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Hospital das Clínicas oferece tratamento contra ataques de fúria

O Ambulatório Integrado de Transtornos do Impulso já atendeu cerca de 100 pessoas com a 'síndrome de Hulk'

Por Amarílis Lage Atualizado em 5 dez 2016, 15h55 - Publicado em 7 jun 2013, 17h00

Uma pessoa dirige devagar na pista da esquerda e não cede passagem a quem vem atrás. Essa situação irrita muita gente, mas é difícil imaginar alguém reagindo como o administrador Rodrigo Stefanini de Castro, de 33 anos. Em um acesso de fúria, ele tentou jogar o outro carro para fora da Marginal Tietê, batendo contra ele por quase 5 quilômetros. O outro motorista fugiu e Castro, depois de se acalmar, ficou com o veículo destruído e a namorada aos prantos, ferida no braço.

Acostumado a ter explosões de raiva desde a infância, naquela noite, no fim de 2011, ele se assustou. “Vi que eu iria matar alguém, morrer ou ser preso”, lembra. Procurando na internet informações sobre “nervosismo constante”, ele descobriu que havia em São Paulo um serviço médico especializado em casos semelhantes e resolveu buscar ajuda.Terminou em abril o tratamento. “Hoje, estou bem mais tranquilo”, garante.

 

Histórias como a de Castro fazem parte da rotina do Ambulatório Integrado de Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas. O grupo atende pessoas cuja vida fica muito comprometida por ataques frequentes de fúria — doença apelidada por alguns de síndrome de Hulk. O processo de recuperação inclui medicação com antidepressivos e terapia em grupo. Os casos mais simples apresentam melhora significativa após quinze semanas. “Os pacientes passam a ter mais controle sobre a agressividade e deixam de representar perigo”, afirma a psicóloga Liliana Seger, coordenadora do ambulatório.

Desde o início do trabalho, há cinco anos, cerca de 100 pessoas já passaram por lá. Para participar do programa, é preciso enfrentar um processo de triagem. Um dos critérios para a identificação da doença é a frequência das crises: de dois a três ataques de raiva por semana, por pelo menos três meses consecutivos. Outro é a desproporção entre o problema e a reação — um dos pacientes, lembra Liliana, quebrou a cozinha de casa por ter derramado um pouco de leite fora do copo. Além disso, o ataque é repentino (não valem agressões premeditadas) e costuma ser acompanhado por reações físicas, como suor, formigamento, tremores e taquicardia.

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Muitos pacientes demoram a buscar tratamento, pois confundem os sintomas. “Esse lado agressivo sempre me deu visibilidade no trabalho”, conta o administrador André Silva da Cruz, de 31 anos. Os exageros, porém, começaram a ficar frequentes e a cobrar um preço. O executivo xingou chefes e colegas, quebrou objetos e perdeu chances de promoção devido ao descontrole emocional. “Quase fui mandado embora do trabalho”, lembra ele, que recebeu alta do HC em abril, mas vai prosseguir, por conta própria, com uma terapia individual. “O transtorno é como diabetes, precisa ser monitorado para o resto da vida”, explica a psicóloga Liliana.

Como não ser vítimado pavio curto

Conselhos dos especialistas para evitar transtornos

› Respire. A tendência, num momento de tensão, é prender o ar. Inspira e expirar profundamente, pelo menos cinco vezes seguidas, ajuda a oxigenar o cérebro e relaxar a musculatura.

› Levante hipóteses. Situações de conflito não representam, necessariamente, um ataque direto contra você. Abordar o problema de maneira impessoal pode ajudar a aliviar a carga de stress.

› Mude de ambiente. Afastar-se da pessoa ou da situação que causou a tensão pode trazer o tempo necessário para encarar o problema de modo mais controlado.

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