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A história da Prevent Senior, no centro de escabroso escândalo médico

Empresa que começou na Mooca tem como donos os irmãos Parrillo que, além de empresários, tocam juntos em uma banda de rock

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 29 set 2021, 15h00 - Publicado em 29 set 2021, 14h53

A operadora de saúde Prevent Senior, que é alvo de denúncias na CPI da Covid-19 do Senado Federal, tem origens bem paulistanas. Começou na Mooca, no final dos anos 90, com os irmãos Eduardo e Fernando Parrillo.

Em 2017, a Vejinha fez uma reportagem sobre a vida de Fernando, atual CEO da empresa que é acusada de esconder mortes em um estudo sobre tratamento precoce contra a Covid-19 e de adulterar prontuários de pacientes que morreram da doença pandêmica, como a mãe do empresário Luciano Hang e o médico Anthony Wang.

Em depoimento à CPI, a advogada Bruno Morato, que representa um grupo de ex-médicos da empresa, afirmou ainda que a Prevent obrigava os profissionais a usarem os remédios do chamado kit covid, ineficaz contra a doença, e a alterarem o código da Classificação Internacional de Doenças no prontuário dos pacientes, retirando a menção à Covid-19.

Quando as acusações vieram a público, a empresa afirmou que iria “pedir investigações ao Ministério Público” para apuração das “denúncias infundadas e anônimas levadas à CPI por um suposto grupo de médicos”. “A Prevent Senior nunca alterou o código de Covid. Não houve subnotificação de casos”, disse também a empresa (veja vídeo com posicionamento ao final).

HISTÓRIA DA PREVENT

A vertente empreendedora do médico Eduardo e do administrador de empresas Fernando Parrillo começou nos anos 90, quando os irmãos compraram uma ambulância para fazer a remoção de pacientes graves até hospitais. “Enquanto eu dirigia, ele cuidava dos atendimentos”, disse Fernando.

O negócio cresceu, virando uma empresa especializada no transporte hospitalar até que, em 1997, começaram a Prevent Senior ao adquirir uma clínica de dezoito leitos na Bela Vista. Em vez de terceirizarem o trabalho, os irmãos focaram em investir em estrutura própria e no modelo de negócios voltado para o público maior de 60 anos de idade, construindo um plano de saúde com preços mais acessíveis para essa faixa etária.

Atualmente, a Prevent possui dez hospitais e cerca de trinta unidades de atendimento, com um faturamento de cerca de 4 bilhões de reais em 2019. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 76% dos 542 000 clientes da Prevent Senior são idosos. A média da mensalidade dos planos fica na casa dos 800 reais.

BANDA DE ROCK

Em 2017, Fernando, então baseado no penúltimo andar de um prédio da Vila Olímpia, revelou para a Vejinha que dividia sua vida entre dois empregos: o de CEO do negócio bilionário e o de músico em uma banda de rock, a Doctor Pheabes, que conta com Eduardo Parrillo nos vocais. Na cobertura do edifício, um bem equipado estúdio musical,com guitarras, amplificadores e um bar estilizado com pinturas alusivas à cultura rock’n’roll.

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“É uma tentação não passar por lá no horário do almoço e ensaiar algumas músicas”, afirmou Parrillo, que já abriu shows para bandas como Rolling Stones e Black Sabbath.

A banda Doctor Pheabes é composta também pelos dentistas Paulo Rogério e Fábio Ressio, na bateria e no baixo. Na época, eles recebiam cachês que chegam no máximo a 25 000 reais por noite. O repertório inclui músicas próprias, cantadas em inglês, e também covers.

O conjunto ganhou ares profissionais em 2009, ao gravar as primeiras músicas em estúdio. Em 2013 lançou o primeiro álbum, Seventy Dogs e em 2017, lançaram o segundo disco, Welcome to My House. Em 2019 veio o último trabalho lançado, Army of the Sun, nome também da música mais ouvida do conjunto no Spotify, com cerca de 230 000 plays.

Ainda no campo da música, outra alegação da advogada Bruna Morato é a de que a Prevent obrigava os seus funcionários a cantar um hino da operadora com a mão no peito, entre 2015 e 2017, durante eventos. “Nascemos para trilhar, um caminho a desbravar. Nascemos para viver, de lutas até morrer”, diz a letra da canção.

Em nota, a empresa afirmou que o hino era “muito mais uma brincadeira. Os médicos nunca foram obrigados a cantar”.

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