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Tour gratuito desvenda lendas e assombrações que envolvem o centro

Caminhada começa no Vale do Anhangabaú e percorre endereços famosos, como o Edifício Martinelli, local onde aconteceram misteriosos assassinatos

Por Guilherme Queiroz
Atualizado em 27 Maio 2024, 22h07 - Publicado em 14 abr 2022, 06h00

O Anhangabaú é o rio das águas assombradas. Oi? A origem do nome do curso de água que percorre o subterrâneo da histórica região do centro da capital paulista marca o início de um passeio que guia os interessados pelas lendas urbanas mais famosas da cidade.

Tudo começa por volta das 9 horas, no Vale do Anhangabaú. “É mitologia popular. Não somos caça-fantasmas, querendo provar a existência de nada”, explica com bom humor o roteirista e compositor Thiago de Souza, 43. Ele é o guia e um dos criadores do roteiro, que começou com o podcast O que Te Assombra, que explora as lendas urbanas de cidades como Campinas, Belo Horizonte e São Paulo. Os episódios de cada temporada, repletos de efeitos sonoros e um ar de suspense, servem de apoio para as caminhadas.

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No caso paulistano, 6 quilômetros são percorridos em duas horas e vinte minutos. A próxima caminhada rola no dia 21 de abril e será a oitava: a primeira foi em fevereiro e na última atração, no começo de abril, mais de 100 pessoas participaram.

São oito pontos de parada, começando no Anhangabaú e terminando na Capela dos Aflitos, na Liberdade (veja detalhes no mapa abaixo). Em cada etapa, Souza explica a lenda urbana e, então, contextualiza o conto com o momento histórico da área. “As lendas de assombração têm várias camadas, muito mais do que o susto, têm recortes sociais, memória histórica e podem ser um instrumento de diagnóstico das comunidades”, afirma.

Tudo começou após Souza ler o livro Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre. “A gente pesquisa muito, por vezes vai a cada lugar e coleta informações. No caso da parada na Agência Central dos Correios, tivemos funcionários que relataram algumas lendas para a gente”, explica o músico Silo Sotil, 44, que também faz parte da empreitada. “Estudamos mitologia indígena, pela história do Rio Anhangabaú. O nome vem de Anhangá, uma entidade indígena. Na crença dos tupinambás, o Anhangá se alimenta das almas de quem morre e, por isso, o vale é assombrado”, diz Thiago. Vai encarar?

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1. Vale do Anhangabaú

Parte do Vale do Anhangabaú. Uma praça ampla com prédios, árvores e postes antigos ao lado
(Divulgação/Divulgação)

Na lenda, o território é o lar do Anhangá, entidade indígena que, entre seus poderes, desvia as almas do paraíso, mantendo-as na terra assombrando o mundo dos vivos.

2. Teatro Municipal

Teatro Municipal em São Paulo visto em sua extensão. Pessoas andam na rua que está na frente
(Alexandre Battibugli/Veja SP)

Entre os contos, entidades derrubando objetos, cantoras líricas invisíveis em galerias subterrâneas e um pianista fantasma.

3. Agência Central dos Correios

Palácio dos Correios. Um prédio antigo em tons de bege e cinza
(Raul Juste Lores/Divulgação)

Portas e gavetas se fecham misteriosamente. Outra lenda é a de que crianças fantasmas brincam e atravessam paredes.

4. Edifício Martinelli

Edifício Martinelli visto de baixo para cima
(Leo Martins/Veja SP)

Uma mulher morta circula por entre os andares do histórico edifício, na crença popular. O endereço também foi palco de misteriosos assassinatos.

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5. Edifício Praça da Bandeira (antigo Edifício Joelma)

Foto mostra o Edifício Praça da Bandeira. O seu está claro, com poucas nuvens. É possível ver as árvores em volta do prédio
(Rafael D'Andrea/Divulgação)

Palco de uma tragédia paulistana, a lenda mais conhecida é a das treze almas do Joelma, que teriam morrido durante o incêndio de 1974, presas em um elevador.

6. Câmara de Vereadores

Câmara dos Vereadores vista de baixo para cima
(Alexandre Schneider/Divulgação)

Nos contos populares, o Palácio Anchieta, sede do Legislativo paulistano no Viaduto Jacareí, abriga espíritos que acionam os elevadores, leem livros na biblioteca e até mesmo há uma noiva fantasma que aterroriza os frequentadores do lugar.

7. Casa de dona Yayá

Uma casa com uma ampla escadaria na frente. É possível ver árvores em volta e pessoas subindo até a entrada
(Alexandre Schneider/Divulgação)

A entidade do endereço seria justamente Sebastiana de Melo Freire, a dona Yayá. Com uma trágica história de vida, os relatos falam de aparições da mulher, que morreu aos 74 anos com problemas mentais.

8. Capela dos Aflitos

Grupo de pessoas posa para foto em uma rua sem saída, onde está a Capela dos Aflitos
(Eder Gomes/Divulgação)

Francisco das Chagas é a estrela do ponto, o Chaguinhas. Líder de uma revolta, o cabo negro foi condenado à morte no pedaço em 1821. A corda da forca teria arrebentado três vezes antes da execução.

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COMO PARTICIPAR:

Para acompanhar os passos da caminhada Reconheça o que te assombra basta ficar atento nas redes sociais. A próxima é no dia 21.

Aos interessados, envie uma mensagem para o Instagram @oqueteassombra ou para o e-mail: oqueteassombra@gmail.com.

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Publicado em VEJA São Paulo de 20 de abril de 2022, edição nº 2785

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