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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 28 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Hell’s Kitchen: a noite dos críticos

Participei do programa Hell’s Kitchen a convite da chef Danielle Dahoui, titular desta temporada, no episódio que foi exibido na noite de sábado (4). Dona do Ruella, um trio de bistrôs modernos de grande sucesso em São Paulo, a chef-empresária é a primeira mulher no mundo a apresentar o programa, anteriormente conduzido por Carlos Bertolazzi, […]

Por Arnaldo Lorençato Atualizado em 25 fev 2017, 20h47 - Publicado em 3 dez 2016, 20h39
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No restaurante: com as colegas Alexandra Forbes e Luiza Fecarotta (Fotos: SBT)

Participei do programa Hell’s Kitchen a convite da chef Danielle Dahoui, titular desta temporada, no episódio que foi exibido na noite de sábado (4). Dona do Ruella, um trio de bistrôs modernos de grande sucesso em São Paulo, a chef-empresária é a primeira mulher no mundo a apresentar o programa, anteriormente conduzido por Carlos Bertolazzi, do Zena Caffè.

No episódio, faço uma participação ao lado de minhas colegas, as jornalistas Alexandra Forbes e Luiza Fecarotta. Nossa incumbência era avaliar uma amuse bouche, maneira como os franceses se referem a um pestiquinho servido para agradar o paladar logo que se chega a um restaurante. Na maioria das casas, costuma ser uma cortesia.

Dahoui: recebeu o trio de críticos para prova um amuse bouche

Dahoui: recebeu o trio de críticos para prova um amuse bouche

Os concorrentes devem ter chegado a essa prova arrasados. Só para situar, na semana anterior, Dahoui pensou em dispensar todos por causa do jantar desastroso que eles prepararam. Tanto que muitos dos clientes-convidados do restaurante saíram com fome.

Os participantes: Grace, Gabriel, Mailson, Vicky e Cris

Os participantes: Grace, Gabriel, Maílson, Vick e Cris

O desencontro foi tamanho que um dos chefs, o Gabriel, disse ter vontade de dar um mergulho na fritadeira. Eles se mostraram os profissionais mais amadores do Brasil. E vou contar um segredo. Se comida servida no restaurante Hell’s Kitchen é de verdade e necessita de muito empenho dos competidores, o vinho é cenográfico. Em vez de álcool, os clientes-convidados são brindados com quantidades industriais de suco de uva. Faz sentido a substituição. Imagina, se algum desses fregueses estimulados pelos efeitos da bebida de verdade revolve tirar satisfação com um dos participantes porque o peixe tinha espinhas? Ou por que a carne estava fora do ponto? Melhor não. Ah, o vinhos críticos era um chileno autêntico.

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Aproveitei para entrevistar Dahoui. Confira a nossa conversa:

Como foi assumir o comando de Hell’s Kitchen na última hora?

Foi uma experiência maravilhosa. Entrei no programa quinze dias antes sem ter pensado em nada. Achava que não era meu estilo, não era a minha cara fazer um programa como esse. Sempre achei que jamais aceitaria, mas tudo aconteceu de uma forma tão harmônica. E foi muito legal quando soube que seria a primeira mulher do mundo a apresentar o Hell’s Kitchen. Pensei ‘realmente é maravilhoso’. Entrei de cabeça, trabalhando em todas as partes desde de investir na decoração, na iluminação, criar todos os meus dólmãs, os meus cabelos, entender mais de roteiro.

Foi tranquilo ser natural diante das câmeras?

Meu oficio não é ser só chef de cozinha. Crio o conceito do restaurante, corro atrás dos sócios, toco a obra, decoro, cuido da carta de drinque à carta de vinhos. Escolho bebidas que combinem com entradas, pratos e sobremesas. Também adoro formar profissionais. Penso no cara que começa na pia e pode se tornar chef. Isso transforma a vida dele, da família dele, das pessoas em torno dele. A comida é, sem dúvida, 25% dessa história toda, mas é tão importante quanto todo o resto. Por isso, esse programa foi tão fácil para mim. Me disseram:  tem câmeras escondidas aqui e ali, vão ter essas aqui aparecendo. Entra lá e toma conta, a cozinha é sua. São profissionais, tire o melhor deles. E foi isso que fiz.

Qual a parte mais difícil?

A única parte sofrida é ter que mandar as pessoas embora. Gosto de assinar carteira, tenho mais de 120 funcionários [nos Ruella]. Por mais que todo mundo saiba que é um jogo, o cara está ali na minha frente e tem os mesmos sentimentos que eu. Sei que estou mexendo com o sonho dele. Gosto de contratar, ensinar, fazer crescer. No programa, é tudo muito rápido. Foram 40 dias internada lá, eles [os competidores] ficam totalmente sem ver televisão, rádio, celular, família, maridos, namorados, namoradas. Eu ainda ia para casa e encontrava meu namorado e minha filha. É muito mais fácil, mas ainda assim foi uma pressão. Saí totalmente transformada, mas não pela fama. Eu sempre achei que o que tinha que aparecer eram os meus restaurante e não eu. Mas a energia, a adrenalina, meus Deus (!), tou viciada! Amei! Já estou envolvida em novos [projetos para a TV] inclusive.

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