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Daniel Rezende dirige o live-action da Turma da Mônica nos cinemas

Indicado ao Oscar pela montagem de 'Cidade de Deus', ele comanda seu segundo longa-metragem após a consagração de 'Bingo — O Rei das Manhãs'

Por Miguel Barbieri - Atualizado em 30 jul 2019, 16h58 - Publicado em 28 jun 2019, 06h00

Nascido em São Paulo e criado em Guarulhos, Daniel Rezende assistia à comédia infantil francesa O Pequeno Nicolau com seu filho quando se deu conta de que ninguém havia feito um live-action (filme com atores) da Turma da Mônica. Com o anúncio na Comic Con Experience (CCXP), em 2015, de que o projeto de Turma da Mônica — Laços estava a caminho, Rezende não pensou duas vezes em se oferecer para dirigi-lo. Ele vinha de uma bem-sucedida carreira como montador em, por exemplo, Tropa de Elite e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias e tinha sido indicado ao Oscar, em 2004, por Cidade de Deus. Trabalhos como diretor, só na TV, nas séries Fora de Controle (Record) e O Homem da Sua Vida (HBO) e em dois curtas. Bingo — O Rei das Manhãs, que o lançou e o consagrou no cinema, ainda nem havia estreado. À primeira reunião com Mauricio de Sousa foi munido de esperança. “Eu o convenci dizendo que queria fazer uma versão realista e emocionante. Ele deu o.k. na hora”, relembra.

“É graças ao Daniel que o filme existe”, ressaltou Mônica Sousa durante a coletiva para a imprensa. E há motivos para dar razão à filha de Mauricio. Rezende, além de agregar um produtor de peso ao projeto (a Biônica Filmes), superou obstáculos. “Imagine a dificuldade que é filmar com crianças, cachorros, à noite e numa floresta”, enumera. Foram nove meses para chegar ao elenco infantil definitivo após 2 000 testes feitos pelo Brasil. Para encontrar as locações que reproduzissem o Bairro do Limoeiro e outros lugares ambientados na trama, a produção levou um semestre — as filmagens ocorreram em julho de 2018 em Holambra, Poços de Caldas, Mairiporã e Cubatão.

Cascão, Magali, Cebolinha e Mônica: aventura na floresta Hans Georg/Divulgação

Das quatro crianças, Laura Rauseo (Magali), Gabriel Moreira (Cascão) e Giulia Benite (Mônica) não tinham experiência em atuação. Kevin Vechiatto (Cebolinha) havia feito novelas. O quarteto foi para o set sem ler o roteiro. “Queria improviso e interpretações naturalistas, e não com os diálogos decorados”, explica Rezende.

A ansiedade do diretor está nas alturas, sobretudo porque Laços estreou no mesmo dia de Pets 2, outra atração infantil. Contudo, a aprovação de Laços nos testes, antes do lançamento, foi de 98% entre as crianças e de 90% entre os adultos. Rezende, enquanto isso, desdobra-se entre a preparação do roteiro do segundo longa da Turma da Mônica, que sairá do papel caso Laços renda bem nas bilheterias, e a supervisão da edição dos oito episódios de Ninguém Tá Olhando, série da Netflix com Júlia Rabello e Kéfera Buchmann, que chega à plataforma de streaming em novembro.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 03 de julho de 2019, edição nº 2641.

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