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Em Terapia Por Arnaldo Cheixas Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.

É melhor ser introvertido ou extrovertido?

Embora a tendência seja pensar que pessoas extrovertidas tenham vantagem no convívio social em relação a pessoas mais retraídas, a verdade é que não há um perfil mais vantajoso quando o objetivo é o sucesso nas relações interpessoais. + Precisamos de terapia para viver? O senso comum e a intuição apontam para a ideia de […]

Por VEJASP Atualizado em 26 fev 2017, 14h40 - Publicado em 22 set 2015, 21h53

Gato tímido

Embora a tendência seja pensar que pessoas extrovertidas tenham vantagem no convívio social em relação a pessoas mais retraídas, a verdade é que não há um perfil mais vantajoso quando o objetivo é o sucesso nas relações interpessoais.

+ Precisamos de terapia para viver?

O senso comum e a intuição apontam para a ideia de que, se alguém não sente desconforto na hora de falar público, diante de estranhos ou de alguém munido de autoridade (superior hierárquico, pessoa mais velha, uma autoridade formal), essa pessoa tem uma vantagem diante das demais. Mas a mesma característica que ajuda em inúmeras situações pode atrapalhar em outras. O contrário também é verdadeiro. Se uma pessoa introvertida pode precisar lidar com situações nas quais a dificuldade em se expor pode atrapalhar, ela, por outro lado, terá vantagens em outras tantas situações.

Lembro-me de uma situação bastante didática a esse respeito. Quando cuidava da seleção de pessoal em uma grande indústria de papelaria, houve uma ocasião na qual ocorreram dois processos seletivos simultâneos, um para controlador de contabilidade e outro para designer de criação de novos produtos. Os respectivos gerentes solicitaram o recrutamento de candidatos com perfis quase que perfeitamente antagônicos. Para o cargo na contabilidade, era esperado alguém com as seguintes características pessoais: discrição, facilidade no seguimento de regras, disciplina, raciocínio lógico e temperamento calmo. Já para o cargo no departamento de criação, esperava-se extroversão, criatividade, linguagem artística desenvolvida e flexibilidade na resolução de problemas. Ou seja, o candidato ideal de uma vaga seria o pior dos candidatos à outra em relação às características pessoais.

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+ Como detectar a causa de um comportamento inadequado?

Verdade que uma pessoa introvertida pode perder oportunidades por deixar de se manifestar em determinadas situações, além de experimentar grande ansiedade naqueles momentos nos quais tem de se manifestar de qualquer modo. Ao mesmo tempo ela acaba desenvolvendo a capacidade de enxergar uma situação de um ponto de vista diverso, identificando nuances normalmente invisíveis aos olhos dos demais.

Se há quem perca oportunidades por não se manifestar, há também quem perca oportunidades por se manifestar demais. É mais provável (e frequente) uma pessoa extrovertida dizer algo inadequado numa situação social do que uma pessoa introvertida. É raríssimo alguém introvertido dizer algo constrangedor num velório, por exemplo. Já os extrovertidos o fazem com maior frequência.

O desafio para qualquer indivíduo, portanto, é aprender a se conhecer cada vez melhor e saber identificar suas características pessoais. Ao conhecer bem suas próprias características, o passo seguinte é saber reconhecer de que forma suas características (seu modo de ser) podem facilitar e também atrapalhar sua vida. Isso vale para qualquer característica pessoal. O que impõe uma desvantagem aqui pode representar uma vantagem acolá.

+ A infidelidade financeira também pode acabar com a relação

Por mais simples e óbvio que pareça, tendemos a nos esquecer disso frequentemente, achando que nossas características pessoais são desvantajosas. Este texto, assim, se mostra só um lembrete para que não nos esqueçamos disso. Não há ser humano perfeito, não há característica pessoal onipotente. A graça da vida é saber aproveitar o melhor do ambiente e de nós mesmos. É saber celebrar a conquista e saber rir e aprender com o fracasso. É ter os pés no chão com os pontos fortes e não deixar de saltar mesmo com as limitações.

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