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Vinho e Algo Mais Por Por Marcelo Copello Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Entendendo a Borgonha: saiba mais sobre a clássica região francesa

Indicamos rótulos produzidos naquela área

Por Marcelo Copello Atualizado em 17 jun 2021, 23h56 - Publicado em 18 jun 2021, 06h00

Enquanto a região francesa de Bordeaux foi impulsionada pelo mercado inglês e pela competição, voltada para a exportação e o comércio, a Borgonha foi inventada pelas ordens monásticas, muito mais presentes e atuantes na França (e Alemanha) que na própria Itália, sede da Igreja.

Se a classificação de Bordeaux de 1855 foi baseada em preços, com forte disputa entre os produtores, a da área da Borgonha foi cunhada por monges, sem nenhum interesse comercial, voltada apenas para a qualidade. Enquanto os vinhos bordaleses eram vendidos para fora, os borgonhas eram consumidos pela nobreza e pela Igreja.

Para os nobres, ser dono de um bom vinhedo na Borgonha era uma indicação de status — quando o príncipe Conti comprou o vinhedo Romanée, em 1760, ele reservou sua produção inteira para seu uso pessoal. A Borgonha é de longe a região mais classificada e subdividida no mundo, muitas vezes descrita como um mosaico.

Essa pequena região faz apenas 3% do vinho da França, mas detém cerca de 20% das Appellation d’Origine Contrôlée (AOC) do país. São 100, muitas delas divididas em climats (ou lieu-dit), áreas delimitadas de um vinhedo com qualidade e individualidade reconhecidas ao longo do tempo. Existem alguns milhares de climats e, para complicar, eles podem ter vários donos, que fazem vinhos de qualidades diferentes. As AOC borgonhesas estão divididas em quatro níveis: regionais, comunais, premier crus e grand crus.

As primeiras são as mais genéricas e representam cerca de 51% de todo o vinho da Borgonha. São vendidas com o nome de uma uva ou uma extensa área. É o caso da Appellation Bourgogne Aligoté Contrôlée e da Appellation Bourgogne Côte Chalonnaise Contrôlée. As AOC comunais trazem o nome da vila onde está o vinhedo e representam 37% da produção. Um exemplo é a Appellation Nuits-Saint-Georges Contrôlée.

A linha de premier crus tem apenas 10% da produção e traz na etiqueta o nome do climat após o nome da vila, como Nuits-Saint-Georges Premier Cru Les Vaucrains. Finalmente, os grand crus estão no topo da pirâmide, com apenas 1,4% da produção. Os rótulos trazem somente o climat. São 33: uma apelação para Chablis, oito em Côte de Beaune e 24 na Côte de Nuits, onde fica a Appellation Clos de Vougeot Grand Cru Contrôlée, por exemplo.

 

Abaixo, três vinhos produzidos naquela área:

Buissonnier Grand Vin de Bourgogne Mercurey AOC 2018Rubi violáceo claro e brilhante. Aroma de boa intensidade, focado nas frutas vermelhas frescas, como morango e framboesas, notas de bosque úmido, tabaco e especiarias doces. Paladar leve e fresco, com taninos e acidez agradavelmente presentes, tornando o vinho gastronômico. R$ 209,90. Compre aqui: Evino.

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Ropiteau Frères AOC Bourgogne Chardonnay 2016
Amarelo palha com reflexos dourados, claro e brilhante. Aroma de boa tipicidade da casta e região, com notas de frutas amarelas maduras, madeira discreta, baunilha, abacaxi, lima, chá de camomila e manteiga. Paladar leve e de textura macia, com acidez equilibrada. Uma boa porta de entrada para os brancos da região. R$ 249,30. Compre aqui: Wine.

Marchand Grillot Gevrey-Chambertin 2015
Um borgonha de nível village, da vila de Grevrey. Rubi médio, notas de morango e cereja, tabaco e especiarias. Paladar de boa estrutura, com bom meio de boca, taninos doces e macios, boa acidez. R$ 550,00. Compre aqui: Amazon.

 

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