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Transexual 'crucificada' na Parada Gay relata agressão

Em conversa com VEJA SÃO PAULO, modelo alegou não ter registrado boletim de ocorrência por temer vingança

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Parada Gay
A transexual na última edição do maior evento LGBT da cidade (Foto: Fotoarena/FolhaPress)

A modelo transexual Viviany Beleboni, de 27 anos, que ficou conhecida na Parada Gay deste ano ao desfilar como se estivesse crucificada, postou um vídeo em sua página no Facebook em que afirma ter sido agredido na noite de sábado (8). A violência, relata, teria ocorrido perto de sua casa na Bela Vista, região central da capital. Viviany não fez boletim de corrência, alegando que não gostaria de ser tratada como "homem" pela polícia. 

 

Viviany - transexual
Modelo afirma que levou socos, teve o cabelo puxado e foi chamada de "demônio" (Foto: Divulgação)

 

Viviany - transexual
Viviany exibe marcas vermekhas no braço (Foto: Divulgação)

No vídeo, Beleboni conta que o agressor dizia ser uma pessoa "de Deus" e a chamou de demônio, por isso ela teria de pagar. "Se era isso que vocês, inimigos, queriam, vocês conseguiram",  desabafou, exibindo marcas de cortes no braço e no rosto. "Não sei se ele estava com com um lâmina ou um canivete. Apesar de ser uma mulher, nasci homem. Tenho força de um, por isso consegui apartar", contou a VEJA SÃO PAULO.  Na entrevista, ela disse que foi abordada por um grupo de jovens, que levou socos e teve o cabelo puxado.

O caso, conta, ocorreu no sábado, por volta das 19h30, na volta de uma caminhada pelo bairro da Bela Vista. Ela não soube precisar o nome da rua onde a violência teria acontecido.

A transexual diz que desde o episódio da Parada Gay tem evitado sair de casa sozinha por causa das ameaças que vem recebendo. "Estou cansada de ser ameçada tanto por travesti, quanto por ET e qualquer tipo de pessoa que não gostou do meu ato. Mas meu ato foi de amor", disse ela, no vídeo, chorando. A VEJA SÃO PAULO, ela disse que falou sobre "ET" num contexto figurado.

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"Hoje eu quase tomei uma facada, amanhã posso morrer", disse a Viviany, afirmando que também não quis fazer o boletim de ocorrência por medo de vingança. "Nenhum policial ficará ao meu lado 24 horas por dia. Tenho medo." 

Viviany conta que entrou com um processo para obrigar o Facebook a identificar todos os usuários que compartilharam fotos dela em meio a sexo explícito. Ela ainda move ações contra o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) e outra seis pessoas. Ao todo, ela exige 800 000 reais em indenizações por danos morais. "Minha vida acabou após as postagens feita pelo Marco Feliciano."

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Fonte: VEJA SÃO PAULO