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Justiça condena Prevent Senior a pagar 2 milhões a paciente que tomou “kit Covid”

Juiz entendeu que houve "falha no atendimento" da operadora de saúde, paciente precisou ser transferido para outro hospital; cabe recurso

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 30 set 2021, 21h10 - Publicado em 29 set 2021, 21h38

A Justiça de São Paulo determinou em decisão liminar que a Prevent Senior pague 1,9 milhão de reais para o paciente Carlos Alberto Reis, 61, que tomou o chamado “kit Covid” após ser internado em uma unidade da capital paulista da empresa. As informações foram reveladas pelo G1.

Cabe recurso por parte da empresa. O paciente foi transferido para o Hospital Albert Einstein, por opção da família, para uma UTI e teve alta dois meses depois da internação. O valor determinado é para o pagamento ao Albert Einstein pelos custos do tratamento. A Vejinha procurou a Prevent sobre o caso, que afirma a decisão “será contestada”.

Carlos estava hospitalizado em um hospital da Prevent e tomou, segundo a decisão, “medicamento comprovadamente ineficazes, como ivermectina e hidroxicloroquina” durante o tratamento, quando estava com insuficiência respiratória. “Não se providenciou internação em UTI, recomendada pelo grave estado do paciente, sendo atendido em enfermaria e depois, por intervenção de médico de confiança da família, em UTI”.

Com a piora, a família transferiu o homem para o Einstein, que era o único com UTI disponível em março de 2020, naquela ocasião. O juiz entendeu que o Einstein proveu melhor atendimento que o da Prevent e que Carlos teve “melhor atendimento até a alta que, segundo o relatório referido, demorou por causa das intercorrências e atrasos no tratamento adequado no hospital Sancta Maggiore”.

A família relatou que precisou pedir dinheiro emprestado para pagar o Einstein mas depois recorreu à Justiça, para que a Prevent fosse condenada a pagar pelos valores do tratamento.

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ACUSAÇÕES

A operadora de saúde Prevent Senior é alvo de denúncias na CPI da Covid-19 do Senado Federal. A empresa é acusada de esconder mortes em um estudo sobre tratamento precoce contra a Covid-19 e de adulterar prontuários de pacientes que morreram da doença pandêmica, como a mãe do empresário Luciano Hang e o médico Anthony Wang.

Em depoimento à CPI, a advogada Bruno Morato, que representa um grupo de ex-médicos da empresa, afirmou ainda que a Prevent obrigava os profissionais a usarem os remédios do chamado kit covid, ineficaz contra a doença, e a alterarem o código da Classificação Internacional de Doenças no prontuário dos pacientes, retirando a menção à Covid-19. Quando as acusações vieram a público, a empresa afirmou que iria “pedir investigações ao Ministério Público” para apuração das “denúncias infundadas e anônimas levadas à CPI por um suposto grupo de médicos”. “A Prevent Senior nunca alterou o código de Covid. Não houve subnotificação de casos”, disse também a empresa.

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