Documentário relembra vida e obra de Adoniran Barbosa

A produção traz à tona momentos pessoais e da carreira na música, no rádio, na TV e no cinema do poeta popular

João Rubinato “roubou” o nome e o sobrenome de amigos para virar Adoniran Barbosa e, assim, se tornou sinônimo do samba de São Paulo em canções marcantes como Saudosa Maloca, Iracema e Trem das Onze. Essa é apenas umas das curiosidades de Adoniran — Meu Nome É João Rubinato, documentário em cartaz nos cinemas, que traz à tona a figura carismática do cantor e compositor, que nasceu em Valinhos, em 1910, e morreu em 23 de novembro de 1982.

O compositor nos anos 50: produção tem cenas raras

O compositor nos anos 50: produção tem cenas raras (Divulgação/Divulgação)

Paulistano, o diretor Pedro Serrano, de 32 anos, nem era nascido naquela época. Lembra, porém, que escutava as músicas de Adoniran na escola quando criança. Virou um estudioso do poeta popular ao filmar o curta- metragem Dá Licença de Contar, uma ficção estrelada por Paulo Miklos que passeava pelo cancioneiro do artista. “Como cineasta da capital paulista, era quase uma obrigação fazer um registro sobre ele”, diz. Entre depoimentos atuais e material de arquivo, Serrano acumulou duzentas horas, reduzidas para 92 minutos. Depois de muita batalha pelos direitos autorais, duas cenas raríssimas foram agregadas — são as participações de Adoniran nas comédias Caídos do Céu (1946) e A Pensão de Dona Stela (1956).

O compositor enveredou pelo cinema (também atuou no premiado O Cangaceiro e ao lado de Mazzaropi em Candinho), pela TV (fez novelas como Mulheres de Areia, na Tupi, em 1973) e começou a carreira como humorista na Rádio Record. “O maior estrelato que ele conseguiu foi interpretando Charutinho no rádio”, revela o realizador. A transformação urbanística de São Paulo, cantada nos versos de Adoniran, é igualmente vista pelas lentes do cineasta. O Papai, por exemplo, tradicional restaurante na Avenida São João, muito frequentado por ele, cedeu seu espaço para uma farmácia.

Veja o trailer e leia crítica de Miguel Barbieri sobre o documentário aqui.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 29 de janeiro de 2020, edição nº 2671.

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