diálogos

Encontros improváveis: Sabrina Sato e Elisabete Sato

A apresentadora e a delegada falam sobre suas origens, homens e beleza

Por: Ana Carolina Soares e Bárbara Öberg

Sabrina Sato e Elisabete Sato
A apresentadora Sabrina e a delegada Elisabete: as duas compatilham o mesmo sobrenome  (Foto: Fernando Moraes)

Salto 12, roupas de grife, cabelos arrumados e um entourage inseparável. Dois policiais escoltam a diretora da Delegacia Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Elisabete Sato. E dois maquiadores checam cada flash direcionado a Sabrina Sato. Apesar da ascendência japonesa e da coincidência do sobrenome (elas não possuem parentesco), as duas só se conheciam pelo noticiário. Nesse encontro, trocaram elogios, telefones e comentários espirituosos. “Se alguém fizer mal à minha ‘prima’, vai parar na cadeia”, brincou Elisabete.

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Sabrina pergunta:

Esperava encontrar uma policial descabelada, que fuma charuto... Mas você é impecável! Como consegue ficar de salto nesse trabalho?

Trabalhar numa profissão tão masculina acaba nos tornando mais femininas. Precisamos mostrar nossa melhor versão. Durmo pouco: vou para a cama à meia-noite e acordo às 4 da manhã. O trabalho é emocionalmente difícil, choro quase todos os dias. Então me olho no espelho e vejo minhas olheiras, o corpo dolorido, o cabelo cheio de fios brancos. A solução é negociar com a cabeleireira um horário às 21 horas, uma drenagem linfática no fim de semana. Os homens não têm essa preocupação, para eles é mais fácil. Mas não me queixo, gosto de andar bem. Um dia terei maquiador como você (risos).

Os homens têm medo de você?

De criminosos, já ouvi frases em tom irônico, como “mas você vai me prender mesmo?”. Policial, não. Nos anos 80, quando comecei, era mais difícil, havia poucas policiais e o machismo era implícito, só com olhares. Eu tinha de marcar horário para falar com meu chefe, por exemplo. Agora, não. Administro o trabalho de 730 funcionários, na maioria homens, e temos uma relação de igual para igual. Para falar comigo é só chegar à minha sala. Como sou mulher e bem extrovertida, sei o nome de todo mundo e comemoro com abraços cada caso solucionado.

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Foi difícil conseguir marido na sua profissão?

Policial é desconfiado. No primeiro encontro com meu marido, o advogado Ricardo Lei, pensei: “Esse cara pode ser um estelionatário” (risos). A gente se conheceu na Galeria dos Pães, nos Jardins. Eu tomava café e ele se aproximou. Puxou conversa, pediu meu cartão, mas neguei. Perguntou se poderia me dar o cartão dele e aceitei. Semanas depois, liguei e marcamos de ir a um restaurante japonês. No fim me casei com o homem e estamos juntos há oito anos. Aliás, na próxima vez que você arrumar um pretendente, passa para mim o nome que levanto a ficha dele (risos).

Elisabete pergunta:

Já passei vergonha como jurada de um concurso de karaokê na Liberdade por não falar nada de japonês. E você, conhece o idioma?

Durante minha infância em Penápolis, morávamos todos juntos na mesma casa e meus avós só se comunicavam em japonês. Então eu ouvia tadaima, que significa “cheguei”, ou gotisso sama, quando estávamos satisfeitos após as refeições. E por aí vai. No início da adolescência, minha avó morreu, paramos de nos comunicar na língua e acabei esquecendo muitas expressões. Depois meu avô se casou com uma brasileira. Ele a conheceu em um evento que organizamos, um miai, um encontro às cegas para os familiares apresentarem pretendentes ao solteiro. Agora que estou sem namorado, você pode organizar um miai para mim? (risos).

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Posso organizar esse blind date, mas você é muito exigente para escolher seus namorados?

Eu me tornei mais exigente quando fiquei mais velha. Há alguns anos, minha lógica era: se terminei com um surfista, agora namoro um caubói. Parei com essa maluquice nos meus dois últimos relacionamentos, com o deputado federal Fábio Faria e o humorista João Vicente de Castro. Normalmente os caras se aproximam dos meus amigos, do meu irmão, nós nos tornamos próximos e depois rola o namoro. Mas estou com preguiça desse processo. Eu preferiria ir direto ao ponto: pedir o currículo profissional e amoroso, xerox do documento de identidade e foto de sunga (risos). Escolher e só então me jogar.

Você deve ter um cotidiano bem agitado, glamouroso. Qual a maior emoção da sua vida?

Trabalho muito, mas também sou bem família, gosto de ficar em casa. Sou uma pessoa simples. O momento mais emocionante que tive na vida pessoal e em minha carreira foi a viagem que fiz ao Japão no início deste ano para o meu programa, na Record. Foi um sonho realizado. Cada rosto me lembrava familiares. Eu via minha avó em cada senhora na rua. Chorei de emoção todos os dias.

Agradecimento: MoDi Gastronomia 

Fonte: VEJA SÃO PAULO