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‘Tento não sacrificar o ouvido da plateia’, diz Andrea Beltrão

Atriz traz <em>Jacinta</em> para São Paulo , musical sobre a pior atriz do mundo

Por Bruno Machado
Atualizado em 5 dez 2016, 15h43 - Publicado em 15 ago 2013, 18h51

Depois de uma temporada de mais de seis meses no Rio, Andrea Beltrão  traz para o Sesc Vila Mariana o espetáculo Jacinta. A atriz que dá nome à montagem chega deportada ao Brasil depois de se apresentar à rainha de Portugal. Sua notável falta de talento acaba provocando a morte da monarca, o que lhe vale a fama de “pior atriz do mundo”. Na travessia para a América, a lusitana cruza com tipos como William Shakespeare e Gil Vicente e tenta formar um grupo teatral.

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A absurda história, que tem a colonização portuguesa no Brasil como pano de fundo, fruto da colaboração de Newton Moreno (de Agreste e Assombrações do Recife Velho) e Aderbal Freire-Filho, é pontuada por canções compostas por Branco Mello. “Eu já tinha trabalhado com Andrea no musical Eu e Meu Guarda-Chuva”, explica o titã, que também colaborou com Hugo Possolo em Parlapatões Revistam Angeli, sobre o cartunista paulistano.

Para Andrea, portanto, fazer um musical — ou “comédia rock”, como o elenco prefere chamar — não foi uma grande novidade. “Deborah Bloch foi me assistir no Rio e me lembrou do grupo Manhas e Manias, do qual fazíamos parte. Durou cinco ou seis anos, e fazíamos espetáculos com banda no palco. Não é muito diferente de Jacinta”, explica a atriz, que junto de Augusto Madeira, Gillray Coutinho, Mauro Brant e outros, entoam um sotaque lusitano em números de fado, funk e até ópera executados por uma banda ao vivo. “Eu queria ter nascido a Vanessa Gerbelli ou a Amy Winehouse. Como não deu, eu tento não sacrificar o ouvido da plateia”, brinca Andrea.

 

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Emerson Villani, produtor musical e integrante da banda Funk Como Le Gusta, responsável por gravar em estúdio as faixas do musical, discorda. “A Andrea é uma das melhores cantoras de estúdio que eu já ouvi. Sabe usar a voz como poucas”, afirma. Um CD com as músicas também está disponível para o público.

O fato de ter a voz eternizada em um disco preocupou a atriz, que se sentiu desafiada pelo canto.  “Eu prefiro aquilo que é efêmero. Não gosto que filmem ou fotografem o espetáculo. Gosto mesmo é de ouvir os comentários da plateia. A Marieta Severo me conta que, certa vez, em cena, perguntava a outra atriz, ‘estou bonita?’, e ouviu de uma velhinha na plateia: ‘Tá linda, Marieta!’”.

Com uma carreira consolidada nos palcos e na televisão (atualmente está no elenco de Tapas e Beijos), Andrea, aos 50 anos ainda nutre sonhos profissionais. “Morro de vontade de fazer uma ficção científica. Tenho muita inveja da Sigourney Weaver. Aquela mulher linda, caçando alienígena só de calcinha e camiseta”.

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