Marin Alsop teimou em assumir a Osesp e fez o elenco brilhar

Este ano marca a despedida da maestrina à frente da sinfônica paulista

Em 2011, a nova-iorquina Marin Alsop, 62, ocupava um posto de destaque no cenário da música erudita: já havia regido algumas das melhores orquestras do mundo, como a Gewandhaus, de Leipzig, a Royal Concertgebouw, de Amsterdã, e a Filarmonica della Scala, de Milão.

No início daquele ano, quando ela recebeu o convite para se tornar a diretora musical da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), seu empresário foi categórico. “Ele me disse: ‘De jeito nenhum, não aceite’ ”, lembra, aos risos. Afinal, quando se pensa em música brasileira lá fora, nosso lugar está mais para Sambódromo do que para Sala São Paulo. “A respeito de sinfônicas, há um preconceito contra a América Latina, mas não pude recusar. Além de talentosos, os profissionais daqui são apaixonantes e tocam com o coração”, explica.

Pois ela teimou, assumiu o cargo em 2012 e levou a Osesp a circuitos respeitáveis internacionais. Sob sua regência, a equipe fez sua estreia na Philharmonie de Berlim, no Royal Festival Hall, de Londres, nos festivais de Lucerna e Edimburgo e na Konzerthaus de Viena.

Marin Alsop, diretora musical da Osesp, é destaque no cenário da música erudita

Marin Alsop, diretora musical da Osesp, é destaque no cenário da música erudita (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Este ano marca a despedida da maestrina à frente da sinfônica paulista, e em 2020 ela se tornará uma regente de honra. Para celebrar, prepara para meados de dezembro uma apresentação especial da Nona Sinfonia de Beethoven. Começará na Sala São Paulo e, depois, deverá viajar para outros países. “A parte cantada aborda amor e tolerância, algo tão raro nestes tempos, especialmente aqui no Brasil e nos Estados Unidos. O compositor Arthur Nestrovski fará a versão para o português e também para outras línguas”, planeja.

Marin concilia a direção da Osesp com a da Orquestra Sinfônica de Baltimore, sob sua batuta desde 2007. Visita a capital paulista periodicamente em temporadas nas quais trabalha doze horas por dia. Nascida e criada em Nova York, hoje a maestrina mora em Baltimore. Desde 1990 é casada com a trompista Kristin Jurkscheit, da Orquestra Sinfônica do Colorado, onde se conheceram. As duas têm um filho, Auden, de 15 anos. “Meus pais e minha mulher são músicos, mas meu filho quer escalar montanhas, vai entender”, brinca. Marin viu sua carreira deslanchar em 1989 ao se tornar a primeira mulher a levar o Koussevitzky Conducting Prize, do Tanglewood Music Center, onde foi aluna do lendário Leonard Bernstein. Uma extensa discografia também lhe rendeu prêmios da famosa revista especializada britânica Gramophone.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 8 de maio de 2019, edição nº 2633.

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