Praia Grande

Vila Mirim é novo alvo de construtoras na Praia Grande

Condomínios apostam no conceito de clube para transformar o lugar no metro quadrado mais valorizado da região

Por: Fabio Brisolla - Atualizado em

Por muito tempo, Praia Grande foi o ponto de encontro de ônibus fretados cheios de banhistas em busca de um lugar ao sol. Boa parte desses freqüentadores não tinha onde ficar na cidade. Passava o dia e, às vezes, a noite na praia. O clima de acampamento desvalorizou a área e afugentou investidores. Para reverter essa situação, a prefeitura de Praia Grande proibiu em 1993 o estacionamento de fretados dentro do município e começou ali um programa de revitalização dos equipamentos urbanos. Com 22,5 quilômetros de extensão, a orla ganhou um novo calçadão, uma ciclovia e 20 000 palmeiras ao longo de todo o percurso. Essa transformação repercute agora diretamente na economia local. Nos últimos meses, grandes construtoras iniciaram uma disputa pelo trecho à beira-mar conhecido como Vila Mirim. A paulistana EZtec, por exemplo, arrematou ali um terreno com 42 000 metros quadrados, o equivalente a cinco campos de futebol, onde pretende erguer 28 torres nos próximos dez anos. Em dezembro, o primeiro condomínio, batizado de Oásis, foi lançado com quatro torres interligadas e 512 apartamentos. Num terreno ao lado fica o estande de vendas do Edifício Costa do Sol, com 490 apartamentos (de 70 a 90 metros quadrados), uma parceria das construtoras Tecnisa e Stuhlberger com a santista Phoenix.

Ainda no primeiro semestre, a Rossi vai anunciar um empreendimento com duas torres e 400 unidades na mesma área. No total, a Vila Mirim terá aproximadamente 4.500 novos apartamentos, com preços que variam de 160 000 reais (70 metros quadrados) a 475 000 reais (144 metros quadrados). Segundo os investidores, a idéia é concentrar no bairro os condomínios de alto padrão de Praia Grande. Cada edifício terá a estrutura de um clube, com atrativos como piscina, salão de jogos, spa, quadra de tênis, sauna, cinema e espaços recreativos para crianças. "A Vila Mirim era o único lugar da praia onde havia espaço para construir", diz Marcos Zarzur, diretor de vendas da EZtec. De acordo com a prefeitura, Praia Grande tem 108 000 propriedades de veraneio, 67% do total de imóveis do município. E o conjunto dessa obra deixa a desejar. Muitos prédios surgiram de forma improvisada, construídos por pequenos comerciantes locais sem preocupação alguma com padrões arquitetônicos. Por isso, a aposta na Vila Mirim já é considerada um marco para o mercado imobiliário da região. "Praia Grande tinha a fama de ser o patinho feio do litoral, mas isso está mudando", afirma Marcelo Dadian, diretor comercial da construtora Rossi.

Um dos destinos mais procurados do litoral paulista, Praia Grande recebeu só no feriado de réveillon 1,3 milhão de turistas. Com esse mundaréu de gente, os veranistas enfrentaram falta d’água, supermercados lotados e, o pior de tudo, trânsito infernal para vencer os 77 quilômetros que separam São Paulo da cidade pelo sistema Anchieta–Imigrantes. Os corretores de plantão, claro, festejam esse movimento 25% maior em relação ao mesmo período do ano passado. São, afinal, potenciais compradores dos empreendimentos que começam a brotar, na nova aposta do mercado imobiliário do Litoral Sul.

Fonte: VEJA SÃO PAULO