Cat Dealers, o novo duo de música eletrônica entre os melhores do mundo

Os irmãos Pedrão e Lugui ficaram conhecidos com o remix de 'Oração' e roubaram a cena antes do show da Shakira

É comum para as aberturas dos grandes shows em estádio ter um artista ou grupo que tenta – por muitas vezes em vão – animar a plateia antes da atração principal. É normal também que esse nome não chame tanta atenção, dando tempo para a galera buscar bebidas, sentar, comer enquanto rola o som. No mês passado, para as apresentações da Shakira, os responsáveis por essa missão foram os irmãos Pedrão e Lugui, DJs e produtores que juntos formam Cat Dealers.

No entanto, a experiência do público com eles foi bem diferente. Já com o estádio lotado para receber a colombiana, a dupla suou a camisa, mas fez a turma dançar e esquentar o corpo para as horas seguintes, com direito a coro, celulares acesos e muitas luzes. “No final da turnê, a própria Shakira veio elogiar e agradecer a gente pela performance”, diz Pedrão.

Ambos criados no Rio de Janeiro, Pedrão cursava faculdade de design enquanto Lugui, o mais novo, pesquisava em casa programas para produzir música eletrônica. “Repeti de ano e fui fazer o supletivo em seguida, entrei em produção musical”, conta Lugui. Já o irmão decidiu seguir o caminho também: trancou a primeira faculdade e foi fazer a mesma escola. “Trabalhávamos juntos 12 horas direto”, lembra Pedrão. A mãe, Luciane, apoiava e não se importava em deixar os filhos virarem a noite nas produções. “Ela é mais alternativa, abre tarô, é bem aberta”, diz Pedro.

Com algumas composições debaixo dos braços, eles tinham como referência um outro duo carioca, o Felguk, que já passeava pela lista dos 100 melhores DJs da DJMag. Toparam, então, no fim de 2015, organizar de vez o projeto, agora já com o nome Cat Dealers. As duas primeiras incursões foram o remix da música Oração, da Banda Mais Bonita da Cidade, e Your Body, uma versão pop-eletrônica mais moderna para a faixa de Tony Novy. do começo dos anos 2000. “O primeiro show que fizemos foi em Belém, para cerca de 200 pessoas”, diz Pedrão. E a agenda aumentou progressivamente: dois em um mês, no seguinte, quatro, depois oito, doze… Atualmente, a média é de quinze por mês, normalmente aos fins de semana, o que pela matemática pode ter até três em uma noite.

Vieram também as viagens. Passaram por três turnês pela Ásia, com performances no Japão, China e até Vietnam, se apresentaram no Rock in Rio, no ano passado, México, África do Sul e abriram apresentações na Espanha para David Guetta. “A China foi bem diferente”, diz Lugui. “Por lá, os clubes são os que têm as melhores tecnologias de som e também os camarotes que você é obrigado a agradar”, conta.

Como dois bons irmãos, as brigas também faziam parte da rotina — o que não acontece mais, eles garantem. “No começo, cada um queria testar alguma coisa diferente, então, rolavam as discussões”, conta Pedrão. “Agora, a gente sabe o que funciona e isso não rola mais mesmo”, diz. “Temos gostos diferentes: se deixar mais na mão do Pedro, os sets vão ficar mais alternativos, nas minhas, eu tenho uma pegada mais pop”, diz Lugui. O segredo, segundo eles, é balancear. “Eu aprendi muito de música fuçando no computador do Pedro”, confessa o mais novo.

O tempo de 200 pessoas na plateia também ficou para trás. Este ano, a dupla já subiu no palco do Lollapallooza, “que deu mais nervoso” e se apresentou para mais de 40 000 pessoas no Allianz Parque, ao abrir o show da Shakira. No mesmo mês, saiu o ranking 2018 dos melhores DJs do mundo e os irmão receberam a notícia: pela segunda vez na lista, eles pularam da 74ª posição para 48ª, à frente de nomões como Deadmau5 e Paul van Dyk.

Os irmãos dos gatos

Com a ideia do projeto na cabeça, os irmãos precisavam de um nome para batizá-lo. “Uns anos atrás, minha mãe começou a resgatar gatos de rua, cuidar e dar para adoção”, conta Pedro. No entanto, a casa foi ficando cada vez mais populosa com os felinos. “Toda vez, a visita falava: quantos gatos! E a gente perguntava se ela queria levar algum para casa”, explica.

Desta forma, nomearam a empreitada de Cat Dealers, em português, “negociantes de gatos”. Hoje, eles garantem que restam apenas nove e nenhum deles está para adoção. “Agora, a gente se apegou e são nossos”, completa Lugui.

 

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