Óptica sem vitrine vende armações com casca de ovo e chifre de búfalo

Loja nos Jardins analisa perfil do cliente para sugerir óculos

O espaço, com piso de madeira, paredes claras, iluminação focal e móveis de design, lembra uma sala de estar. Em um imóvel de 240 metros quadrados, o aconchegante ambiente passa longe do que é visto em negócios similares instalados em shoppings, com luz fria e paredes brancas de doer os olhos. Ali, na Alameda Tietê, nos Jardins, funciona há mais de duas décadas a óptica de luxo Piero & Silvinho.

A elegância e o minimalismo da área interna se traduzem também na fachada preta, que faz pensar em uma galeria, decorada apenas com o desenho de uma armação de lentes roxas e uma pequena vitrine que ostenta alguns modelos de óculos. Em geral, é o boca a boca que leva o público até lá.

Há duas décadas a loja funciona em imóvel na Alameda Tietê

Há duas décadas a loja funciona em imóvel na Alameda Tietê (Alexandre Battibugli/Veja SP)

O habitual “estou só dando uma olhadinha” não costuma funcionar no endereço, isso porque o atendimento personalizado trouxe fama à marca. Ali dentro, não há prateleiras ou produtos à vista. O cliente é recebido por um funcionário que faz perguntas para conhecer o freguês — estão incluídas questões sobre rotina, personalidade, o que se busca na peça. Entre os pedidos frequentes, as mulheres desejam parecer mais jovens, e os homens, apesar de se preocuparem também com a estética, normalmente põem o conforto em primeiro lugar. Após analisar a fisionomia e outras características da pessoa, como o corte de cabelo e o tom de pele, o vendedor, chamado de consultor óptico, mostra ao cliente oito armações selecionadas por ele em uma bandeja.

Laboratório: em média, 150 peças vendidas por mês

Laboratório: em média, 150 peças vendidas por mês (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Tanto cuidado tem um preço. Os óculos custam a partir de 1 000 reais e saem por um valor médio de 3 000 reais. Entretanto, são escolhidos a dedo. O dono, Piero Savino, 57, e seu gerente, André Guijarro, frequentam feiras internacionais em busca de modelos fora da curva. “Fugimos das grifes conhecidas”, afirma Savino, que também evita “modinhas”. Na loja são vendidos cerca de 150 óculos por mês. Estão disponíveis armações de oito países. Muitas levam materiais inusitados, como seda e chifre de búfalo. A peça à base de casca de ovo, por exemplo, é feita por artesãos especializados em mosaicos. Os pedaços de casca acabam colados um a um no couro do revestimento. O prazo para cada item ficar pronto gira em torno de trinta dias. Por isso seu valor ultrapassa os 13 000 reais.

A fachada discreta do negócio

A fachada discreta do negócio (Alexandre Battibugli/Veja SP)

O empreendimento foi criado por Savino e Silvinho Escorcio — esse último, falecido em 2013. A dupla se conheceu nos anos 90. Ambos trabalhavam como consultores na loja do famoso esteta óptico Miguel Giannini, localizada em um casarão na Bela Vista. Saíram de lá com a ideia de montar um negócio próprio nos moldes do ex-patrão. Na época, os imóveis no centro eram caros. Conseguiram, então, comprar a pequena casa na Alameda Tietê, nos Jardins. A empresa cresceu e, com o tempo, os parceiros compraram o imóvel vizinho e expandiram o negócio. Hoje, há nove funcionários. “Temos o cuidado de oferecer ao cliente um design que dure um bom tempo”, diz Savino.

Armações refinadas

Os preços das peças variam de 1 000 a 13 000 reais

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Da marca alemã Wissing, de acetato e textura feita com laser: 1 980 reais

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

De acetato, da marca francesa Plastic de Lux e com desenho da designer brasileira Chantal Goldfinger: 1 350 reais

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Da coleção francesa Bocca, tem sapatinhos na ponta das hastes: 3 380 reais

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

De chifre de búfalo, com acabamento artesanal em seda, da marca alemã Design Naturell: 5 720 reais

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

De madeira e feita a mão, com desenho do designer brasileiro Aran. Pode ser ajustada ao rosto: 3 300 reais

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Mosaico de casca de ovo, colado no couro da armação. Do designer francês Lucas de Staël: 13 200 reais

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 13 de novembro de 2019, edição nº 2660.

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