Continua após publicidade

Uísque e Vergonha

Comida & Bebida, Lazer & Cultura, Shows & Noite.

Por Dirceu Alves Jr.
Atualizado em 30 Maio 2019, 13h31 - Publicado em 30 abr 2019, 12h10
  • Seguir materia Seguindo materia
  • Publicidade

    Atriz de personalidade contemporânea, Alessandra Negrini encontrou na tragicomédia Uísque e Vergonha o papel certo, de atmosfera sombria e irônica, para uma investida teatral. A peça, adaptação de Michelle Ferreira do romance de Juliana Frank, acompanha a trajetória de Charlottiê da infância ao começo da vida adulta. Trata-se de uma garota assombrada por traumas, desde os mais banais, como a repulsa por comer peixe nas refeições, até a convivência precoce com tragédias como o suicídio do primeiro namorado (o ator Gui Calzavara). Charlottiê nunca foi santa. Aprontou muito na escola, duelou incansavelmente com a mãe alcoólatra (interpretada por Ester Laccava), amargou a ausência do pai e sempre demonstrou uma imaginação acima da média. Sua melhor amiga e confidente, para se ter uma ideia, era a boneca fumante Ilália (representada por Érika Puga). Os anos se passaram sem trégua para a protagonista, que chegou a ser expulsa de casa e driblou a dureza das ruas. Para atingir a vida adulta com um mínimo de sanidade, ela precisava decifrar o conselho de uma tia morta (também vivida por Ester) de que, para ser minimamente feliz, deveria dar pérolas aos porcos. Assim, enterraria seus fantasmas e seguiria em frente. Sob a direção de Nelson Baskerville, Uísque e Vergonha é uma montagem incomum, capaz de amedrontar os espectadores por dispensar firulas na abordagem crua e surrealista, flertando o tempo inteiro com o teatro do absurdo. Baskerville emoldurou o espetáculo com uma roupagem coloquial e urbana, pronta para aproximá-lo da plateia jovem e deixar corados os pudicos que se assustam com palavrões ou com uma abordagem pungente em relação a sexo e drogas. Em meio a tanta experimentação, é admirável o rendimento do elenco. Érika é destaque na difícil personificação da boneca, enquanto Ester aproveita muito bem sua técnica ao transitar entre a mãe, a tia e a professora. Os atores Gui Calzavara e Carcarah alcançam respostas em participações pontuais. O surpreendente, porém, é perceber Alessandra à vontade no teatro, convincente nas várias fases da personagem e portando-se com naturalidade e empatia, mesmo em um universo repleto de estranhezas. Sinal de que, como atriz, fez a escolha certa (80min). 18 anos. Estreou em 11/5/2019. (80min). 18 anos. Até 7/7/2019. Estreou em 11/4/2019.

    Publicidade

    Essa é uma matéria fechada para assinantes.
    Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

    Domine o fato. Confie na fonte.
    10 grandes marcas em uma única assinatura digital
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Para assinantes da cidade de São Paulo

    a partir de R$ 39,90/mês

    PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
    Fechar

    Não vá embora sem ler essa matéria!
    Assista um anúncio e leia grátis
    CLIQUE AQUI.