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Haddad ministra primeira aula na USP desde que deixou prefeitura

A aula ocorreu na tarde desta quinta-feira (16), na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Por Estadão Conteúdo 17 mar 2017, 08h38

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) ministrou nesta quinta-feira (16) a sua primeira aula como professor da Universidade de São Paulo (USP) desde que deixou a prefeitura.

A aula de Política Moderna, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências (FFLCH), começou pontualmente às 14h com algumas cadeiras ainda vazias. Após meia hora, no entanto, a sala estava cheia.

Descontraído, o petista falou sobre a tradição liberal e a política atual com base, principalmente, nas ideias dos filósofos Montesquieu e Max Weber. “O liberalismo tem em seu cerne uma preocupação comum: evitar as formas de organização despótica”, disse.

  • Em outro momento, Haddad perguntou quem dos presentes era socialista. Depois de insistir na pergunta, dois estudantes disseram timidamente que sim e abriu-se um diálogo sobre a doutrina política e econômica.

    O ex-prefeito aproveitou o entrosamento dos alunos para falar sobre política atual. “Na modernidade, a burocracia domina e isso vale para as empresas e Estado”, disse. Ele não arriscou, porém, um palpite sobre as eleições presidenciais de 2018. “É muito difícil prever a eleição do ano que vem”.

    Em tom de crítica, também falou sobre Direito Penal no Brasil. “Tudo o que eu aprendi na Faculdade de Direito não está valendo hoje no Brasil”. E aproveitou para comentar sobre liberdade de expressão. “A pessoa não pode se sentir insegura pelas ideias em que acredita. Isso é grave e eu me sinto assim”, lamentou.

    Nas duas primeiras horas de aula, o silêncio só era interrompido quando o professor questionava os alunos, que riam ou logo respondiam às perguntas. O clima continuou amigável no intervalo quando os estudantes disputavam a atenção de Haddad, inclusive nos corredores do edifício.

    Antes dessa, suas últimas aulas na USP haviam sido em 2015, quando Haddad interrompeu um hiato de doze anos sem lecionar. Na época, ainda era prefeito da capital.

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