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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Morre o artista brasiliense Pedro Ivo Verçosa, de 34 anos

Artista foi um dos idealizadores do espaço independente Breu, na Barra Funda

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 4 May 2020, 19h59 - Publicado em 4 May 2020, 19h58

O artista Pedro Ivo Verçosa morreu em Brasília no último domingo (3). Pedro tinha 34 anos e foi um dos idealizadores do espaço independente Breu, no bairro da Barra Funda. Ele era formado em artes plásticas na Universidade de Brasília (UnB). Junto com o artista Felipe Cavalcante, foi editor da revista Sem/ Registro, dedicada a gravuras impressas em serigrafia.  A causa da morte não foi divulgada.

Sua última exposição, Há Quanto Tempo?!, na Alfinete Galeria, era composta por 72 telas, nas quais registra personagens de costas. Eram marcas de reencontros com amigos ou conhecidos. “Quando registro alguém de costas, é alguém que ainda não conheço, que não tenho intimidade ou a pessoa que já não reconheço mais, mas que ainda está ali”, afirmou o artista ao Correio Braziliense. Logo na entrada do Breu, também era possível ver um pouco de seu trabalho, em um conjunto de pinturas em que ele retratava folhagens.

Espaço Breu
Espaço Breu: pinturas de Pedro Ivo no lado direito da imagem Reprodução/Instagram/Veja SP

Amigo de Pedro, Julio Lapagese escreveu uma homenagem ao artista:

O Pedro não só foi um artista multimídia pois além da pintura, ele fazia colagem, desenho, fotografia e etc. Inclusive o Pedro foi um dos importantes pintores da geração dele. Sabia e enxergava a pintura de forma que poucos enxergavam.

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De uma sensibilidade absurda, o Pedro pintava com a alma dele. Antigamente ele dizia que sofria pra pintar. Passava horas e horas na frente da tela. Recentemente ele já dizia que na pintura ele encontrava uma certa paz. Já não sofria mais.

O Pedro era muito generoso. Abria as portas de seu ateliê (seja em Brasília ou em SP) para todo e qualquer um que se interessava pelo que ele estava produzindo (fosse um trabalho na tela, fosse produzindo uma exposição). Rigoroso em tudo que ele propusesse a si mesmo, e gentil e dócil com todos que lhe pediam ajuda e conselho. Foi com Pedro que decidi ser artista. Me inspirou e em momentos de maior crise, era ao Pedro que eu recorria, e ele não poupava em me dizer “Você é artista Julio!”. Isso não acontecia só comigo. Todos do BREU viveram isso com ele.

Sou grato ao Pedro por isso, pelas lições de arte e vida, e principalmente pelo carinho que nunca lhe faltou.

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