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Oncologista lista os tipos mais comuns de câncer no Brasil

O Dia Mundial do Combate ao Câncer busca aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença

Por Maria Alice Prado 4 fev 2021, 10h46

O Dia Mundial do Combate ao Câncer acontece anualmente no dia 4 de fevereiro. A iniciativa global é organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). A data, criada em 2000 por meio da Carta de Paris contra o câncer, busca aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença. O objetivo das organizações é mobilizar os governos e a população para que tomem medidas para o controle do câncer. Números da incidência da doença no Brasil, divulgados pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), revelam a importância da movimentação. Apenas em 2018, o câncer de pulmão matou 16.371 homens e 12.346 mulheres no Brasil — é o câncer mais letal no país. 

Apesar disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou nesta terça-feira (2) que o câncer de mama ultrapassou o de pulmão e se tornou o mais incidente no mundo. Andre Ilbawi, especialista em câncer da OMS, em entrevista coletiva na sede da instituição, relatou que à medida que a população global cresce e a expectativa de vida aumenta, o câncer de mama deve se tornar mais comum. À VEJA São Paulo, o médico oncologista Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas e único brasileiro premiado pela ASCO (American Society of Clinical Oncology), fala sobre os tipos mais incidentes de câncer no Brasil e qual a melhor forma de preveni-los. 

Câncer de mama

O oncologista alerta que a incidência do câncer de mama vem crescendo mundialmente de forma muito marcante. “O que se acredita que está levando a esse aumento são os hábitos de vida não saudáveis”, explica. Segundo o INCA, entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas que não a genética, como o estilo de vida. “O câncer de mama está relacionado principalmente a fatores de dieta, como a obesidade”, alerta o Ferreira. 

A prevenção do câncer de mama, além da mamografia anual para todas as mulheres a partir dos 50 anos de idade, deve ter foco também no controle de peso. No entanto, o médico relata que o câncer de mama é muito curável quando diagnosticado precocemente. Na maioria dos casos, o tratamento é feito por meio de cirurgia, que, segundo o médico, tem se tornado menos mutilante. “Quanto mais cedo você diagnosticar qualquer câncer, maiores são as chances de cura”, explica. 

Câncer de próstata

O câncer de próstata é o segundo mais incidente no Brasil, segundo o INCA. O oncologista explica que um dos fatores para a alta taxa de ocorrência da doença é a idade da população. “O câncer de próstata está relacionado ao hormônio masculino e, à medida que a população se torna mais longeva, a tendência é que o câncer de próstata se torne mais comum”, comenta. “Não existe um fator de risco específico para a incidência da doença”. Ele informa que existem subpopulações que possuem fatores genéticos pré-determinados, mas, no geral, o câncer de próstata está diretamente relacionado com a idade.

Para prevenir o câncer de próstata, é recomendado a todos os indivíduos que possuem a glândula acima de 50 anos a terem consultas com um urologista. Assim, o médico vai determinar com que frequência o indivíduo deve realizar os exames, como o de toque retal. “Com o tratamento sendo realizado precocemente, por meio de cirurgia, a doença possui uma alta taxa de curabilidade”, explica Ferreira. Os pacientes que, por algum motivo, não podem ser tratados com cirurgia, possuem a opção de tratamento por radioterapia. O médico alerta ainda que mesmo para os pacientes que descobrirem o tumor após sua fase inicial, ainda há grandes chances de cura. 

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Câncer de pulmão 

Há causas que explicam porque o câncer de pulmão é o mais letal no Brasil: o diagnóstico precoce é feito com menos frequência. “É muito comum diagnosticar um câncer de pulmão já em um estado muito avançado. E é um câncer que tem uma taxa de mortalidade muito alta — a gente costuma dizer que o índice é muito próximo da taxa de incidência”, explica Ferreira. O médico diz que uma das causas da baixa taxa de cura se dá porque 80% dos pacientes diagnosticados são fumantes ou ex-fumantes. Muitos desses indivíduos já possuem algum sintoma respiratório causado pelo cigarro, como tosse, falta de ar, secreção. E, às vezes, o câncer de pulmão também leva aos mesmos sintomas. Assim, o paciente retarda a ida ao médico, já que pensa que são apenas os sintomas do cigarro. 

“Além disso, o câncer de pulmão, pela sua biologia e característica das células, já é mais agressivo que o de mama e o de próstata, por exemplo”, diz o oncologista. O médico conta, no entanto, que já existe uma forma mais efetiva de curabilidade desta doença, que circula há cerca de dez anos em países da Europa. A fim de diminuir a taxa de mortalidade do câncer de pulmão, é utilizado o método de rastreamento. A proposta é que fumantes ou ex-fumantes realizem tomografias preventivas para que se possa adquirir o diagnóstico precoce da doença, logo, resultando em taxas de curabilidade maiores. “A questão no Brasil é que o país ainda não possui a implantação do rastreamento periódico para câncer de pulmão, nem no sistema de saúde público e nem no privado”, comenta. 

Câncer colorretal 

O câncer colorretal, apesar do nome não tão comum, é muito frequente no Brasil. É o segundo câncer mais incidente em homens e em mulheres. Este tipo de câncer engloba os tumores que cercam um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. A doença está ligada principalmente a fatores ambientais, ou seja, realizados pelo próprio indivíduo: obesidade, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo, por exemplo. O médico explica que, assim como o câncer de mama, portanto, o câncer colorretal pode ser prevenido se o indivíduo possuir hábitos de vida saudáveis. O câncer colorretal é diagnosticado precocemente por meio de colonoscopia. O exame é recomendado para todos os indivíduos a partir dos 50 anos de idade. “Se o tumor for diagnosticado em sua fase inicial, ele é totalmente curável”, explica o oncologista. 

“Desafio 21 dias para a mudança”

No mês de fevereiro, o INCA resolveu convidar a população para adotar hábitos de vida mais saudáveis, a fim de combater a incidência do câncer no Brasil. A iniciativa faz parte do encerramento do tema “Eu sou, eu vou”, da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC, na sigla em inglês), que por três anos buscou difundir a ideia de que os indivíduos podem reduzir o impacto do câncer no mundo. Na data que marca o Dia Mundial do Câncer 2021, 4 de fevereiro, o instituto propõe o “Desafio 21 dias para a mudança”, que tem como objetivo mostrar como alcançar um futuro mais saudável.

O Portal INCA vai divulgar metas diárias para influenciar e melhorar a saúde física, mental e emocional da população. “É uma campanha super importante para a população. O melhor trabalho que a gente pode fazer para o controle de câncer é a adoção de hábitos de vida mais saudáveis. A prática de exercícios físicos, controle do peso e redução da obesidade, do tabagismo e do uso álcool são as metas principais dentre deles”, adverte o Dr. Carlos Gil Ferreira. O oncologista finaliza dizendo que a iniciativa é muito bem-vinda e a expectativa é que ela tenha um impacto no curto, médio e longo prazo.

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