Ao mestre Rubens Ewald Filho, com carinho

O maior e mais famoso crítico de cinema morreu nesta quarta (19), aos 74 anos

Já fiz um post sobre o Rubens Ewald Filho como profissional. Este é um post em homenagem ao grande mestre e amigo que ele foi. Conhecia o trabalho de Rubens desde criança, quando lia suas críticas no Jornal da Tarde. Sempre fui muito ao cinema e tinha até um caderninho onde anotava minhas impressões sobre os filmes. Ao me formar em jornalismo e já bastante apaixonado por cinema, só havia uma coisa que eu gostaria de fazer na área: escrever sobre cinema. Mas era um nicho muito fechado e parti para trabalhar com produção de publicidade. Só assumi, realmente, a crítica de cinema no extinto Diário Popular, em 1992.

Cruzava de vez em quando com Rubens nas sessões para a imprensa, mas só o cumprimentava de longe. Ele era um mito, uma lenda, um gigante perto de mim, que era um mero calouro. Sempre, mas sempre mesmo, acompanhei as transmissões do Oscar e sempre me espantava com a memória prodigiosa de Rubens em lembrar os nomes dos artistas. E, claro, como tantos colegas, fiquei triste quando, justamente neste ano, Rubens ficou de fora e não comentou o Oscar ao vivo na TNT.

Quando cheguei à Veja São Paulo, no início de 2000, passei a vê-lo com mais constância. E eu sempre mantendo uma certa distância – ainda o tinha como um ídolo. Em maio de 2003, fiz uma matéria de capa para a revista em que um júri escolheu os melhores cinemas de São Paulo. Rubens era um deles e estampou a capa ao lado de Marina Person, Cunha Jr. e Bete Coelho. Começamos a nos aproximar mais.

Até que um dia, Rubens me disse que gostava muito dos meus textos, que suas opiniões quase sempre combinavam com as dele e (me perdoe meus colegas que passaram pela Vejinha no mesmo cargo que ocupo) que eu era o crítico mais certo para estar na Veja São Paulo. Guardo esse elogio até hoje, algo que não tem preço.

A partir daí, ele virou mais que um colega, virou um amigo. Fui jurado no Festival de Paulínia e no Festival de Gramado por causa do Rubens. Sua partida é precoce (74 anos!) e a lacuna que ele vai deixar é muito grande. Nunca existiu um crítico como Rubens Ewald Filho e não consigo enxergar nem nas velhas nem nas novas gerações alguém com tanto talento: talento para opinar, talento diante da câmera, talento para o improviso, talento para a sinceridade, talento com a memória, talento com o profissionalismo. Além do grande crítico de cinema, era um gentleman. Nunca o vi destratar ninguém e sempre tratou o velho crítico de jornal e o novo blogueiro com a mesma generosidade.

Vá em paz, meu amigo.

 

 

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