Produtora de grandes turnês mundiais se estabelece na capital

A Live Nation desembarca na cidade, rouba executivo da concorrência e anuncia show inédito

As acomodações estão longe de ser um espetáculo. A sala de 40 metros quadrados em um prédio comercial no Brooklin é uma instalação provisória, emprestada de um escritório de advocacia, assim como a recepcionista que atende os visitantes. A única pista sobre a atividade do local encontra-se em quatro quadros pendurados nas paredes. Pôsteres de Black Sabbath, U2, Aerosmith e Pearl Jam colocam algumas pitadas de rock’n’roll na sóbria pintura de cor branca.

Nesse ambiente modesto está sendo erguido desde o mês passado um negócio que promete não apenas mudar a ordem de forças do mercado do showbiz nacional como também multiplicar a chance de uma constelação de estrelas internacionais cruzar a cidade. Trata-se da filial brasileira da Live Nation, a maior empresa de promoção de apresentações de música do mundo.

“Temos muito a explorar nessa área por aqui”, afirma Alexandre Faria, o profissional escolhido para comandar a empreitada. Antes mesmo da mudança da companhia para um endereço definitivo, as engrenagens já começaram a se movimentar. A marca anunciou recentemente a dobradinha Foo Fighters e Queens of the Stone Age, agendada para fevereiro de 2018, no Allianz Parque. No próximo dia 16, os preços e a data de início das vendas serão divulgados.

O executivo Alexandre Faria: até sertanejo está na mira (Leo Martins/Veja SP)

Presidida pelo canadense Michael Rapino e sediada em Los Angeles, nos Estados Unidos, a Live Nation se faz presente em quarenta países e investe 12 bilhões de reais por ano em eventos. Das 25 turnês mais rentáveis de 2016 na América do Norte, quinze estão sob seu guarda-chuva, incluindo as primeiras colocadas — Beyoncé, com 768 milhões de reais em ingressos vendidos, Bruce Springsteen (765 milhões) e Coldplay (741 milhões). O ranking foi organizado pela Billboard, revista americana que é referência no setor.

Até agora, a Live Nation atuava por aqui por meio de parcerias com promotores locais. Entrou nesse formato, por exemplo, a enorme turnê do U2, nos dias 19, 21, 22 e 25, no Morumbi. Acordo semelhante viabilizou a vinda de John Mayer (18 de outubro; Allianz Parque) e de Bruno Mars (22 e 23 de novembro; Morumbi). Parcerias do tipo vão continuar, mas uma “carreira-solo” desponta no cenário.

Contratado pela Live Nation do Brasil para cuidar das sempre delicadas negociações com bandas, o carioca Alexandre Faria mora em São Paulo há duas décadas. Durante dezessete anos, fez parte da Time for Fun, um dos nomes mais fortes do mercado nacional de shows, com um currículo que inclui os festivais Lollapalooza e Electric Daisy Carnival.

Ou seja, não bastasse o gigante da área aterrissar por aqui, ele chegou tirando da concorrência um dos principais executivos. Faria minimiza o impacto de sua mudança de time. “Foi tudo normal”, jura, encerrando a conversa sobre o tema. Procurado por VEJA SÃO PAULO, Fernando Alterio, responsável pela Time for Fun, profissional conhecido por sua competência e agressividade nos negócios, não quis dar entrevista. A empresa divulgou uma nota na linha paz e amor. “Enxergamos a vinda da Live Nation para o Brasil com naturalidade”, diz o comunicado.

Na época da Time for Fun, um dos maiores feitos de Faria foi trazer, em 2014, a disputada banda teen One Direction. Passada a fase da assinatura do contrato, com os 90 000 ingressos já vendidos para os dois dias de evento, veio o susto: o Allianz Parque não ficou pronto a tempo e foi necessário mudar o local de apresentação para o Morumbi. “Foram 45 dias de tensão, mas deu tudo certo no final.”

A banda Coldplay, que toca em novembro no Allianz Parque (Divulgação/Veja SP)

Agora, uma de suas missões no novo emprego será ampliar a área de atuação da companhia. “Por que não conhecer melhor os rodeios?”, exemplifica. Entre os empresariados pela Live Nation está Jay Z, nome inédito nos palcos paulistanos. Já na lista de celebridades que desenvolveram turnês em parceria com a empresa encontram-se a cantora pop Taylor Swift e o também rapper Drake. “Não temos conversas em andamento”, garante Faria.

Para os fãs ávidos por novidades, no entanto, ele deixa escapar um plano de trazer um festival que misture rock, eletrônico e hip-hop. A associação com algo na linha do Coachella, da concorrente AEG, ou do Bonnaroo, da própria Live Nation, é tentadora. Como manda a cartilha do mercado, porém, o executivo não oferece outras pistas. “Não dou nem mais um pio sobre isso.”

Agenda cheia

Sozinha ou com produtoras parceiras, a Live Nation tem nove atrações internacionais previstas até 2018

John Mayer: quarta (18), Allianz Parque. 

U2: quinta (19), sábado (21), domingo (22) e dia 25, Estádio do Morumbi. 

Coldplay: 7 e 8 de novembro, Allianz Parque. Esgotado.

Dua Lipa: 9 de novembro, Audio. Esgotado.

Bruno Mars: 22 e 23 de novembro, Estádio do Morumbi. R$ 240,00 a R$ 680,00.

Foo Fighters e Queens of the Stone Age: 27 de fevereiro, Allianz Parque. Preço ainda não divulgado.

Depeche Mode: 27 de março, Allianz Parque. R$ 240,00 a R$ 620,00.

Harry Styles: 29 de maio, Espaço das Américas. Esgotado.

Niall Horan: 10 de julho, Espaço das Américas. R$ 290,00 e R$ 420,00.

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