de conversar. Também é um ator que evolui a cada trabalho. Mesmo assim, me surpreendeu sua atitude em falar abertamente sobre a doença. Isso não é para qualquer um. Ainda mais sendo famoso. É preciso muita coragem para assumir um câncer diante de todo o país. E isso estando internado ainda, à espera de diagnósticos específicos que indicarão o tratamento adequado.

    A coragem é o primeiro passo para enfrentar a doença. Dou os parabéns a Gianecchini. Há algum tempo estudei Cabala e meu professor falava em atitude proativa.  A grosso modo, “proativa”  seria o mesmo que “construtiva” em linguagem não esotérica. As pessoas com atitudes proativas diante dos problemas têm resultados mais consistentes. A atitude de Gianecchini é o primeiro e decisivo passo para se sair bem no tratamento que virá.

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  • VISITA AO PROJAC

    Postado em 11/08/2011 às 23:08 por Walcyr Carrasco | 13 comentários

    Hoje estive no Projac. Fui visitar meus amigos da novela Morde & Assopra, no estúdio, durante as gravações. Encontrei Jandira Martini (Salomé) e Vera Mancini (Cleonice). As duas estão entusiasmadíssimas porque contei uma novidade da novela para elas. Conto ou não conto aqui no blog? Humm…bem, em algum momento Salomé ficará pobre e Cleonice, rica!

    Cruzei também com Klebber Toledo (Guilherme). Ele me enviou recentemente um e-mail belíssimo falando como trabalhar esse personagem mexeu com ele ao nível íntimo, pessoal. Para um autor, é muito gratificante ouvir essas palavras de um ator. Mostra que o nosso trabalho, o meu e o dele, foi profundo.

    E, sim, cruzei com Sérgio Marone (Marcos). Para quem não sabe, ele está me devendo um jantar. Faz mais de um ano. A situação foi a seguinte: ele me convidou para jantar no restaurante Tailandês. Na hora H, paguei a conta. E ele prometeu pagar a próxima. Faz mais de um ano… hoje ele veio com a história de que me pagará um crepe. Hummm…achei um crepe pouco depois de um ano.

    Também cruzei com o Mateus Solano. Ele havia prometido me levar dois charutos dominicanos maravilhosos de presente. Quando me viu, ergueu os braços.

    – Esqueci!

    Bem, os charutos estão guardados, afirma o Mateus. Também encontrei o Joaquim (Josué), que tem formação de chef. Ele e a Paola, sua mulher, convidaram a mim e ao padre Fábio de Melo para um jantar na casa deles. Ainda estou tentando marcar. Ih…

    Bem, depois de tudo isso, a Vanessa Giácomo (Celeste) perguntou se eu tinha ido ao Projac visitar os amigos ou fazer cobranças. Eu também não sei não…

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  • LIVROS, CRIANÇAS E…

    Postado em 09/08/2011 às 22:14 por Walcyr Carrasco | 5 comentários

    Aqui estou, dando palestra!

    Estive, devidamente acompanhado de minha barriga, dando uma palestra no Salão do Livro de São Bernardo do Campo. A Secretaria de Educação do Municipio convidou a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para organização o salão, que tem recebido cerca de 8 mil crianças por dia!

    Ao chegar, senti uma emoção especial. O Salão foi montado dentro dos antigos estúdios da Vera Cruz, primeira companhia cinematográfica brasileira, criada nos moldes dos estúdios de Hollywood. No passado, grandes produções sairam de lá: entre elas, os filmes de Mazzaroppi em determinada fase, e dramáticos, com Tônia Carrero ainda bem mocinha e Eliane Lage, que deixou a carreira. Os filmes da Vera Cruz marcaram época por se tratarem de uma real tentativa de criar uma indústria do cinema nacional.

    Então, eu andava pelo Salão e pensava nos artistas que passaram pelo mesmo lugar no passado!

    O espaço da minha palestra estava lotado de crianças e adultos. Falei das minhas obras de Literatura  Infanto-Juvenil.  Tenho bem uns sessenta livros publicados, adotados em escolas de todo o país há muitos anos. Mas sou mais conhecido como autor de novelas. Gosto demais de escrever para crianças. Sinto uma emoção especial, meu lado menino fala mais alto.

    Ter um contato direto com o público durante uma palestra sempre é bom. Respondo perguntas, dou palpites. Estabeleço uma ponte que une Literatura, TV e tudo mais!

    Hummmmm…. mas vocês devem estar se perguntando o que é o  E… do título. Tem uma coisa que estou sabendo de que ninguém falou. E não é certeza. Mas é uma boa possibilidade.

    O ex presidente Lula tem a intenção de ir ao Salão nesta sexta-feira. E se for, vai ler uma história para as crianças.  Quem sabe para os netinhos!

    É algo que Lula nunca fez durante a presidência. Estou doido para que aconteça. Sem dúvida, vai incentivar o hábito da leitura entre a criançada.

    E eu pelo menos acabo de incentivar um batalhão de jornalistas a sair correndo atrás da assessoria de Lula para confirmar a possibilidade e fotografar!

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  • O CASAMENTO DE ELIZABETH SAVALLA

    Postado em 04/08/2011 às 21:54 por Walcyr Carrasco | 8 comentários

    A minha amiga Elizabeth Savalla, a “Minerva” de “Morde & Assopra” casou-se! E ninguém ficou sabendo! A Savalla (é assim que a chamamos, carinhosamente), casou-se dia 23 de julho passado com o empresário Camilo Attila, seu namorado há 25 anos. Segundo diz Savalla, “entre primaveras e tsunamis, lá se foram 25 anos!” E complementa: “depois de tanto tempo de namoro, já estava na hora de casar, não?”

    A cerimônia foi na Igreja Messianica, no Rio de Janeiro, que Savalla frequenta desde 1974. O casamento foi assim: primeiro entrou o noivo, com a neta Valentina, 6 meses nos braços. Depois os quatro filhos de Savalla de seu primeiro matrimônio, com o ator Marcelo Picchi: Tiago, Diogo, Cyro e Tadeu. Em seguida, Savalla, de braços com seu pai, Francisco, de 87 anos. Suspeito que o pai estava muito contente por desencalhar a filha, depois de tanto tempo de namoro! Hehe!

    No altar, de acordo com a tradição messiânica, frutas, verduras, peixe, batatas, maçãs. Enfim, tudo que vem da terra: “e que nós agradecemos”, conta Savalla.

    Ela tem 56 anos, ele 66. Mesmo assim a relação é bem moderna. Não vão morar juntos. Cada um manterá seu endereço. “Mas estamos mais unidos do que nunca” — alegra-se minha amiga Savalla.

    Bonito, não?

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  • ORGULHO HÉTERO

    Postado em 02/08/2011 às 22:10 por Walcyr Carrasco | 41 comentários

    Deus do céu, pode haver coisa mais ridícula que a votação do Dia do Orgulho Hétero na Câmara Municipal de São Paulo? Atenção: minha posição não é contra a heterossexualidade! Mas a criação de datas específicas costuma corresponder a critérios históricos. Os negros são prestigiados porque foram escravos e sofrem preconceito e discriminação social até agora. Os gays porque até hoje são alvo de violência e discriminação. Há também o Dia da Mulher que reafirma a conquista dos direitos femininos, após uma longa luta. E até hoje, falando francamente, negros têm menos oportunidades profissionais e mulheres costumam ganhar menos do que homens. Também gays sofrem profissionalmente, além de serem agredidos nas ruas.

    Seria cômico se não fosse trágico. Surge uma espécie de movimento para defender os heterossexuais de supostos privilégios gays. Juro, eu não vejo héteros sendo alvo de chacota por serem héteros. Nem apanhando nas ruas. Ou sofrendo níveis de discriminação profissional. Ainda estou para conhecer um pai ou uma mãe que expulse o filho de casa por ser hetero. Alguém conhece? O vereador Carlos Apolinário defendeu a “moral e bons costumes”. Já repararam que quando alguém quer arrancar votos fala nisso? Mas não explica o que é moral e bons costumes. O deputado, ligado a igrejas protestantes, talvez não esteja entendendo em profundidade a fé cristã. A grande importância de Cristo, no plano das ideias, da ética e da fé, foi justamente transformar a visão de “olho por olho, dente por dente”, do Velho Testamento, em “amai o próximo como a ti mesmo”, do Novo. A humanidade deu um grande passo do ponto de vista ético, com o Cristianismo, pois Cristo trouxe a religião do perdão em contraposição à do confronto.

    Bom costume para mim é, justamente, ter uma visão cristã da vida. Moral é viver de acordo com princípios éticos.

    Mas o que o vereador propõe? O confronto. Sua obsessão, aliás, são os gays. Já fez um projeto contra a Parada Gay. Já foi, como deputado, contra a PL122, projeto de lei pelos direitos homossexuais. Agora conseguiu passar esse Dia do Orgulho Hétero.

    Tudo bem. Se houver a Parada do Orgulho Hétero, vou com prazer. Como será? Com caminhões de mulatas sambando? Não, não, o vereador é religioso. Será uma passeata de casais bem formais, eles de terno e gravata, elas de vestidinho sem decote? Tudo bem careta? Epa! Mas aí não vai ser a Parada do Orgulho Hétero. Mas o dia da posição “Papai e Mamãe”. Gente, ser hétero não é ser careta! Muito pelo contrário!

    No final de contas, cada vez que eu vejo uma coisa dessas, olho para a foto de quem propôs. No caso, o vereador Carlos Apolinário. E penso:

    — Por que esse tipo de projeto sempre é inventado por gente feia?

    Acho que os bonitos e as bonitas estão se divertindo!

    Vamos lá, Kassab, agora só depende da sua sanção!

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  • A MORTE DE VITOR GURMAN

    Postado em 31/07/2011 às 20:53 por Walcyr Carrasco | 28 comentários

    A homenagem prestada por amigos e parentes a Vitor Gurman neste fim de semana me emocionou. Vestidos de brancos e com velas acesas nas mãos, caminharam pelo bairro da Vila Madalena. O que pedem? Justiça, simplesmente, no caso do jovem administrador de empresas de 24 anos atropelado por uma Land Rover blindada dirigida pela nutricionista Gabriella Guerrero Pereira,28, de madrugada, na rua Natingui, na mesma Vila Madalena onde foi prestada a homenagem.

    A morte de um jovem com a vida toda pela frente emociona a gente. Suspeita-se que Gabriella estava alcoolizada ao perder o controle da Land Rover. E nasce uma pergunta dentro do meu coração:

    – Como isso pode acontecer?  Como?

    Eu imagino o desespero dos pais, dos amigos mais próximos. Perder um ente querido dessa maneira, sem explicação, enquanto ele caminhava tranquilamente para casa, é doloroso demais.

    Mas hoje abro a internet e vejo: na madrugada de sábado, muitos acidentes em São Paulo. Vi fotos de carros batidos em Itaquera, Bairro do Limão, Butantã e Casa Verde. Carros destruídos. Dos motoristas e passageiros não sei. Mas com aquelas batidas… E novamente, volta a mesma sensação de injustiça. Quem estivesse andando na calçada, naquele momentos, sofreria o mesmo destino de Vitor Gurman.

    Eu já falei uma vez aqui, nest blog, sobre a Lei Seca. Volto a falar. Em São Paulo, nunca vi um comando nas ruas para averiguar a possível embriaguez de motoristas. No Rio de Janeiro, onde vou frequentemente, a Lei Seca funciona. Inclusive em frente do meu apartamento, no Leblon. Com frequência se instalam exatamente em frente a minha sacada. E vejo durante a noite os carros sendo parados, motoristas fazendo o teste do bafometro. É claro que os comandos mudam de local. Motoristas devem ser pegos de surpresa. O mundo de ser autuado reprime alcoolizados ao volante. Tenho amigos que gostam de beber. Ultimamente, quando jantamos fora ou eles ficam no refrigerante ou, se bebem, entregam as chaves para quem não bebe. A possibilidade de perder a carteira assusta. A Lei Seca é chata, sem dúvida.  Não poder beber ao sair com amigos é chatíssimo. Mas vivemos em comunidade. É preciso respeitar os direitos alheios. O direito à vida é o principal deles.

    O Land Rover que matou Vitor Gurman tinha 25 multas. É justo?

    Quem bebe acha que “tudo bem”. Que consegue dirigir. Já vi gente caindo em pé e garantindo que poderia dirigir numa boa. Beber e dirigir é um risco para si próprio. E para os outros, mais ainda.

    Desde o começo da Lei Seca mortes no trânsito ligadas a embriaguez cairam 6,2 por cento no Brasil. No Rio de Janeiro, estado campeão, 32 por cento. Em São Paulo, onde a Lei Seca “não pegou” por absoluto descaso das autoridades, só 6,5.

    É preciso dizer mais alguma coisa?

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