Teatro

Quatro textos de Sérgio Roveri

O autor tem uma tragédia, dois dramas e um monólogo em cartaz

Por: VEJA SÃO PAULO

Palavra de Rainha
O monólogo dramático é estrelado por Lu Grimaldi (Foto: Lenise Pinheiro)

Conheça quatro textos do autor Sérgio Roveri:

  • Em meio a tantas releituras de clássicos, o dramaturgo Sérgio Roveri e o Grupo Folias tiveram a coragem de mexer na tragédia grega de Eurípides. Rebatizada de Medeia: 1 Verbo, esta adaptação coloca a protagonista (interpretada por Nani de Oliveira, convincente) em uma penitenciária, mostrando como foi seu castigo depois de ter sido acusada de um ato extremo. As evidências mostram que Medeia matou os dois filhos para se vingar do marido, Jasão (papel de José Geraldo Jr.). Ele a deixou para ficar com outra mais jovem (a atriz Ana Nero). O próprio Eurípides (representado por Gabriel Esteves de Castro) observa tudo de perto e redefine o destino da personagem. Quem lhe dá as orientações é Creonte (vivido por Dagoberto Feliz), uma espécie de diretor do  destino de todos. Grande trunfo do texto, a metalinguagem torna-se um tanto cansativa no palco. A montagem capitaneada por Marco Antonio Rodrigues fica exigente demais à medida que o tempo passa, em parte pela atuação do elenco secundário e pela falta de linearidade. Assim como a protagonista, a encenação é redimida pela ousadia, mas não provoca o que poderia no conjunto. Estreou em 5/9/2014. Até 31/5/2015.
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  • Poderia ser uma irônica proposta cênica, mas a interferência da realidade não foi bem-vinda na ficção. O vazamento do som de uma casa noturna vizinha ao Club Noir, no Baixo Augusta, prejudicava as sessões de quinta do drama Opus 12 para Vozes Humanas. Em um espetáculo silencioso, focado em diálogos rápidos, a indesejada trilha dificultava a concentração de atores e plateia em torno da trama sobre a incomunicabilidade. O jeito foi mudar para terças e quartas. Dividida em duas partes, Um Dia e Uma Noite, a peça escrita por Sérgio Roveri oferece um oportuno debate sobre a incapacidade de focar a atenção e aprofundar uma conversa. Na cena inicial, os personagens de Pedro Henrique Moutinho e Janaína Afhonso se encontram em uma situação cotidiana e têm diferentes sentimentos despertados. Dirigida por José Roberto Jardim, a montagem ganha intensidade no ferte com o absurdo da simbólica segunda parte. Anna Cecília Junqueira, Felipe Folgosi, Alex Gruli e Munir Kanaan interpretam dois casais reunidos para um jantar entre amigos. Eles ilustram a superfcialidade das relações em falas desencontradas e, muitas vezes, sem um nexo aparente. Estreou em 5/2/2014. Até 24/9/2014.
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  • Alvo fácil para os estereótipos, a família real portuguesa é constantemente retratada de forma caricata no Brasil. Sob a direção de Mika Lins, o monólogo dramático Palavra de Rainha, escrito por Sérgio Roveri, traça um caminho oposto para dignificar uma personalidade relevante. Lu Grimaldi representa Maria I (1734-1816), a primeira mulher a assumir o trono em Portugal. Conhecida como a Piedosa e também como a Louca, a mãe de dom João VI teve a trajetória marcada por tragédias familiares e conflitos religiosos. Morreu esquecida e perturbada em um convento de carmelitas no Rio de Janeiro, dando origem ao apelido. O espetáculo é marcado por um conjunto de acertos. A dramaturgia de Roveri promove um questionamento abrangente sobre a velhice e a dependência capaz de ultrapassar a figura histórica. Lu brilha em uma interpretação econômica e tira proveito de um trabalho de corpo que a permite interagir com o cenário criado por Cássio Brasil. A encenação concebida por Mika revela-se de extremo bom gosto e oferece belíssimos e raros efeitos visuais em um conjunto que peca pelo final, um tanto abrupto e enigmático. Estreou em 13/9/2014. Até 30/11/2014.
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  • Um encontro fictício entre Marilyn Monroe e Norma Jean, seu nome de batismo, expõe o drama da estrela, morta em 1962. Bia Borin, Débora Vivan e Priscila Oliveira interpretam o que seria uma discussão entre as duas. Há também intervenções das vozes de John Kennedy, da preparadora da atriz e de outras mulheres, chocadas por sua permanente beleza. Baseado no texto de Sérgio Roveri, José Roberto Jardim escolheu uma direção que privilegia as palavras. O elenco quase não se movimenta em cena, o que torna a montagem morosa e um pouco verborrágica. Na polifonia de pensamentos e conflitos, surge a artista estilhaçada, como provavelmente estava antes de ser encontrada morta em seu apartamento, aos 36 anos. Estreou em 5/8/2014. Até 28/10/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO