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Avenida Nove de Julho tem diferença de até 176% no valor dos imóveis

Pesquisa do Grupo ZAP revela que a avenida tem extremos imobiliários entre o metro quadrado mais barato e o mais caro

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 24 jul 2020, 15h47 - Publicado em 24 jul 2020, 05h00

Os seis quilômetros da Nove de Julho surpreendem pela transformação da paisagem. A avenida que serpenteia Jardins e Itaim Bibi começa, na verdade, lá no Centro. Mas é no trecho final que ganha valor, literalmente. Pesquisa do Data ZAP aponta uma diferença de até 176% no preço do metro quadrado para lançamentos de apartamentos entre os dois extremos (veja gráfico ao final). Não é por acaso.

O preço cai sensivelmente depois que a via passa por baixo da Avenida Paulista, no sentido do Metrô Anhangabaú. “Existem muitas qualificações na região do Jardins, em termos de infraestrutura urbana, oferta de serviços, qualidade da paisagem”, explica a arquiteta Adriana Levisky, do escritório homônimo. O lado rico conta com condomínios de luxo e hotéis, diversos tipos de restaurante, casarões, além de trechos com dois canteiros centrais arborizados. Já o Centro, a velha fórmula do abandono.

175% é a diferença no valor do metro quadrado para casas térreas entre o metrô Anhangabaú, onde o valor é de 4 095 reais, e a Rua Turquia, o pico do segmento: 11 281 reais

Apesar da estação de metrô mais próxima, áreas como a Praça 14 Bis estão degradadas, mesmo com a reforma da prefeitura em 2018. “Moro de frente para o viaduto (Doutor Plínio de Queirós). Tem muita sujeira, fica muito escuro à noite, mas também dá medo de andar ali de manhã”, diz Maria dos Remédios, 56, costureira que vive há dezoito anos em apartamento por ali. “Por mim aquele viaduto não existia. Se tirassem e colocassem árvores, ficaria maravilhoso. É o sonho da gente”, conta.

Não por acaso, esse é o projeto do escritório de Adriana, apresentado para a prefeitura em 2011, mas nunca colocado em prática pelo poder público. A ação partiu da Rede Social Bela Vista, que procurou o escritório para elaborar um plano de revitalização, que inclui a demolição do viaduto Plínio e a criação de uma via subterrânea que passa por baixo da praça, além de arborização da região e a expansão da praça, com áreas de convivência. “A gente mudaria um espaço que hoje é degradado, escuro, cheio de sucata de carro velho e ocupações irregulares para um ambiente aberto, iluminado, permitindo a conexão da população moradora. O que também levaria a uma valorização da região”, diz Adriana. Procurada, a administração afirma que não está prevista, até o momento, nenhuma ação de revitalização da região. A Nove de Julho vai continuar, sabe-se lá por quanto tempo, dividida.

Marcelo Cutti/Veja SP

1- Rua Turquia

Rua Turquia Rogério Pallatta/Veja SP

A esquina com a via, no trecho que vai até a Rua Amauri, é o metro quadrado mais caro para casas térreas: o lado do Jardim Europa concentra enormes mansões.

Avenida Brasil. Rogério Pallatta/Veja SP

 

2- Avenida Brasil

O metro quadrado no trecho é um dos mais caros para casas térreas com 300 metros quadrados, beirando os 11 000 reais, outro dado do Grupo ZAP.

3- Rua Honduras

Rua Honduras. Rogério Pallatta/Veja SP

Entre a Praça das Guianas e a Honduras, a Nove de Julho é bem arborizada. As clínicas médicas e escritórios de advocacia são servidos também por uma ciclovia.

 

Alameda Lorena. Rogério Pallatta/Veja SP

4- Alameda Lorena

O escritório do C6 Bank e outros condomínios empresariais marcam o trecho, que tem o pico final do metro quadrado para apartamentos antes do índice começar a cair bruscamente depois do Túnel Nove de Julho.

Túnel Nove de Julho. Rogério Pallatta/Veja SP

5- Túnel Nove de Julho

Após o cruzamento com a Alameda Itu, sobra um paredão inóspito ao pedestre que indica a vinda do túnel de 1938, com 1 quilômetro de extensão embaixo da Paulista. Depois, o sentido Centro.

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6- Lado do centro do túnel

Lado do Centro do Túnel. Rogério Pallatta/Veja SP

Hospital 9 de Julho e outras clínicas ficam ao redor da região. O metro quadrado despenca para casas e apartamentos daqui para a frente, atingindo o índice mais baixo no metrô Anhangabaú.

7- Praça 14 Bis

Depois da Paulista, o metro quadrado entra em queda e o local tem um dos valores mais baixos, mesmo com a revitalização da prefeitura em 2018.

Praça 14 Bis. Rogério Pallatta/Veja SP

8- Viaduto Plínio de Queirós

“Com a demolição do viaduto, propomos a reconexão de duas regiões da cidade”, diz Adriana Levisky. A arquiteta afirma que o mostrengo, inaugurado nos anos 70, dividiu a região do Bixiga e da Consolação: seu fim traria uma integração cultural e econômica da região.

Viaduto Plínio de Queirós. Rogério Pallatta/Veja SP

9- Visão do Viaduto Nove de Julho da Rua João Adolfo e Viaduto Doutor Eusébio Stevaux

Prédios pichados e degradados, ruas sujas e poucas faixas de pedestre caracterizam o local, a “boca do lixo” da Nove de Julho.

Rua João Adolfo e Viaduto Doutor Eusébio Stevaux. Rogério Pallatta/Veja SP

 

 

 

 

 

 

10- Metrô Anhangabaú

O espaço mais degradado na Nove de Julho é, claro, o mais barato. Atinge aqui o valor mínimo de 7 342 reais o metro quadrado para apartamentos novos.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 29 de julho de 2020, edição nº 2697.

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