Linzer: sabor da Áustria em sua mesa
Apesar da aparência singela, sobremesa guarda um segredo interessante: a verdadeira estrela é a massa, não o recheio
Sabe aquela torta doce super tradicional, com uma delicada treliça de massa por cima e recheada com geleia? Pois é, estamos falando da Linzer, uma receita austríaca muito antiga que, por séculos, quase foi sinônimo de torta doce na Europa.
Apesar da aparência singela, ela guarda um segredo interessante: aqui, a verdadeira estrela é a massa, não o recheio. Isso surpreende, sobretudo quando lembramos que, na origem das tortas, o recheio era colocado dentro de uma massa dura que servia mais como recipiente do que como alimento. Em uma época em que utensílios culinários eram escassos, o coffyn funcionava como uma espécie de “forma comestível” — e quase sempre era descartado.
A massa de uma boa Linzer foge totalmente desse padrão. Rica em ingredientes nobres como avelãs ou amêndoas, especiarias e bastante açúcar, era um verdadeiro luxo no século XVII, quando surge o primeiro registro da receita.
Esse documento, considerado por muitos como o mais antigo em forma escrita, pertenceu à condessa Anna Margarita Sagramosa. Por volta de 1619, ela anotou em seu caderno quatro versões de tortas doces chamadas Linz, cada uma com pequenas variações. Detalhe curioso: ela já sugeria substituições das frutas de acordo com a estação e ensinava como conservar a torta por mais tempo.
Ainda assim, a maioria dos estudiosos concorda que a receita não era criação da condessa, mas sim algo já bem difundido na região. Em 1653, outras versões da Linzer aparecem também em um livro de receitas publicado em Salzburg.
Outro charme da Linzer é sua cobertura em treliça, não apenas tradicional, mas cheia de significado. Os desenhos em losango que surgem na superfície eram comuns em brasões familiares da época e simbolizavam aspectos femininos e prosperidade. Com o tempo, confeiteiros passaram a criar padrões cada vez mais elaborados, deixando a Linzer ainda mais especial.
E já que tradição e criatividade caminham tão bem juntas, nesta semana eu trouxe uma versão deliciosa com um toque de brasilidade: substituí as avelãs da massa por castanhas de caju e usei geleia de goiaba no recheio. O resultado ficou sensacional! Que tal correr para a cozinha e experimentar essa versão tropical da Linzer?
Uma ultima palavrinha sobra a receita: A massa tem bastante manteiga, então fica bem mais fácil fazer a receita em versões individuais e abrir a massa como aparece no reels, com a ponta dos dedos. E para ficar autêntica, antes de levar ao forno a linzer deve ser pincelada com leite e polvilhada com açúcar cristal.
Para 5 tortinhas individuais assadas na forma de 10 cm de diâmetro ou uma torta media
Massa
- 1 ovo
- 150 g de castanha de caju sem sal
- 100 g de açúcar
- Casca ralada de 1 limão
- Casca ralada de 1 laranja
- 220 g de farinha de trigo
- 180 g de manteiga sem sal
Recheio
500 g de geleia de goiaba
Para pincelar: leite e açúcar cristal
Coloque as castanhas no processador de alimentos e bata até obter uma farinha grossa. Junte os demais ingredientes e pulse até obter uma massa homogênea. embale em plástico e leve a geladeira para descansar por duas horas.
Abra a massa nas forminhas com a ponta dos dedos. Complete com a geleia. Para o acabamento, abra um pedaço da massa entre dois saquinhos de congelar alimentos. Leve a geladeira até endurecer, ( vai facilitar muito o trabalho ) e em seguida corte o topo da tortinha com um cortador de biscoitos. Para o desenho, recorte pequenas flores usando cortador de biscoitos . Aplique sobre o recheio e pressione as bordas para selar. Se preferir, faça como as donas de casa austríacas: enrole a massa em longas cobrinhas e com elas forme o desenho de treliça sobre o recheio.
Pincele leite e polvilhe açúcar. Leve ao forno pré aquecido a 180 graus assando até que esteja dourada.
Eu gosto de degustar a minha Linzer ainda morna, mas fique a vontade se quiser deixar esfriar. Polvilhe açúcar impalpável a gosto.
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