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Morre o coreógrafo Ismael Ivo, vítima da Covid-19

Ex-diretor do Balé da Cidade de São Paulo estava internado há cerca de um mês no Hospital Sírio Libanês

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 8 abr 2021, 23h57 - Publicado em 8 abr 2021, 22h42

Ismael Ivo, coreógrafo de 66 anos, morreu nesta quinta-feira (8) vítima da Covid-19. Ele foi diretor do Balé da Cidade de São Paulo e diretor da área de dança da Bienal de Veneza. De acordo com um amigo próximo do artista, Ivo estava internado no Hospital Sírio Libanês há cerca de um mês e chegou a ser intubado por complicações da doença. Em postagem no perfil de Ismael, a família confirmou a informação.

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O governador João Doria lamentou a perda de um dos maiores nomes da dança no Brasil. “O Brasil perdeu hoje Ismael Ivo, um dos maiores coreógrafos contemporâneos. Ismael foi diretor da Bienal de Veneza, do Balé da Cidade, e o primeiro estrangeiro a dirigir o Teatro Nacional Alemão. Era um amigo querido. Muito triste. Minha solidariedade aos familiares”, disse.

Alê Youssef, secretário municipal de Cultura, também postou em suas redes sociais uma homenagem ao coreógrafo.

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Trajetória

Ismael Ivo nasceu em 1955 na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo. Começou a se interessar pela dança ainda na adolescência e conseguiu bolsas de estudo em escolas. Nos anos 70, integrou o corpo do Teatro de Dança Galpão e teve contato com grandes nomes da área. 

Conheceu o renomado coreógrafo norte-americano Alvin Ailey durante uma apresentação em 1983, na Bahia. Admirado, Ailey abriu os caminhos para a carreira internacional de Ivo, que se mudou para o exterior.

Ele foi co-fundador do festival de dança contemporânea ImPulsTanz em Viena, um dos maiores festivais de dança da Europa. Lá, trabalhou com nomes como Pina Bausch, William Forsythe e Marina Abramovic. 

Orgulhava-se de ter sido o primeiro negro a dirigir o Teatro Nacional Alemão. Em 2017, retornou ao Brasil para dirigir o Balé da Cidade de São Paulo. Sua estada à frente da companhia foi turbulenta: membros do balé o acusaram de assédio. Ele foi desligado em novembro de 2020.

À Vejinha, ele disse: “Minha carreira artística e profissional é imaculada. No mundo todo, por onde passei, sempre respeitei e fui respeitado como ser humano e como artista.

Manchar minha imagem tornou-se uma verdadeira obsessão. Tanto que mesmo após eu ter sido inocentado pela comissão especial continuo sendo atacado e impedido de retornar ao cargo que ocupava.”

 

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