Teatro

"Sem Pensar" enfoca os desajustes de um casal e sua filha

Comédia dramática marca estreia do cineasta Luiz Villaça na direção teatral

Por: Dirceu Alves Jr.

Sem Pensar - 2219
Kiko Marques e Denise Fraga: casal em crise (Foto: João Caldas)

Estreia na direção teatral do cineasta Luiz Villaça, a comédia dramática “Sem Pensar” foi escrita pela inglesa Anya Reiss, hoje com 19 anos, quando ela tinha 17, e enfoca uma família à deriva. Sujeito a múltiplas interpretações, o texto corre o risco de ser tachado de pueril e até enquadrado injustamente como uma obra restrita aos jovens por causa do enfoque e da inexperiência dramatúrgica da autora. Chama atenção, porém, o fato de Villaça ter contornado esses obstáculos sem adaptar a trama — como seria mais óbvio — aos costumes brasileiros. Assim, ele fez da montagem em cartaz no Tuca um interessante painel do relacionamento de pais e filhos capaz de agradar a diferentes públicos.

Quem conduz a história é Delilah (papel da ótima Júlia Novaes), às vésperas de completar 13 anos. Em meio à difícil comunicação com os pais (Denise Fraga e Kiko Marques), que atravessam uma crise conjugal, a garota se apaixona por Daniel (o ator Kauê Telloli). Dez anos mais velho, o rapaz vive como inquilino na casa e aguarda a visita da namorada (Virgínia Buckowski). Daniel mal dá bola para a menina num primeiro momento. A indiferença dura pouco, e a impulsiva Delilah traz à tona conceitos de maturidade e infantilidade que a aproximam do distante mundo dos adultos. Villaça explora cada gesto e movimento do elenco, completado por Isabel Wolfenson, Paula Ravache e Verônica Sarno. Transforma, sim, o palco em uma tela, mas isso se limita ao competente cenário vertical criado por Valdy Lopes, que toma a boca de cena. O diretor conduz com certa leveza a história repleta de elementos incômodos. Não alça Denise Fraga (sua mulher na vida real) à condição de protagonista e deixa o conflito teen se sobrepor às picuinhas do casal cego em relação à filha.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO