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“Essa onda de solidariedade tem que permanecer”, diz padre Júlio

Religioso conta que o volume de doações minguou com o avanço da pandemia, mas foi potencializada pela chegada das festas de final de ano

Por Alice Padilha Atualizado em 29 dez 2020, 16h51 - Publicado em 29 dez 2020, 16h24

Todas as manhãs, o padre paulistano Júlio Lancellotti, 71, atende cerca de 500 moradores de rua e catadores que comparecem à Pastoral do Povo da Rua, na Luz, em busca de doações. Além dos agora populares álcool em gel e máscaras, os produtos cedidos variam e incluem diferentes tipos de comida, roupas e cosméticos – depende do que a equipe recebeu no período.

O volume de doações minguou com o avanço da pandemia, mas foi potencializada pela chegada das festas de final de ano. Para janeiro, no entanto, a previsão é de uma queda acentuada. “O problema é que nós não somos estruturalmente um povo solidário. Essa onda de solidariedade não pode ser pandêmica, ela precisa permanecer. Para que seja realmente efetiva, ela precisa ser convertida em moradia, cidadania e trabalho”, avalia.

Em permanente embate com a prefeitura de São Paulo, Lancellotti é crítico da maneira como o poder público lidou com a crise sanitária. “A prefeitura respondeu à pandemia como sempre: de forma lenta e burocrática. Uma coisa muito simples que poderia ter sido viabilizada é a distribuição de pontos de água potável acessíveis para a população de rua na cidade. No geral, a nossa solidariedade ainda é muito seletiva”, avalia ele, que é um dos personagens de Retrato Generoso, matéria de capa desta edição de VEJA SÃO PAULO.

O aumento da popularidade neste ano ajudou e prejudicou suas ações na mesma medida. Apesar disso, para ele, o saldo é positivo. Contrariando as expectativas, foram registradas apenas 35 mortes por Covid-19 entre a população de rua paulistana.

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