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Raissa Tavolaro vira ré e tem 164 000 reais bloqueados

Em nota neste sábado, mulher do presidente da CNN Brasil fala de "acusações infundadas feitas tão somente com base em bisbilhotagem de redes sociais"

Por Ricardo Chapola - Atualizado em 27 abr 2019, 14h29 - Publicado em 26 abr 2019, 17h07

Raissa Caroline Lima Tavolaro, mulher do ex-vice-presidente de jornalismo da TV Record e atual presidente da CNN Brasil, Douglas Tavolaro, virou ré nesta quinta-feira (25), acusada pelos crimes de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. A Justiça também mandou bloquear quase 164 000 reais de Raissa, investigada pelo Ministério Público de São Paulo desde março de 2018.

A advogada entrou na mira da promotoria depois de uma reportagem publicada naquele mês pelo site The Intercept Brasil, segundo a qual Raissa recebia salário de funcionária pública da Assembleia Legislativa de São Paulo sem trabalhar. Ela ocupava o cargo de assessora especial parlamentar da liderança do PRB na Casa desde o dia 11 de setembro de 2015. Seu salário era de mais de 15 000 reais por mês.

A reportagem mostrou Raissa em viagens para o exterior com o marido em dias nos quais deveria estar trabalhando na Assembleia, de acordo com o regimento interno da Casa. A maioria das viagens, realizadas entre 2016 e 2017, foi feita fora do período de férias da funcionária pública. Ela registrou várias delas em seu perfil público do Instagram. Após ser procurada pelo site, tornou sua conta privada, bloqueando o acesso.

Pelas contas do Ministério Público, a advogada recebeu indevidamente quase 41 000 reais a título de remuneração, já que deixou de trabalhar em vários dias da semana. Para a promotoria, a conduta de Raissa caracteriza “ato de improbidade administrativa que importou em enriquecimento ilícito”. Em junho de 2018, foi exonerada do cargo de assessora da Assembleia.

Em seu depoimento ao Ministério Público, Raissa afirma que se afastava do cargo por meio de “permissões informais”. “Os afastamentos realizados a título de compensações informais de horas ou dias trabalhados além do expediente”, diz a mulher de Tavolaro. A reportagem entrou em contato com o escritório de Raissa. Fomos atendidos por uma de suas funcionárias, que disse que não tinha autorização para passar o e-mail ou o telefone dela.

ATUALIZAÇÃO

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Neste sábado (27), Raissa encaminhou a seguinte nota à reportagem:

Sobre reportagem publicado no site da Veja São Paulo cumpre-me esclarecer que exerci atividades de assessoria parlamentar especial na Assembleia Legislativa de SP (Alesp) durante dois anos.

Fazia atendimento jurídico aos cidadãos, assessoria técnica a deputados em votações em plenário, representação de lideranças partidárias, análises e elaboração de pareceres técnicos e projetos de lei sob a ótica jurídica, como provam dezenas de documentos anexados ao processo. Tarefas exercidas também aos finais de semana e em jornadas extraordinárias, seguindo as normas da Alesp, como mostram os registros contidos no processo e enviados ao Ministério Público pela própria Alesp.

Todas as viagens apontadas foram oficialmente autorizadas pelos gabinetes parlamentares aos quais me reportava e pela própria administração de RH da Alesp, em compensações de jornadas extras, como também provam a sequência de registros anexados ao processo.

Também diferente do que diz a reportagem, não fui exonerada e, sim, pedi demissão do cargo em junho de 2018. Hoje, sou proprietária de escritório de advocacia em São Paulo.

Confio que todos os documentos oficiais anexados ao processo serão suficientes para desfazer tais acusações infundadas feitas tão somente com base em bisbilhotagem de redes sociais.

 

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