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Branco Mello e Angela Figueiredo levam parceria para o palco e as telas

Casados há trinta anos, o titã e a atriz produzem peças, filmes e trilhas sonoras, como as da série 'Hebe — A Estrela do Brasil' e da novela 'Em Seu Lugar'

Por Dirceu Alves Jr. - Atualizado em 17 Jan 2020, 14h12 - Publicado em 17 Jan 2020, 06h00

O músico Branco Mello, de 57 anos, e a atriz Angela Figueiredo, de 58, se conheceram em 1988, no Rio de Janeiro, na saída de um show dos Titãs. A banda paulistana gravava na cidade ainda um especial para a TV Manchete, produção complicada, com cenas externas, figurantes e até corridas de carros. “Aparece lá na locação”, convidou o baixista, interessado na moça.

Angela topou e, no set, deu palpites no trabalho e organizou a equipe, como uma providencial produtora. O namoro engatou no ano seguinte, durante uma excursão dos roqueiros pelo Nordeste. “Quando percebemos, morávamos juntos”, conta ela. “Mas só nos casamos oficialmente há dez anos, tendo os nossos meninos como testemunhas.”

O primeiro filho dos dois, Bento, nasceu em 1991. Joaquim, o segundo, veio em 1999, e Angela já era mãe da apresentadora Diana Bouth, hoje com 39 anos, que lhe deu o neto Pedro, de 13. Com a mudança para São Paulo, a artista viu escassear os convites para novelas nas emissoras cariocas e se reinventou como produtora. Incentivou Branco a tirar da gaveta o musical infantil inédito Eu e Meu Guarda-Chuva, que, protagonizado por Andréa Beltrão em 2000, fez sucesso e rendeu livro, CD e filme.

Branco Mello e Angela Figueiredo:
Natal em família: Branco e Angela à frente de Joaquim, Pedro, Diana e Bento Arquivo Pessoal/Divulgação

Segura no novo papel, Angela encarou um projeto mais ambicioso: organizar as fitas VHS com os bastidores de gravações e turnês da banda, registrados por Branco em uma câmera portátil desde 1982, e transformá-las em um documentário. “Angela é a pessoa que mais acredita nas invenções que passam pela minha cabeça”, reconhece Branco, que sonhava ver o material nos cinemas. Os preparativos do filme Titãs — A Vida Até Parece uma Festa, lançado em 2008, levaram seis anos e exigiram esforço de gente grande. “Corri atrás de 280 assinaturas para autorizações de imagens, que iam de Silvio Santos a funcionários de empresas aéreas”, lembra ela.

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A atual empreitada do casal é o espetáculo 1975, que volta ao cartaz no dia 31 no Teatro Arthur Azevedo, na Mooca. No monólogo, Angela interpreta uma mulher que vasculha as memórias da adolescência e reconstitui o sumiço do irmão, vítima da ditadura militar uruguaia. O texto, de Sandra Massera, foi descoberto em uma viagem dos Titãs a Montevidéu. Branco assina a sutil trilha sonora, bem diferente da veia roqueira, e explora acordes delicados e referências de compositores do país vizinho, como o pianista e maestro Héctor Tosar (1923-2002).

O titã já havia musicado, entre outras, as peças Serpente Verde: Sabor Maçã (2011), As Moças, o Último Beijo (2014), Noites sem Fim (2016) e Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã (2018), as duas últimas em dupla com o compositor Ricardo Severo, todas idealizadas por Angela. “Compor para teatro é um barato porque me leva a começar sempre do zero, em busca do que se adéqua ao texto e aos atores”, diz Branco.

1975
O monólogo 1975: Angela Figueiredo reestreia no dia 31 no Teatro Arthur Azevedo Acauã Sol/Divulgação

Angela é braço direito do marido na produção de trilhas para o audiovisual, como o filme e série Hebe — A Estrela do Brasil e a próxima novela das 9 da Globo, Em Seu Lugar, que estreia em maio. Colabora nas pesquisas, corre atrás da liberação dos fonogramas e arma a ponte entre técnicos e artistas. “Sou muito ansioso, e ela vem com seu lado prático organizar tudo”, conta ele, orgulhoso.

Branco viaja pelo país com o show Titãs Trio Acústico, junto de Sérgio Britto e Tony Bellotto, e grava novo disco. A colaboração da mulher, dessa vez, foi informal. Cada titã conversa com o público em momentos-­solo, e Angela orientou o marido a não se dispersar “demais” ao narrar as histórias. Também foi dela a produção de Doze Flores Amarelas, ópera-rock montada pela banda em 2018.

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Em meio ao espetáculo, Branco recebeu o diagnóstico de um câncer na laringe, e Angela assumiu o barco para não vê-lo deprimido no tratamento. “Ela dizia que seriam três meses da vida que ficariam restritos a esse período e não poderiam ser levados para sempre”, revela Branco, que festeja um ano e meio de superação. Angela compensou a tensão com a arte e enxergou a hora de subir ao palco sozinha, levantando a peça 1975. “O processo criativo ajuda a enfrentar os sustos da vida”, conclui.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 22 de janeiro de 2020, edição nº 2670.

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