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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Trinca esquecida do modernismo ganha exposição no Museu de Arte Moderna

Público vê produções, algumas inéditas, de John Graz e dos irmãos Antonio e Regina Gomide, membros da Semana de Arte Moderna de 1922 com poucos holofotes

Por Tatiane de Assis Atualizado em 10 jun 2021, 20h44 - Publicado em 11 jun 2021, 06h00

Desafios da Modernidade — Família Gomide-Graz nas Décadas de 1920 e 1930 está em cartaz no Museu de Arte Moderna (MAM). Durante o período em que estudou na Escola de Belas Artes de Genebra, entre os anos de 1913 a 1915, o suíço John Graz (1891-1980) conheceu os irmãos Antonio Gomide (1895-1967) e Regina Gomide (1897-1973), também artistas como ele. Graz viria a se casar com Regina na cidade de São Paulo, em 1920, quando se mudou para cá em definitivo.

pintura o encontro, de antionio e regina gomide
O Encontro (1930) e trabalho em tecido com técnica de patchwork (abaixo): peças de Antonio Gomide e sua irmã Regina Gomide, artistas relegados ao segundo plano Bruno Macedo/Divulgação
trabalho em tecido com técnica de patchwork, de antionio e regina gomide
Estevan dos Anjos/Divulgação

“Embora John Graz tenha participado da Semana de Arte de 1922, ele é pouco citado nos estudos de revisão sobre o evento, produzidos a partir de 1950. Entre 1920 e 1930, ele desenvolveu sobretudo trabalhos relacionados à arquitetura de interiores. Essa atividade não era devidamente valorada, porque não se via além da pintura, gravura e escultura”, explica a curadora Maria Alice Milliet, que selecionou para a mostra um conjunto de oitenta itens, incluindo mobiliários criados por ele para Fúlvia e Adolpho Leirner, hoje mantidos em uma coleção que leva o nome do casal.

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Obra em tecido Composição com Figuras (1925): exemplo da produção do casal John Graz e Regina Gomide Romulo Fialdini/Divulgação

A curadora traz ainda justificativas para as obras de Regina também terem sido relegadas ao segundo plano. “Ela ficou à sombra do marido. Outro ponto é que trabalhava com tapeçaria e outras linguagens ligadas ao manual, algo que não era bem-visto e aceito à época”, pontua. Quando questionada se a representação idealizada de grupos indígenas em telas e relevos de Antonio Gomide também alimentava certo rechaçamento à produção do artista, Maria Alice enfatiza: “Eles procuraram incorporar a temática brasileira em seus trabalhos. Contudo, Tarsila, por exemplo, conseguiu uma linguagem própria, o que não foi o caso do Gomide”. Constitui ainda um elemento para pouca visibilidade do trabalho dessa trinca o fato de muitas obras deles terem sido produzidas para ambientes particulares, como residências de famílias paulistanas de classe alta. “A exposição é uma oportunidade única, tanto pela diversidade das peças quanto pelo ineditismo. Algumas delas nunca tinham sido exibidas ao público, porque pertenciam a coleções particulares”, diz a curadora em tom de convite aos visitantes.

> MAM. Parque Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portões 1 e 3, Tel.: 5085-1300. Entrada R$ 20,00. Grátis aos domingos. Visitação mediante agendamento: tinyurl.com/p5ufz5ee. Até 15 de agosto.

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Publicado em VEJA São Paulo de 16 de junho de 2021, edição nº 2742

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