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Por Por Marcelo Copello
Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti
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Pinot noir é uma uva delicada e marcante ao mesmo tempo

Veja dicas de vinhos elaborados com a casta

Por Marcelo Copello
12 Maio 2023, 06h00

Muitos profissionais do vinho têm na pinot noir uma de suas castas prediletas. Essa uva tinta, porém, traz juntos o céu e o inferno. O céu surge na forma de seus melhores exemplares, que chegam turbinados em qualidade. Basta dizer que o vinho de maior prestígio do planeta é 100% desta cepa, o Romanée-Conti.

O inferno começa pelo preço. Quer um pinot noir de alta gama? Compre um grand cru da Borgonha, de grande safra e produtor renomado. Mas, como diria Iago em Otelo, de Shakespeare, “põe dinheiro em tua bolsa”. O segundo problema é que muitos exemplares não valem o que custam.

Uma das castas mais antigas do planeta, é cultivada há mais de 2000 anos na Borgonha, no Leste da França. A família das pinots (pinot noir, blanc, gris, meunier, entre outras) compartilham o mesmo DNA e tem como característica sofrer mutações. Hoje, há centenas de clones (variações genéticas naturais) espalhadas pelo mundo.

A pinot noir é marcada por essa irregularidade. Vai de bebida diluída que não reúne as características que se espera da uva a alguns poucos rótulos formidáveis. A casta prefere clima seco e frio (fresco ou moderado) – no calor, torna-se facilmente sobremadura.

Outras dificuldades da pinot noir são a suscetibilidade a pragas e a alta produtividade – para ter um bom vinho, é preciso conter a quantidade em nome da qualidade. Normalmente, um pinot noir tem taninos baixos (exceto os mais tops) e acidez média-alta. Por ser muito delicada, a cepa é pouco usada em blends, a não ser no de espumantes.

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A cor é mais clara na taça e os aromas típicos são de frutas vermelhas (cereja, framboesa, morango etc.). Com o envelhecimento, ganham notas de bosque úmido, terra, cogumelos secos e trufas. Seu corpo, normalmente, vai do leve ao médio, exceção (mais uma vez) para os Grand Crus da Borgonha, que podem ter grande estrutura e longevidade, sem perder a delicadeza.

Além da Borgonha, as melhores regiões para o cultivo da uva são Suíça (Valais e Zurique), Alemanha (Baden, Rheingau e Rheinhessen), Itália (Trentino-Alto Ádige e Friuli), França (Jura e Alsácia), Nova Zelândia (Central Otago), Austrália (Tasmânia e Yarra Valley), EUA (Los Carneros, Russian River Valley e Oregon), Argentina (Patagônia) e África do Sul (Walker Bay). Exemplares de pinot noir com boa relação custo-benefício podem ser encontrados no Chile (Casablanca, Leyda, Malleco e Bío-Bío) e no Brasil (Campos de Cima da Serra, Altos Montes e Serra Catarinense).

Pinot Noir Barrel Series Reserva 2021
Da Casas del Toqui, é produzido no vale de Cachapoal, no Chile. 40% amadureceu em barricas de carvalho francês durante oito meses. Rubi claro, o vinho tem aroma frutado de framboesas e morangos, com um toque de madeira e baunilha. Paladar de médio corpo e taninos doces, 13,5% de álcool. R$ 99,88, na Wine.

T.H. Terroir Hunter Pinot Noir 2021
Do produtor Undurraga, é elaborado com pinot noir do vale de Leyda no Chile. Enquanto um terço amadurece em barricas de carvalho francês de terceiro uso, as outras duas partes repousam em tanques de inox e em ovos de concreto durante doze meses. Rubi quase escuro, tem notas de morango maduro, violetas e terra. Paladar de corpo médio, acidez refrescante. R$ 211,65, na Wine.

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Mercurey Buissonnier 2018
Produzido pela Vignerons de Buxy, em Mercurrey, sub-região na parte sul da Borgonha, é de uvas colhidas de vinhas cultivadas a 200 metros acima do nível do mar. Rubi claro, aroma frutado que lembra framboesas, cerejas frescas, além de cogumelos e especiarias. Com paladar leve, tem taninos e acidez médios. É um Borgonha de entrada. R$ 359,90, na Evino.

Pinot Noir Limited Edition Single Vineyard Finca los Hermanos 2019
Da Bodega del Fin del Mundo, na Patagônia argentina, passa dezoito meses em barrica de carvalho francês. Rubi escuro, com aroma intenso de frutas vermelhas maduras, como framboesas e cerejas, de bosque úmido, de madeira nova tostada e de baunilha. Além de bom corpo, tem boa estrutura de taninos e acidez, que pode crescer com alguns anos de guarda. R$ 289,90, na Evino.

Publicado em VEJA São Paulo de 17 de maio de 2023, edição nº 2841.

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