Morumbi: um oásis na Zona Oeste

Diversos artistas escolheram o bairro como refúgio em meio ao caos urbano

Extenso, verde e cheio de contrastes, o Morumbi deixou o passado colonial e se transformou em uma das regiões mais interessantes da capital

MODERNISMO PIONEIRO
Mais de uma década antes de o Masp e o Sesc Pompeia saírem de sua prancheta, a então recém-naturalizada arquiteta italiana Lina Bo Bardi (1914-1992) “estreou” na profissão erguendo a Casa de Vidro (foto acima), onde morou até o fim de sua vida. Construído entre 1950 e 1951 em um amplo terreno coberto pela Mata Atlântica, o imóvel recebeu esse nome por causa de uma estrutura envidraçada que parece flutuar sobre os longos pilares de sustentação.

No centro do salão de estar e jantar há um pátio, onde foi mantida uma árvore remanescente da vegetação local. Além da residência, considerada uma das primeiras do Morumbi, a proprietária planejou cuidadosamente o jardim que a envolve, em uma área de 7 000 metros quadrados. A casa foi tombada pelo patrimônio histórico em 1987 e hoje é a sede do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, constituído por um acervo com obras de arte, móveis, documentos e objetos, além de 7 500 desenhos e 17 000 fotografias.

Estádio Cícero Pompeu de Toledo, sede do São Paulo: o recorde de público em shows ocorreu em 1985, durante o da banda Menudo, quando 150 000 fãs estiveram presentes (Igor Amorim//Veja SP)

#BelezaMorumbi
Esta imagem foi eleita pelos leitores de VEJA SÃO PAULO para representar a beleza do bairro. Inspire-se nela e poste também suas fotos usando a hashtag #BelezaMorumbi

TERRA DE GIGANTES
Famoso pelos condomínios fechados e apartamentos de luxo, o Morumbi foi o bairro escolhido por muitos figurões. Por lá, eles ergueram imensos casarões ou adquiriram apartamentos suntuosos. Confira abaixo algumas personalidades que vivem no pedaço.

(Reprodução/Veja SP)


O COMEÇO DO PROGRESSO
Parte do extenso loteamento projetado pelo engenheiro Oscar Americano a partir dos anos 40, a região conhecida como Jardim Guedala começou a ser implantada uma década depois, nos moldes dos bairros-jardim desenvolvidos pela Companhia City na Zona Oeste.

Jardim Guedala, com muitos terrenos vazios: início do bairro (Acervo Tata Schmidt/Veja SP)

Nessa época, a empresa previa o esgotamento residencial de bairros como Cerqueira César e Bela Vista, e conquistou a classe média com os generosos terrenos distantes do centro, mas com preços atraentes e muita área verde.

Era comum encontrar animais silvestres passeando pelos arredores das casas recém-construídas, muitas delas substituídas pelos casarões que marcam a paisagem do lugar nos dias de hoje.

“São Paulo – Brasil: Criação, Expansão e Desenvolvimento”: obra de Antônio Henrique do Amaral, no hall nobre do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, no Morumbi (Fernando Moraes/Veja SP)

PAÇO DA ARTE
Erguido pela família Matarazzo para sediar uma faculdade jamais inaugurada, o Palácio dos Bandeirantes foi cedido ao governo em troca do perdão de dívidas do grupo industrial do clã. A sede da administração estadual guarda um rico acervo com cerca de 3 500 obras. Um percurso guiado apresenta peças importantes do modernismo brasileiro, como quadros de Portinari, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, ou o imenso painel São Paulo-Brasil: Criação, Expansão e Desenvolvimento (foto), de Antonio Henrique Amaral, que decora o hall do local.

Mata fechada na capital: destino de famílias e aventureiros desde os anos 1970 (Joca/Veja SP)

REFÚGIO NATURAL
O Parque Alfredo Volpi é um dos raros locais com mata fechada na capital. Desde os anos 70, é um destino tradicional de moradores da região que desejam tomar um refresco da paisagem urbana da metrópole, organizar um piquenique ou até mesmo observar alguns animais silvestres. O terreno, de 140 000 metros quadrados, reúne cerca de 110 espécies e basta uma caminhada pelo entorno para deparar com saguis, bichos-preguiça, papagaios e insetos. Confira abaixo alguns animais dali.

> Acará
> Alma-de-gato
> Bicho-preguiça
> Cigarra-bambu
> Gavião-de-cabeça-cinza
> Guaru
> João-velho
> Lagarto-verde
> Martim-pescador-grande
> Papa-vento
> Pica-pau-de-banda-branca
> Preguiça-de-três-dedos
> Rã-do-folhiço
> Saíra-viúva
> Socó-dorminhoco
> Tucano-de-bico-verde


Albert Einstein: inaugurado em 1971, hospital de origem judaica é referência em procedimentos de alta complexidade (Alexandre Schneider/Veja SP)

EXCELÊNCIA EM SAÚDE
Fruto da iniciativa de imigrantes de origem judaica que se instalaram em São Paulo, o Hospital Albert Einstein é referência internacional em áreas como oncologia, neurologia e pediatria. Em 1999, foi a primeira instituição fora dos Estados Unidos a receber o certificado da Joint Commission International, o mais importante órgão avaliador de serviços de saúde do mundo. Primeiro dos sete endereços da rede, inaugurado em 1971, o prédio do Morumbi realiza pronto atendimento e cirurgias de pequena, média e alta complexidades.


Favela Tour: turistas pagam para conhecer Paraisópolis (Lucas Lima/Veja SP)

FAVELA TOUR
Colada ao bairro, Paraisópolis é quase uma cidade à parte, repleta de salões de beleza, restaurantes e academias para atender as mais de 100 000 pessoas dos arredores. Caminhar pela segunda maior favela da capital (atrás apenas de Heliópolis) pode revelar coisas surpreendentes. Desde 2013, um passeio chamado Paraisópolis das Artes mostra a realidade e a rotina do local a turistas. “Os moradores se sentem valorizados”, explica Gilson Rodrigues, idealizador do circuito. O passeio custa cerca de 150 reais e pode durar o dia todo. Veja a seguir alguns dos pontos mais badalados dessa excursão.

Oficina do Berbela
O pernambucano Antônio Ednaldo ficou famoso em 2015, depois que suas esculturas apareceram na novela I Love Paraisópolis

“Gaudí brasileiro”
Construída com retalhos de arame, cimento e porcelana, a casa de Estevão Silva da Conceição lembra a obra do arquiteto catalão

Ballet Paraisópolis
Desde 2012, a coreógrafa Monica Tarragó ensina balé clássico no bairro, em projeto com mais de 1 000 alunos

Grupo de percussão Meninos do Morumbi, mantido pela ONG Associação Meninos do Morumbi: visitas de Madonna e George W. Bush (Mila Petrillo/Veja SP)

BATUCADA SOCIAL
Até a metade dos anos 90, o músico Flávio Pimenta ganhava a vida ministrando aulas de percussão a crianças abastadas do Morumbi. Em 1996, decidiu convidar alguns garotos pobres da região para tocar com ele. Assim nasceu o Meninos do Morumbi, programa que habilitou mais de 14 000 jovens e recebeu a visita de personalidades como Madonna e George W. Bush. Há cerca de um ano, a ONG passou a atuar como banda e estúdio de gravação, com cerca de sessenta integrantes fixos.

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