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Especial Itália: a tradição do país é viva aqui

Confira os passeios, as personalidades e os traços arquitetônicos que deixam São Paulo mais italiana

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 5 Aug 2019, 19h19 - Publicado em 2 Aug 2019, 06h00

A imigração italiana a partir do fim do século XIX influenciou fortemente o cenário econômico e a vida cultural da capital paulistana. Veja abaixo mais detalhes sobre a arquitetura, os passeios e as personalidades.

ARQUITETURA

Casa de Vidro, Instituto Lina Bo ou P.M.Bardi NELSON KON/Veja SP

Casa de vidro

Em 1951, cinco anos depois de chegar ao Brasil, a arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) ergueu seu primeiro projeto: a Casa de Vidro. A construção, em um terreno inclinado no bairro do Morumbi, foi mais do que um feito profissional. Lá, ela e o marido, o colecionador Pietro Maria Bardi (1900- 1999), viveram até a década de 90. Hoje, a residência abriga o instituto que promove exposições e visitas em horários agendados. Em tempo, a marca de Lina está espalhada pela cidade. Ela foi responsável pelo traçado do prédio do Masp, na Avenida Paulista, e pela casa do Teatro Oficina, no bairro do Bixiga.

Casa das Caldeiras

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O espaço cultural conta com um galpão datado de 1920 que tem dois pisos, além de túneis subterrâneos. A construção é remanescente do complexo fabril que Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977) criou por lá. Nos anos 70, as indústrias foram desativadas e o local ficou inutilizado. Em 1999, depois que a empresa Ricci e Associados adquiriu o terreno, o lugar foi reformado e reaberto. Hoje, recebe eventos como o Samba da Vela, a festa Calefação Tropicaos e o IV Festival Craft Art Brasil, que acontece de 21 a 25 de agosto. Há também visitas monitoradas, com datas e inscrições divulgadas no site.

PASSEIOS

Ricardo D'Angelo/Veja SP

Samba do Bixiga

Às sextas-feiras, em clima informal, o grupo Madeira de Lei ocupa a calçada oposta à Igreja Nossa senhora da Achiropita e toca clássicos do samba. A priori, o evento parece estranho à imigração italiana, mas é preciso lembrar que o bairro do Bixiga é a casa de um dos mestres do gênero, o inesquecível Adoniran Barbosa (1910-1982). Mais de 500 pessoas aparecem por lá semanalmente. No próximo semestre, o horário pode mudar, então fique atento à página do grupo. Rua Treze de Maio, 478, Bela Vista. Sexta, 20h à 0h. Grátis.

Trem Cultural dos Imigrantes

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Que tal passear em uma locomotiva, de 1922, pelos trilhos ainda existentes no bairro da Mooca, na Zona Leste? Essa é proposta do Trem Cultural dos Imigrantes, passeio idealizado pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. O trecho percorrido nessa “viagem no tempo” é de 3 quilômetros, parte dele semelhante ao que os imigrantes italianos faziam quando chegavam a São Paulo depois de desembarcar no Porto de Santos. A duração é de 25 minutos. Rua Visconde de Parnaíba, 1253, Mooca, ☎ 2695-1151. Grupos agendados de terça a sexta, 10h30, 11h30, 13h30, 14h30 e 15h30. R$ 15,00; visitação espontânea no sábado, domingo e feriados, 11h às 16h. R$ 20,00 e R$ 25,00.

Festa da Achiropita

Padroeira do bairro do Bixiga, a Nossa Senhora da Achiropita dá nome a uma das mais tradicionais festas italianas de São Paulo. Durante sua realização, a Rua Treze de Maio e seus arredores se enchem de fitas delgadas nas cores vermelha, branca e verde. O público, que vem de todos os cantos da cidade, saboreia pratos típicos como fogazza e variados formatos de macarrão, entre eles espaguete e penne. Há também o diferentão melanza, que nada mais é que uma berinjela recheada com carne moída, ovos cozidos e azeitonas. O toque final fica por conta do queijo ralado e do molho artesanal de tomate. Rua Treze de Maio, 478, Bela Vista, ☎ 3106-7235. Sábados, 18h à 0h; domingo, 17h30 às 23h. A partir deste sábado (3) até 1º de setembro. Grátis.

Interior do Theatro São Pedro Décio Figueiredo/Divulgação

Ópera no Theatro São Pedro

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A construção, de estilo neoclássico, datada de 1917, está localizada no bairro da Barra Funda, onde há uma forte presença dos imigrantes italianos. A tradição se mantém viva por meio da ópera L’Italiana in Algeri, que entra em cartaz nesta sexta (2). A atração, com três horas de duração, foi composta por Gioachino Rossini (1792-1868). Narra a história da jovem Isabella (Ana Lúcia Benedetti), sequestrada junto com seu namorado, Lindoro (Anibal Mancini). Ela acredita que sua beleza e seu poder de sedução podem ajudá-la a sair da situação. Rua Barra Funda, 171, Barra Funda, ☎ 3661-6600. Sexta (2), 20h; domingo (4), 17h; Quarta (7), 20h; Sexta (9), 20h. R$ 80,00. Classificação indicativa: 12 anos.

Museu de Arte Moderna

A instituição, fundada em 1948 pelo industrial e mecenas Ciccillo Matarazzo, teve várias sedes. A que está em funcionamento hoje se encontra instalada em um pavilhão no Parque Ibirapuera e possui um acervo com cerca de 5 600 obras. Em 17 de agosto, abre a 36ª edição do Panorama da Arte Brasileira, sua mais importante mostra, com curadoria de Júlia Rebouças.

Museu de Arte Contemporânea

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Ainda no capítulo paulistano sobre Ciccillo, em 1962 ele retirou sua coleção do MAM e doou as obras à Universidade de São Paulo, dando início ao embrião do Museu de Arte Contemporânea da instituição de ensino. Neste ano, o museu, que passou a funcionar no prédio do antigo Detran, próximo ao Parque Ibirapuera, chegou à marca de mais de 10 000 itens sob seus cuidados. Em cartaz estão seis exposições, incluindo Memorial do Desenho, que traz obras de Anita Malfatti (1889-1964) e Flávio de Carvalho (1899-1973).

PERSONALIDADES

Janne Gadotti/Divulgação

Gianfranco Vannucchi

O arquiteto Gianfranco Vannucchi, 69, nasceu em Florença, berço da arte renascentista na Itália. Aos 11 anos, rumou para o Brasil com a mãe e os irmãos ao encontro do pai, que havia chegado anos antes. A situação que encontraram não era fácil, mas o clã, que tocou restaurantes e bares, não a temia. “Italiano, você sabe, né? se vira”, diz Vannucchi ao relembrar da época. Bolsista no colégio Dante Alighieri, um dos melhores de São Paulo, ele foi aprovado na Faculdade de Arquitetura da USP. “Era um espaço dedicado à convivência, mudou minha cabeça”, conta, para depois brincar: “De lá, saem dançarino, artista. Eu sou uma raridade, virei arquiteto. Deve ser porque conheci o Jorge (Königsberger, seu sócio há mais de quarenta anos), que era da Mackenzie”. Seu empreendimento é responsável por projetos como o complexo multiúso Brascan, no Itaim bibi, e pela reformulação do prédio do Sesc Avenida Paulista, inaugurado em abril de 2018.

Pedro Ivo Trasferetti/Divulgação

Jacopo Crivelli

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Curador da 34ª edição da bienal de são Paulo, que acontece em 2020, o italiano Jacopo Crivelli Visconti, 46, mudou-se para o brasil em 2001. Veio com sua esposa, a arquiteta brasileira Luciana carvalho Pinto, 49. “Nós nos conhecemos na Espanha, mas decidimos vir para cá, porque achávamos que havia mais perspectiva de trabalho aqui”, esclarece. Quase vinte anos depois, ele ainda se encanta com a movimentação frenética da capital paulistana. “Nápoles é uma cidade pequena perto de são Paulo, que é grande e muito urbana, com algo sempre acontecendo por aqui.”

Verônica Gerchman/Divulgação

Anna Maria Maiolino

Nome fundamental da arte brasileira, Anna Maria Maiolino, 77, também nasceu do outro lado do atlântico, em Scalea, sul da Itália. Depois de uma temporada na Venezuela, nos anos 50, instalou-se no rio de Janeiro, onde participou da famosa exposição Nova Objetividade, organizada em 1967 por Hélio Oiticica (1937-1980). Desde 2005 vive em são Paulo, onde mantém um ateliê no bairro do Butantã. No início de 2019, suas obras foram exibidas em uma mostra na galeria Luisa Strina. Na Itália, elas podem ser vistas no Padiglione D’Arte Contemporanea, em Milão, até setembro, em uma grande retrospectiva.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 07 de agosto de 2019, edição nº 2646.

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