...Ficou assim

Santana dispõe de variadas opções de transporte

Bairro também encanta seus moradores pela estrutura do comércio e pelo clima de interior

Por: Sara Uhelski

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Santana: quatro estações de metrô, o Terminal Rodoviário Tietê e o Aeroporto Campo de Marte (Foto: Lucas Pádua)

Com 13,2 quilômetros quadrados, Santana representa menos de 1% da área total de São Paulo. Pois é nesse espaço estatisticamente pequeno que estão concentradas quatro estações de metrô; o Terminal Rodoviário Tietê, porta de entrada e saída dos ônibus que ligam a capital paulista a outros 1.033 municípios; e o Aeroporto Campo de Marte, o quinto do país em volume de operações. As opções oferecem conforto tanto a moradores como a quem está só de passagem. “É um dos bairros mais bem servidos de transporte, o que cria uma situação favorável: o cidadão chega ao metrô e consegue embarcar com facilidade, o que não ocorre nas linhas que passam pela Zona Leste, por exemplo”, diz o professor Cláudio Barbieri Cunha, doutor em engenharia de transportes pela USP. Das estações presentes no distrito, Santana e Portuguesa-Tietê são de movimentação média, enquanto Carandiru e Jardim São Paulo têm fluxo baixo de passageiros. Somadas, elas recebem 145.000 pessoas por dia. Outras 90.000 passam pelo Tietê, o maior terminal do Brasil, utilizando 3.000 ônibus de linhas que atendem 21 estados brasileiros e cinco países da América Latina. 

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Fluxo acima e abaixo do solo: diariamente, 90 000 pessoas passam pelo Terminal do Tietê e 145 000 pelas quatro estações de metrô do distrito (Foto: Raul Zito)

Além de possuir boa mobilidade terrestre, Santana não decepciona em transporte aéreo. O Campo de Marte é o principal ponto de pousos e decolagens de helicóptero na cidade: segundo a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), ali está a frota mais numerosa do planeta, com 355 aparelhos registrados. Levantamento da Infraero mostra que o aeroporto recebeu 101.465 operações de janeiro a outubro deste ano. Isso significa que uma aeronave decola ou pousa na sua pista a cada três minutos. “Ele está inserido geograficamente em uma posição muito adequada, e ter essas condições é algo raro”, afirma o presidente da Associação dos Concessionários, Empresas Aeronáuticas Intervenientes e Usuários do Campo de Marte (Acecam), Olavo Vieira. O aeroporto deve abrigar ainda a única estação paulistana do trem de alta velocidade que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. Está prometida, para outubro de 2011, a assinatura do contrato de concessão, e, se o projeto virar realidade, estima-se que a obra seja concluída em 2016, ano em que o país sediará os Jogos Olímpicos. 

Campo de Marte
Aeroporto do Campo de Marte: um pouso ou decolagem a cada três minutos (Foto: Raul Zito)

 Engana-se quem pensa que o bairro, com um papel importante no transporte municipal, serve apenas como passagem. Ao contrário, são aspectos como o perfil pacato e a quantidade de serviços que mais atraem os moradores. “Quem nasce em Santana fica por aqui”, diz o gerente de desenvolvimento Wilker Gois Wey. A idade de Wilker, 34 anos, revela também o tempo em que vive na mesma casa, na Rua Alphonsus de Guimaraens. Ele e a mulher, Luciana, são a terceira geração da família que mora no imóvel. “Temos tudo por perto, hospital, mercado, padaria, e ainda esse clima de interior, de dar bom-dia aos vizinhos”, diz Luciana, que há oito meses abriu um restaurante a 150 metros de casa.  

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Revitalização: canteiros arborizados transformaram a Avenida Brás Leme (Foto: Raul Zito)

Estudo realizado pela Cognatis Geomarketing indica que a região tem quase duas vezes mais restaurantes do que a média da capital (1,28 para cada 1.000 habitantes) e sete vezes mais livrarias (1,61 para cada 1 000 habitantes). Nos últimos três anos, foram lançados cerca de 1.100 apartamentos com média de 143 metros quadrados cada um. Nesse período, o distrito passou por mudanças que aumentaram as opções de lazer e valorizaram o comércio. Um exemplo é a revitalização das avenidas Engenheiro Caetano Álvares e Brás Leme, que ganharam pistas de caminhada, canteiros arborizados e aparelhos de ginástica. O engenheiro civil Christiano Schmidt deixou de ir ao Parque do Ibirapuera para aproveitar a estrutura que tem perto de casa. “Quando tenho tempo, caminho na Brás Leme, e é bom porque sempre encontro amigos”, diz. A transformação mais recente foi na Rua Voluntários da Pátria. Antes tomadas por vendedores ambulantes, suas calçadas foram reformadas, ganharam rampas de acessibilidade, floreiras e lixeiras. “As melhorias trouxeram interesse para as lojas de rua, que agora podem concorrer com os shoppings”, afirma o subprefeito, Sérgio Teixeira Alves. 

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Tradição: o casal Wey é a terceira geração da família a viver no mesmo imóvel (Foto: Raul Zito)

A próxima alteração será no trânsito: a construção de um túnel para unir as avenidas Cruzeiro do Sul e Engenheiro Caetano Álvares, com o objetivo de diminuir os congestionamentos. De acordo com a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), o complexo viário inclui dois túneis com cerca de 350 metros de extensão, um para cada sentido, com três faixas de tráfego para veículos, além de uma faixa exclusiva para ciclovia e calçada para pedestres. A Siurb não informa o número total de imóveis que serão desapropriados por causa da obra, alegando que as plantas expropriatórias ainda não foram concluídas. Mas alguns já sabem que serão afetados pelo túnel, como o Colégio Estadual Doutor Octávio Mendes, que perderá a quadra coberta e metade da descoberta.

GIGANTE DA ZONA NORTE

Alguns números do distrito de Santana, que inclui bairros como Água Fria, Imirim e Jardim São Paulo

60

Livrarias

61

Padarias

507

bares e lanchonetes

160

Restaurantes

31

Supermercados

105

Farmácias

20

Hospitais

100

Escolas

Fonte: Cognatis Geomarketing

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO