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Filmes e Séries - Por Barbara Demerov

O que funcionou e o que não funcionou na cerimônia do Oscar 2021

Formato inédito em 93 anos entregou pontos altos ao longo da noite, mas desfecho do evento deixou a desejar

Por Barbara Demerov 26 abr 2021, 12h38

A aguardada cerimônia do Oscar 2021 aconteceu no último domingo (25) e contou com algumas vitórias já muito esperadas – como foi o caso da diretora Chloé Zhao e de seu elogiado filme Nomadland.

A edição, que ocorreu simultaneamente em dois lugares a fim de dispersar aglomerações em ano de pandemia, foi dirigida pelo cineasta Steven Soderbergh (vencedor da estatueta de Melhor Direção em 2001 por Traffic) e contou com inúmeros momentos divertidos e emocionantes. Afinal, ver Glenn Close rebolando e ouvir o discurso delicado de Zhao na mesma noite é algo, no mínimo, interessante.

Soderbergh tinha em mente a ideia de entregar aos espectadores do mundo todo a sensação de se estar assistindo a um filme ao vivo, e isso de fato aconteceu por boa parte do tempo. A cerimônia de 3h de duração foi divertida, contou com pouquíssimos erros e, além disso, a direção dinâmica da câmera – que aproveitou bem o espaço amplo para criar “planos-sequência” entre anúncios e discursos – trouxe um resultado satisfatório.

Essas escolhas técnicas, trabalhando em conjunto com a selação de apresentadores, trouxeram dinamismo dentro da proposta (até então inédita nesta cerimônia tradicional) para exemplificar que, sim, os tempos são outros. Outro fator que aumentou a curiosidade do público foi a mudança na ordem de entrega dos prêmios; a categoria de Direção aconteceu no meio da cerimônia, enquanto as de Melhor Ator e Melhor Atriz inesperadamente fecharam a noite. Além disso, o discurso de abertura feito pela atriz e diretora Regina King começou o evento com o pé direito e, inclusive, fez questão de citar a importância do filme brasileiro Cidade de Deus para a Sétima Arte.

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As mudanças surpreenderam mas não tiveram uma má recepção. Em um ano como este, em que a Covid-19 ainda faz parte da realidade de todos mundo afora, a reinvenção do formato do Oscar foi bem-vindo e, como já foi visto desde o anúncio, refletiu nos indicados às estatuetas. A Netflix, por exemplo, foi a líder em indicações com um total de 36; venceu 7, algo que expressa o crescimento do streaming nos últimos dois anos. Mank, seu chamariz, recebeu duas estatuetas técnicas – Fotografia e Design de Produção, e O Som do Silêncio, do Amazon Prime Video, foi agraciado com prêmios de Som e Montagem.

É claro que o cinema tradicional foi o ponto marcante da noite, uma vez que Nomadland, o maior vencedor de 2021, garantiu sua exibição nos cinemas e já estava sendo aclamado desde setembro do ano passado ao vencer o principal prêmio do Festival de Veneza. A chama do cinema está viva, mas houve um equilíbrio agradável dentre os premiados da noite. Apesar de o Oscar ter anunciado que indicaria filmes de qualquer plataforma (digital e cinema) apenas neste ano fora da curva, é improvável que a regra se manterá de pé diante do crescimento de produções e a preferência dos diretores com relação ao streaming.

Por isso, é justo dizer que sim: o Oscar 2021 funcionou bem dentro das claras limitações (reconhecidas há meses) de convidados e espaços. Mas não dá para dizer que ele foi perfeito. Enquanto diretor, Soderbergh contava com artifícios que provavelmente iriam acontecer, só que nem tudo saiu como o planejado. Apesar de claramente roteirizada, a cerimônia parecia se apoiar até demais em vitórias como a de Chadwick Boseman na categoria de Melhor Ator, mas o resultado foi para o fantástico Anthony Hopkins (que também não estava esperando por isso e, ausente do evento, não chegou a gravar vídeo de agradecimento a tempo). Por isso, a surpresa veio em uma via de duas mãos: Hopkins se tornou o ator mais velho a receber um Oscar (83 anos) e Boseman não recebeu uma homenagem final.

Além disso, a penúltima categoria também não foi tão impactante em termos de discurso: Viola Davis, uma das favoritas em Melhor Atriz, não levou a estatueta e a vencedora, Frances McDormand, discursou rapidamente. A 93ª edição acabou abruptamente com a ausência do discurso de Hopkins e, assim, não entregou aquela agitação final.

Com tais surpresas, o Oscar 2021 perdeu um de seus maiores atrativos: o desfecho, que sempre veio com a emoção do anúncio de Melhor Filme e, por consequência, longos discursos e comemorações do público ali presente. Portanto, o maior ponto negativo da edição se deve pelo fato de Soderbergh ter cedido às expectativas gerais na procura de um clímax marcante, mas acabou que a jornada foi mais chamativa que o destino final.

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