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Pela 6ª vez, Stephanie Stevanato é protagonista de "O Quebra-Nozes"

Ela se reveza com mais duas bailarinas no papel, porém se vê à frente da maior parte das apresentações

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

Talento na ponta dos pés
Stephanie começou a dançar aos três anos (Foto: Divulgação)

Em 1983, a companhia Cisne Negro, então com sete anos de vida, junto dos alunos da escola de mesmo nome, estreava sua versão do balé natalino O Quebra-Nozes, com trilha de Tchaikovsky. Um elenco de cerca de sessenta integrantes mostrou saltos e rodopios em oito sessões, no Teatro São Pedro. Depois da estreia, a montagem passou a subir aos palcos anualmente e se tornou um dos espetáculos de dança mais populares da cidade. A temporada de 2012 começa na quarta (5), no Teatro Alfa, com dezesseis sessões programadas. Em um cenário portentoso, que possibilita efeitos especiais como chuva de flocos de neve e integrantes que voam sobre a plateia em uma tirolesa, participarão cerca de 100 artistas.

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Pela sexta vez, a paulistana Stephanie Stevanato estrelará o show, interpretando a menina Clara, que ganha um boneco quebra-nozes e com ele vive uma aventura mágica. Ela se reveza com mais duas bailarinas no papel, porém se vê à frente da maior parte das apresentações. Sua trajetória na dança começou aos 3 anos, quando a mãe a colocou em uma escola de balé. Em 1996, mudou-se para a Cisne Negro, que acabou se tornando sua segunda casa. Stephanie passava tardes inteiras nas salas do espaço da Vila Beatriz, aprimorando os pliés.

Talento na ponta dos pés
Stephanie é protagonista do espetáculo pela sexta vez (Foto: Divulgação)

Em 2006, foi chamada para integrar a companhia e, no ano seguinte, ganhou o papel da protagonista de O Quebra-Nozes. “Batalhei muito para chegar até aqui”, diz ela, que ensaia a montagem seis horas por dia, desde setembro. “Não enjoo nunca do papel, a cada ano procuro fazer uma protagonista diferente.” Nesse meio-tempo, conseguiu conciliar a pesada rotina com a faculdadede jornalismo. “Para interpretar a Clara, não basta ser bailarina, tem de ser atriz e conseguir cativar o público”, afirma a diretora Hulda Bittencourt, cuja filha, Dany, hoje também no comando do grupo, fez a primeira Clara da Cisne Negro.

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Aos 25 anos, Stephanie encarna uma menina de 12 anos — a altura de 1,60 metro ajuda a disfarçar. Antes de entrar no palco, ela pega leve na maquiagem, tem os cabelos enrolados em cachinhos e veste roupas delicadas. Solteira, mora com os pais num apartamento na Vila Bonilha, em Pirituba, e embolsa um salário mensal na faixa de 3 000 reais. Na temporada de O Quebra-Nozes, diante de uma plateia de mais de 1 000 pessoas, consegue fazer muita gente se emocionar, inclusive ela mesma. “Minha família é pequena, então nunca tive um grande Natal como o da peça”, conta, com os olhos cheios d’água. “Por isso, eu me realizo em cena.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO