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Terraço Paulistano Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos, empresários e pessoas de outras áreas que são destaque na cidade. Por Humberto Abdo.

Conhecida no teatro, a atriz paulistana Magali Biff brilha em novela

Aos 64 anos, ela celebra em 'Amor de Mãe' o primeiro personagem fixo em tramas da Globo

Por Dirceu Alves Jr. - Atualizado em 30 dez 2019, 10h33 - Publicado em 27 dez 2019, 06h00

No encerramento do capítulo de 4 de dezembro da novela Amor de Mãe, a dona de casa Jandira, de 87 anos, explodiu de emoção ao ver uma foto em que ela está com a pequena Magali, a primogênita de seus dois filhos, exibida depois dos créditos finais. “Foi lindo perceber a alegria da minha mãe, uma senhora simples, que jamais imaginou aparecer na televisão”, conta a garotinha do retrato, a paulistana Magali Biff, que, na ativa desde 1983, é uma atriz premiada e disputada por grandes diretores do teatro brasileiro.

Com mais de quarenta espetáculos no currículo, a artista, de 64 anos, ganhou pela primeira vez um papel fixo em uma trama da Rede Globo. “Fico feliz de chegar lá só agora, porque não carrego nenhum deslumbre, é apenas mais um bom trabalho que também vai acabar”, declara, realista. No folhetim das 9, ela é a batalhadora Nicete, mulher humilde, que criou os dois filhos (representados por Isis Valverde e Paulo Gabriel) vendendo bolos e, hoje, se vê atormentada pelo desaparecimento do rapaz. “Estou voltando um pouco às minhas origens, porque enxergo em Nicete muito da minha mãe e sua batalha ao lado do meu pai, um eletricista, para nos dar o melhor”, diz Magali, que não teve filhos e, para reforçar a angústia da personagem, parou de pintar o cabelo há quatro semanas.

Magali Biff Silva cresceu no bairro da Mooca. Ao contrário da maioria dos colegas, não viveu o despertar da vocação artística na adolescência ou no começo da juventude. Aos 20 e poucos anos, cursava física na USP e lecionava matemática em um curso pré-vestibular. “Eu era completamente igno rante em teatro, não conhecia os grandes dramaturgos nem os clássicos”, reconhece ela, que ensaiou uma mudança de rota ao ingressar sem pretensão no grupo de teatro então recém-criado no Instituto de Física. Dois anos depois, a futura cientista acumulava também as aulas da Escola de Arte Dramática (EAD), e a vida dupla não tardou a anunciar o desfecho. Magali, exausta diante dos cálculos, abandonou a física no ano em que se formaria.

Lembrança da infância: Magali, com 1 ano, no colo da sua mãe, Jandira Acervo Pessoal/Divulgação

Em 1983, o espetáculo Mahagonny Songspiel, comandado por Cacá Rosset, marcou a profissionalização da atriz e abriu caminho para parcerias com os diretores Zé Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas e Gabriel Villela. “Sou absolutamente despida de vaidade e de pudores, então o meu encontro com esses grandes artistas foi marcado pela vontade de descobrir um resultado em grupo”. afirma. O diretor Felipe Hirsch, parceiro desde 2005 em espetáculos como Avenida Dropsie, Puzzle, A Tragédia Latino- Americana e Fim, endossa as qualidades da intérprete. “Magali une o entendimento da ideia da direção e a transformação disso em algo pessoal, único, por isso dela nunca vem uma composição genérica, é sempre muito preciosa”, elogia. Antes de Amor de Mãe, a atriz se limitou a pontas em produções da Globo.

Seu papel de maior destaque no vídeo foi na novela infantil Chiquititas, exibida pelo SBT em 1997, como a bedel do orfanato onde circulavam as crianças da história. “Acho que muita gente não acreditava que eu fosse capaz de oferecer uma interpretação econômica, contida, porque eu era vista como expressiva, exuberante no palco”, diz. “O cinema talvez tenha mudado essa impressão e me aberto portas”, completa.

De 2016 para cá, Magali teve a chance de provar sua versatilidade nos filmes Pela Janela, Deserto, Açúcar e no ainda inédito O Outro Verão, trabalhos que, junto de Amor de Mãe, expandiram seu talento e lhe despertaram um interesse crescente pelo audiovisual. “Quero cada vez mais bons papéis em filmes, novelas e séries”, avisa. “Confesso que, depois dos 60, acho o teatro, com suas longas horas de ensaios, muito cansativo, e também é frustrante para um artista preparar um espetáculo durante meses para vê-lo em cartaz somente por cinco ou seis semanas.”

TRAJETÓRIA NOS PALCOS

Jean Charles/Divulgação

K (1994)

Dirigida por Rubens Rusche, Magali (no fundo) contracenou com Antonio Galleão e venceu o Prêmio Shell de melhor atriz

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Avenida Dropsie (2005)

Magali dividiu o palco com, entre outros, Guilherme Weber em primeira parceria com o diretor Felipe Hirsch, na adaptação teatral das histórias do quadrinista Will Eisner

João Caldas/Veja SP

Calígula (2008)

Thiago Lacerda e a atriz em destaque na versão do diretor Gabriel Villela para obra de Albert Camus

 

Fim (2019)

O mais recente trabalho de Magali nos palcos, dirigido novamente por Felipe Hirsch, foi visto na cidade entre março e abril

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 1 de janeiro de 2020, edição nº 2667.

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