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Morre artista Jaider Esbell, estrela da Bienal de São Paulo 2021

Da etnia Makuxi, ele era um dos nomes à frente da valorização da arte indígena

Por Tatiane de Assis Atualizado em 3 nov 2021, 11h04 - Publicado em 2 nov 2021, 20h23

O artista Jaide Esbell, 41 anos, da etnia Makuxi, morreu nesta terça (2). De acordo com comunicado, emitido pela galeria que ele mantinha: “Esbell estava em uma atividade de trabalho em São Sebastião (SP), acompanhado de amigos e pessoas queridas.” A informação anterior, não confirmada, era que ele havia sido encontrado em seu apartamento na cidade de São Paulo.

Esbell era um dos grandes nomes à frente do reconhecimento da arte indígena no circuito contemporâneo brasileiro, junto à Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Isael Maxakali e o Movimento dos Artistas Huni Kuin (Mahku).

Em 2021, além de ser uma das estrelas da trigésima quarta Bienal de São Paulo, também foi o curador de uma exposição coletiva no Museu de Arte Moderna (MAM), chamada Moquém_Surarî. Sobre essa mostra, ele contou que havia sido convidado para fazer uma individual, mas preferiu trazer um panorama da arte indígena para a instituição.

Ainda esse ano, seus trabalhos também integraram Véxoa: Nós Sabemos, já encerrada, Frestas Trienal de Artes, realizada na unidade de Sorocaba do Sesc, em cartaz até janeiro de 2022, e Brasilidade Pós-Modernismo, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, até 22 de novembro.

Em entrevista, por ocasião de uma individual  na galeria Millan, Esbell falou sobre a pandemia, a partir da cosmologia indígena: “A gente acredita que esse mundo já se acabou várias vezes. Essa não vai ser a primeira nem a última. Estamos passando mais uma vez por um ciclo. Conseguimos atravessar a colonização sem ser exterminados, diferentemente do que ocorreu com grupos menores. No nosso território, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, temos o Monte Roraima. Nele, tem um canal com o centro da Terra, onde há uma passagem para nos conectar com o novo ciclo e continuar nossa história.”

Luto compartilhado

“Vamos sentir muita falta dele. Nos falamos há três meses, antes dele entrar nessa turnê de exposições. Quando estava aqui, ele vinha na minha galeria e eu ia na dele. Nossa parceria começou há muito tempo, quando ele principiou a se interessar por artes”, conta Calixto, amigo e dono de uma loja de molduras, em Boa Vista (RR).

O luto é também compartilhado pelo cenário cultural paulistano. “Foi uma troca constante. Sem ele, a Bienal desse ano não teria sido o que foi”, disse o curador-geral da mostra, Jacopo Crivelli. Nas redes sociais, o diretor artístico do Masp, Adriano Pedrosa, se manifestou: “Triste e inacreditável notícia”. O Museu de Arte Moderna (MAM) emitiu uma nota: “Lamentamos profundamente a perda e estendemos nossa solidariedade aos amigos e familiares.”

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