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Em julho, São Paulo recebe a segunda montagem brasileira de West Side Story

"Esperei minha carreira toda para este momento", disse o ator Beto Sargentelli, que interpreta Tony, à Vejinha; estreia será na próxima sexta-feira (8)

Por Tomás Novaes Atualizado em 30 jun 2022, 17h32 - Publicado em 1 jul 2022, 06h00

Um divisor de águas. É assim que o tradutor mineiro Claudio Botelho enxerga West Side Story, peça que ganha, a partir de sexta (8), sua segunda montagem na cidade. A primeira rolou em 2008, no Teatro Alfa, em Santo Amaro, com 100 apresentações do clássico de Leonard Bernstein, estreado na Broadway em 1957.

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Capitaneada desta vez pelo diretor paulista Charles Möeller e por Botelho, que também assinou a adaptação das letras de Stephen Sondheim naquela versão nacional, a edição atual chega catorze anos depois ao palco do Teatro São Pedro, na Barra Funda, com 25 récitas. “Costumo dizer que a gente faz teatro musical porque um dia a gente viu West Side Story. É um espetáculo significativo para quem trabalha no segmento”, reforça um Botelho entusiasmado.

Imagem mostra cinco pessoas em pé. Duas, um homem e uma mulher, aparecem abraçados ao centro
Os protagonistas: abraçados, Giulia Nadruz como Maria e Beto Sargentelli como Tony. Heloísa Bortz/Divulgação

Trata-se de um Romeu e Julieta nova-iorquino ambientado no bairro pobre de Upper West Side. Narra a história de Tony e Maria, membros de gangues rivais que se apaixonam e acirram a disputa entre os Jets, americanos, e os Sharks, imigrantes porto-riquenhos. O romance ganhou duas adaptações para o cinema: a primeira em 1961, premiada com dez Oscar, incluindo os de melhor filme e melhor direção para o cineasta Robert Wise, e outra em 2021, dirigida por Steven Spielberg, remake que faz jus ao clássico ao mesmo tempo que trouxe frescor à produção, com músicas recontextualizadas e um elenco com atores e atrizes latinos.

A segunda versão em palcos brasileiros também traz novidades. Diferentemente do que ocorreu com a montagem de 2008, a dupla Möeller e Botelho decidiu comprar os direitos da coreografia original de Jerome Robbins e apresentá-la sem alterações no palco do São Pedro. “A coreografia é parte da obra, assim como a música e as letras. Seria quase como você comprar a Bíblia e não comprar algum versículo”, conta Botelho.

Sobre a escolha do elenco, ele se mostra mais que satisfeito com o resultado. “De 2008 pra cá, o elenco de musicais no Brasil evoluiu muito. A gente tem uma equipe que considero impecável, desde os papéis pequenos feitos por profissionais tarimbados e capazes, mesmo jovens. São papéis muito difíceis, a dança é muito difícil”, garante.

Encomendado primeiramente pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro para celebrar o centenário de Bernstein, em 2018, mas que acabou não se concretizando, o projeto encontrou futuro na capital paulista por convite do secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão. O espetáculo estava previsto para estrear em abril de 2020, mas foi interrompido duas semanas antes da estreia.

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“A gente quase morreu na época, de frustração. Porque estava tudo pronto”, diz Botelho. Beto Sargentelli, 30, que interpreta Tony, conta que foi como receber “um balde de água fria” — especialmente se tratando de uma obra tão aclamada e aguardada pelo elenco. “’West Side Story’ acabou sendo um fio de esperança por todo esse processo de pandemia. Sabia que a gente tinha de voltar. Isso nos deu esperança para passar por esse período traumático”, acredita.

Sobre Tony, o ator paulistano conta que sempre foi a “menina dos olhos”. “É um papel dos sonhos, acho que quase todo ator tem esse sonho de interpretá-lo. É muito marcante. Praticamente esperei minha carreira toda para este momento, e vivenciar isso sob direção do Charles e do Claudio, que são grandes apreciadores da obra, é ainda mais especial”, afirma.

O elenco, com 31 nomes, conta ainda com Giulia Nadruz no papel de Maria, Ingrid Gaigher como Anita, André Torquato na pele de Riff e Guilherme Logullo na interpretação de Bernardo. Com acompanhamento da Orquestra do Theatro São Pedro, regida por Cláudio Cruz, o musical permanece em cartaz até o dia 7 de agosto.

> 14 anos (135min). Teatro São Pedro. Rua Barra Funda, 161, Barra Funda, ☎ 3221-7326. → Ter., qui., sex. e sáb., 20h; dom., 17h. De sexta (8) a 7 de agosto. R$ 30,00 a R$ 80,00. FOTOS HELOÍSA BORTZ/DIVULGAÇÃO theatrosaopedro.org.br

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Publicado em VEJA São Paulo de 6 de julho de 2022, edição nº 2796

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