Teatro

'Seria Cômico Se Não Fosse Sério': elenco afinado e humor trágico

Com Ana Lúcia Torres, Antonio Petrin e Luciano Chirolli, o diretor Alexandre Reinecke acerta mais uma vez

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

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Ana Lúcia Torre: dissimulação na pele de uma atriz decadente e esposa fracassada (Foto: João Caldas)

Incansável diretor, Alexandre Reinecke tem seis espetáculos em cartaz. Cinco deles — Adorei o que Você Fez, O Homem das Cavernas, Toc Toc, TPM Katrina e Trair e Coçar... É Só Começar, do qual é supervisor artístico — são comédias absolutamente divertidas, de levar fácil o espectador às gargalhadas. A novidade é Seria Cômico Se Não Fosse Sério, escrita pelo suíço Friedrich Dürrenmatt (1921-1990) e bem próxima do gênero comédia dramática. Protagonizado por Antonio Petrin, Ana Lúcia Torre e Luciano Chirolli, o texto arranca o riso de uma situação que beira o trágico. Mas, nas mãos de Reinecke, tudo fica ainda mais engraçado.

Dividida em doze rounds — em vez de cenas —, a montagem centra-se num casamento de 25 anos que não conserva um pingo de dignidade. Sintonizados, Petrin e Ana Lúcia interpretam o militar ressentido e a atriz decadente, marido e mulher, que vivem numa ilha em situação de miséria e falta de respeito mútuo. A visita de um primo (papel de Luciano Chirolli) os faz romper o isolamento. Mesmo se odiando, os dois sabem que o preço da solidão seria mais alto.

Apostando as fichas no elenco, o diretor investe no absurdo das situações. Ana Lúcia equilibra dissimulação e melancolia, em contraste com o atônico general criado por Petrin, responsável pelos momentos mais hilariantes. Como o juiz do ringue, Chirolli explora poucas nuances e, imparcial, abre espaço para Ana Lúcia e Petrin dominarem a cena.

Fonte: VEJA SÃO PAULO