Onde comer e se hospedar bem no Rio de Janeiro
Um dos destinos favoritos dos paulistanos, a capital fluminense é repleta de atrações quando o assunto é hotelaria, gastronomia e diversão

Não importa se os mais de 400 quilômetros entre São Paulo e Rio de Janeiro serão cruzados pela Dutra ou encurtados pela ponte aérea. Sempre que chegam à vibrante capital fluminense, paulistas e paulistanos se surpreendem com uma metrópole cheia de novidades, além de clássicos que valem ser conhecidos ou revisitados.
Uma legião de turistas se prepara agora para ir ao Rio no período de Carnaval. Os dados da Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro apontam que 26% deles vêm de São Paulo e são a maioria dos visitantes nacionais. A estatística é confirmada pela Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR- RIO), que contabiliza 3,6 milhões de viajantes do estado vizinho em 2023.
Os apaixonados pela cidade vão até lá não só pela festa do samba e pelas praias, mas pelo conforto e pela exclusividade de hospedagens, atrações culturais, passeios e, sem dúvida, pela gastronomia, cada vez melhor.
Confira uma lista seleta que inclui hotéis, novas programações e sete endereços de diferentes estilos para comer e beber.
Vila Santa Teresa. Um dos hotéis boutique mais exclusivos do país está instalado em uma das colinas de Santa Teresa, naquela que é considerada uma das maiores propriedades privadas urbanas do planeta, com 85 000 metros quadrados. O Vila Santa Teresa ocupa uma das residências construídas em uma área bucólica da tradicional família Monteiro de Carvalho desde 1926. O pouso de luxo fica na casa erguida por Sergio Alberto Monteiro de Carvalho e pela esposa na época, Claudia, nos anos 70.

Administrado pela empresária Eva Monteiro de Carvalho, filha deles, foi inaugurado em 2018. “É uma joia rara que transformei em um hotel da família”, diz Eva. Dispõe de sete suítes com uma vista estonteante da Baía de Guanabara e do Pão de Açúcar. Esse mesmo visual se desfruta também da piscina, onde se pode viver uma das experiências únicas, como um jantar romântico ao luar, com ótima cozinha de grelhados do mar e vegetais de uma horta própria. Uma nova adega está sendo finalizada e há também um spa de excelência. Entre os serviços personalizados que podem ser contratados, um motorista leva os hóspedes desse oásis à praia. @vilasantateresa
Fairmont. Para quem quer pôr o pé na areia, mas não abre mão de conforto e sofisticação, o Fairmont é um destino certeiro. Instalado no Posto 6, um dos pontos favoritos de Copacabana, em um charmoso prédio retrofitado, o hotel tem 375 suítes. Entre as mais disputadas, por conta da vista estonteante da orla, está a série deluxe room, com 35 metros quadrados de área. Outro trunfo é a gastronomia assinada pelo chefexecutivo francês Jérôme Dardillac.

No Marine, o cozinheiro propõe um cardápio que apresenta o Brasil com um discreto toque francês, em pratos como vinagrete de frutos do mar servido numa nuvem de gelo seco. O serviço se completa com uma piscina de borda infinita no 6º andar e o quiosque na praia, o Tropik Beach Club. @fairmontrio

Roxy Dinner Show. Em cena e em frente de projeções em um telão de LED, sessenta bailarinos e cantores interpretam canções brasileiras sob a direção artística de Abel Gomes e a musical de Pretinho da Serrinha, dois craques. São cinquenta composições apresentadas ao longo de 90 minutos no show Aquele Abraço. Afinados, os profissionais também passeiam entre as mesas de jantar do auditório para 680 pessoas e divertem o público ao som do rock de Rita Lee (Orra Meu) e do funk de Anitta (Vai Malandra).

“Um dos melhores momentos é quando o show mostra a força da natureza através da Amazônia. Tem uma linda sonoplastia com os sons da floresta e seus animais”, avalia o curador musical Zé Marcio Alemany. Aliado a isso, os espectadores saboreiam um menu do chef Danilo Parah, o mesmo do Rudä e do Mäska, em Ipanema.

Onde? No Roxy Dinner Show, o mais ambicioso projeto de Alexandre Accioly, sócio da rede de academias Bodytech. Tem 3 500 metros quadrados de área e ocupa o prédio deixado pelo Roxy, considerado o maior cinema de rua do país. Inaugurado em outubro passado, consumiu um investimento de 67 milhões de reais. De aplaudir. @roxydinnershow

Bondinho do Pão de Açúcar. O despertar pode ser difícil, afinal, é preciso estar a postos na subida do Bondinho do Pão de Açúcar ainda no escuro, precisamente às 4h15 da matina. Mas, passado esse desconforto, a recompensa chega de forma grandiosa. Os primeiros raios de sol são avistados já no trajeto do bondinho, com um pequeno grupo de visitantes. Um privilégio total subir as duas montanhas, primeiro o Morro da Urca e depois o Pão de Açúcar, em uma calmaria única, já que em outros horários o lugar é apinhado de turistas. O nascer do sol, com a vista estonteante do Rio e os raios refletindo na Baía de Guanabara, compensa o esforço de acordar tão cedo, pois a imagem fica gravada na memória.

Com toda a tranquilidade, os visitantes podem contemplar o dia nascendo ao som de sax com músicas brasileiras. Para se lembrar da canção Lua e Estrela, de Vinicius Cantuária: “Manhã chegando, luzes morrendo, nesse espelho, que é nossa cidade”. Em seguida, são convidados para um café da manhã especial, repleto de delícias, debruçados em uma das mais lindas vistas do Rio — e do mundo. @parquebondinho (Alice Granato)

Oseille. O chef Thomas Troisgros acerta em cheio nessa casa de Ipanema, aberta há um ano na parte de cima do Toto, outro restaurante dele. A proposta é um menu degustação de cinco a sete etapas. Com uma vantagem: sem afetação nenhuma. A clientela que ocupa um dos disputados dezesseis lugares é atendida por uma equipe liderada pelo subchef Carlos Yusa e pelo sommelier Cleiton Moreira, pura competência.

Os pontos mais altos nesse trajeto são a galinhad’angola ao molho de vinagre com cogumelo cardoncelo e a inusitada e ótima sobremesa de sorvete de baunilha e crumble de chocolate com cogumelo-de-paris fresco, na forma de chantili. Rua Joana Angélica, 155 (2º andar), Ipanena, telefone (21) 3854-1819. Reserva obrigatória. @oseillerestaurante

Ristorante Hotel Cipriani. No comando da gastronomia dos hotéis Belmond na América Latina e chef-executivo do Cipriani, no Copacabana Palace, o italiano Nello Cassese propõe uma culinária vigorosa da Itália de norte a sul.

Em seu menu degustação, de onze ou catorze etapas, aparecem neste momento pratos como ravióli de açafrão com mexilhões e nabo e carne dry aged ao uísque e pimentão. Na comissão de frente, vão snacks como o cannolo com tartare de atum com purê de laranja queimada. Cassese costuma receber colegas que trabalham na rede, como aconteceu com a peruana Pía León, em dezembro. Hotel Copacabana Palace. Avenida Atlântica, 1702, Copacabana, telefone (21) 2548-7070. @belmondcopacabanapalace

Rudä. É um dos dois restaurantes comandados por Danilo Parah, que oferece uma culinária brasileira singular, com toques autorais — o outro é o Mäska, e ele ainda responde pelo menu do Roxy Dinner Show.

Um exemplo encantador é a recriação do clássico carioca camarão com chuchu, feito com crustáceos biteludos, batata-baroa (ops!, mandioquinha para os paulistas) e chuchu fondant e em tiras de picles ao molho com tucupi. Não perca os ótimos miniacarajés. Rua Garcia d’Ávila, 118, Ipanema, telefone (21) 98385-7051. @ruda.restaurante

Casa Horto. Uma das regiões mais cool do Rio de Janeiro, o Horto viu brotar de uma hora para outra vários restaurantes e bares na Rua Pacheco Leão e travessas, em um lindo casario histórico bem em frente ao Jardim Botânico. Embora o nome Casa Horto possa até sugerir um endereço vegetariano, o complexo tem um restaurante carnívoro, o Pátio, com bons cortes black angus como o t-bone e um assado de tira ainda melhor. Para quem não resiste a uma pedida do mar, tem lagosta na manteiga de limão, que até parece ressecada, mas é uma delícia. Rua Pacheco Leão, 696, Horto. @casahorto

Ocyá. Endereço de pescados que faz sucesso na Ilha Primeira, no complexo de lagos da Barra da Tijuca, o restaurante ganhou uma filial no Leblon em 2023. O chef Gerônimo Athuel, especialista em peixes e frutos do mar, levou sua expertise a duas casas. Na unidade da Zona Sul, pode ser avistada de qualquer ponto do salão a câmara fria onde o cozinheiro matura peixes de espécies variadas.

Uma das pedidas na brasa é a saborosa sarda sororoca em bagna cauda cremosa sob batata, abobrinha, cenoura, cebola, vagem e berinjela. vai muito bem de entrada a linguiça de peixe. Rua Aristides Espínola, 88, Leblon, telefone (21) 97286-1250. @ocya.rio

Eleninha. Com uma atmosfera das mais agradáveis, também no Horto, na mesma Rua Pacheco Leão, esse restaurante deriva da casa vizinha, o Elena. Nesse endereço, lotado de famílias e grupos de amigos, em especial nos fins de semana, ao som de chorinho, tomam-se boas taças de vinho natural e o lugar é ideal para partilhar petiscos, alguns deles de influência asiática. Um exemplo, o pastelzinho chinês wonton de massa delicada e recheio de camarão. Faz a diferença o óleo de pimenta, que dá um toque picante, de leve. Rua Pacheco Leão 780, Horto. @eleninhahorto

Le Wilt. Uma das melhores confeitarias do Rio de Janeiro fica em uma loja concorrida de Copacabana. Comandada por Adriana Wiltgen e sua mãe, Solange, que foram fundadoras da Cacau Noir, tem como especialidade os choux, bombas de massa crocante com recheio e cobertura divinos. Além de opções fixas como a de pistache, há versões especiais do dia, entre elas blueberry e chocolate com cupuaçu. Rua República do Peru, 212, Copacabana, telefone (21) 97358-9349 @lewilt_

Publicado em VEJA São Paulo de 7 de fevereiro de 2025, edição nº 2930.
BAIXE O APP COMER & BEBER E ESCOLHA UM ESTABELECIMENTO:
IOS: https://abr.ai/comerebeber-ios
ANDROID: https://abr.ai/comerebeber-android